quarta-feira, agosto 16, 2006

Günter Grass

Esta semana foi revelado que o vencedor do prémio Nobel da Literatura em 1999, o escritor alemão Günter Grass, alistou-se voluntariamente nas forcas de elite nazis Waffen SS durante o final da segunda guerra mundial. O autor contava 17 anos por altura desta decisão, em 1944. Esta revelacão foi anunciada por Grass como antecedente ao lancamento da sua auto-biografia que sairá brevemente.

Lecha Walesa (prémio Nobel da Paz em 1983 devido à lideranca do movimento Solidarnócz que contribuiu fortemente para a queda dos regimes comunistas na Europa de Leste e ao consequente ponto final na Guerra Fria) afirmou pouco tempo depois que desejava que a cidadania honorária de Gdansk de Günter Grass lhe fosse retirada. Muitos deputados polacos, e mesmo alemães, pediram ao instituto Nobel que o prémio de 1999 lhe fosse igualmnete retirado.
Günter Grass dedicou grande parte da sua carreira literária como advogado do pacifismo e como caso único no panorama intelectual alemão que se debrucou a remexer nas feridas da segunda Guerra Mundial. A triologia iniciada com "O Tambor" (1959) e a reflexão causada por um dos seus ultimos romances "Im Krebsgang" (2002) leva o leitor a pensar nos dois lados de um conflicto. Grass nasceu em Gdansk, na altura o estado livre de Danzig, e a sua infância é marcada pela dualidade entre as nacionalidades polaca e alemã. Também foi Grass que anunciou a famosa tirada "Depois de Auschwitz, nunca mais uma alemão poderá honestamente sentir-se orgulhoso de ser alemão".

Que penso eu acerca deste debate?

Creio que 60 anos de carreira a escrever sobre um dos temas mais sensíveis da história alemã, escrita por um alemão, é pena mais do que suficiente para pagar erros que se fazem quando se tem 15 ou 16 anos de idade. Que sabe uma pessoa com essa idade? Foi talvez um erro guardar um segredo deste calibre durante tanto tempo. Mas pensando melhor, teria a sua carreira literaria atingido tais topos caso esta informacão fosse publicamente conhecida? Não estaria Grass condenado a ser classificado como "mais um nazi que tenta desculpar-se" quando alguém lesse um dos seus livros?

Gdansk e Günter Grass estarão sempre ligados na minha memória. Talvez Grass seja um bom exemplo para nos fazer lembrar que um conflicto tem sempre dois lados, e que por vezes se encontram indivíduos que se encontram na fronteira entre estes.

sexta-feira, agosto 11, 2006

Tristeza...

Estou triste, ou mais ou menos deprimido! Ontem acordámos com a notícia de que uma tentativa de atentado terrorista tinha sido anulada pela acção consertada dos serviços secretos Britânicos, dos EUA e do Paquistão! Algumas dezenas de pessoas terão sido detidas em Inglaterra e no Paquistão, todas de nacionalidade Britânica!

O acto consistiria em fazer explodir em pleno voo e de forma mais ou menos simultânea 10 aviões sobre o oceano Atlântico, que fizessem a ligação Londres-EUA. Este planeamento de um acto perversamente espectacular quase de certeza terá a mão da Al-Qaeda!

Obviamente que o facto de o atentado ter falhado só me pode deixar satisfeito! No entanto, esta notícia deixa-me ao mesmo tempo assustado! No próximo ano planeio ir aos EUA em trabalho! E se por ironia do destino, calhar ir num voo onde entram uns malucos desses e fico a servir de comida para os peixes algures no meio do Atlântico!?

Sinto-me triste também pelos comentários que li às notícias publicadas em alguns jornais e blogs! A quantidade de pessoas que consideraram este anuncio um acto de propaganda do eixo Inglaterra-EUA é maior do que eu suporia! Fiquei chocado mesmo com o teor de alguns textos. Textos que destilam ódio contra os Americanos e Ingleses, de pessoas que se cruzam todos os dias connosco na rua! Pessoas supostamente inteligentes a escreverem que seria bem feito que tal atentado tivesse sido um exito! Será que essas pessoas, se é que são pessoas..., se colocaram na pele do pai que vai descansadamente colocar o filho num voo para Nova Iorque, onde irá estudar durante meio ano, e que ao chegar a casa, liga a TV e descobre que o avião do filho explodiu!? Será que quem escreve estes comentários pensa sequer na mensagem que está a passar para os outros!

Não sou nem de perto nem de longe apoiante da política externa dos EUA ou dos Ingleses! O discurso imperialista destes países, e principalmente os ataques constantes a quem não pensa como eles, tem instigado o ódio nos países Muçulmanos e nalguns da América Latina! Quem se tem aproveitado desta política têm sido os políticos populistas - exemplo, Hugo Chávez! A guerra no Iraque serviu apenas e só para aumentar as legiões de movimentos terroristas que com a desculpa de ataques ao Islão, procuram recrutar em todo mundo aqueles que não foram capazes de se integrar nas sociedades em que vivem!

Também ontem me despedi de duas visitas! É sempre bom receber amigos, principalmente velhos amigos, daqueles com os quais sabemos sempre que estarão lá no melhor e no pior! No entanto, ve-los partir é duro. Ainda para mais com o clima de tensão que se vivia em Londres, mesmo sendo o voo delas directo a Lisboa.

A vida é assim mesmo. Um dia diz-se bom dia ao vizinho do andar de cima, no dia a seguir vê-se a foto dele nos jornais! Viver em Inglaterra nos tempos que correm não deve ser fácil, principalmente para os Muçulmanos, que se vêm encurralados entre duas linhas de combate: de um lado a opinião pública não Muçulmana, que desconfia, mesmo inconscientemente, de tudo o que se parecer com um Muçulmano; do outro os terroristas Muçulmanos, já que são os actos prepertrados por estes que levam à desconfiança e a actos de violência contra o comum dos Muçulmanos, aquele que trabalha, paga os seus impostos, investe na educação dos filhos e ama o país onde vive e que lhe deu uma oportunidade de vida melhor!

Cumprimentos,

RC

quinta-feira, agosto 10, 2006

The Cannabis Report

À umas semanas atrás visitei um amigo no estrangeiro que fuma regularmente marijuana. Descobrir que ele usava marijuana não foi nenhuma surpresa, aquilo que mais me surpreendeu foi a frequência com que o fazia. Daí ter-me preocupado um pouco. Falámos um bocado sobre esse assunto e, dado o meu campo ser o da bioquímica e neurociências, prometi investigar um pouco na literatura quando voltasse a Trondheim, sobre possíveis efeitos nocivos a curto e/ou longo prazo devido ao uso de estupefacientes canabinóides.

Deste modo escrevi aquilo que mais tarde os meus colegas chamaram "The cannabis report". A pesquisa que fiz foi muito superficial (demorou-me cerca de 1 dia, e não tive tempo para consultar muitas fontes, embora confie naquelas que pesquisei). O relatório que escrevi não se debruca sobre os efeitos da marijuana, mas sim sobre possíveis consequências e impacto a nível de saúde do indivíduo. Também convém sublinhar que os detalhes científicos acerca da accão bioquímica/psicotrópica desta classe de compostos estão escritas duma forma vaga, apressada,e, consequentemente, não estão totalmente correctos ao detalhe (não me interessava bombardear o meu amigo com palavrões técnicos, o mais importante para mim era fazer passar a mensagem). No geral, confio nas conclusões finais do meu relatório.

Perdoem-me os leitores por estar escrito em inglês. Por questões de carácter profissional, não tenho muito tempo disponível para efectuar a traducão ou aprofundar o meu estudo. Se alguém tem sugestões ou correccões, ficarei agradecido por os mandar. Convém afirmar também, que embora as minhas conclusões apontem para o uso de marijuana como relativamente pouco nocivo, não quero que ninguém daí conclua que eu promova, aconselhe ou use pessoalmente este tipo de estupefacientes (prefiro restringir-me ao álcool como substância recreativa). Na minha opiniao, o melhor é permanecer sóbrio, dar umas corridas na floresta, apanhar uns banhos de sol na praia e levar umas garotas para casa de vez em quando (de preferência sempre a mesma, se possível!). Acredito que as substâncias neurotrópicos que existem no nosso sistema nervoso são suficientes para induzir os nossos "highs" naturais sem ter de recorrer a estimulantes químicos externos.

Ora aqui vai:

"In the last two days I have been researching a bit on the internet and getting some literature and discussing with a couple of the biologists in my lab about the possible side-effects of cannabis. I must warn that this is a superficial overview of the literature I got hold of and that it is not a full scale survey of the references I have read. But the conclusions are as follow:

- Marijuana works both in the peripheric and the central nervous system through the activation of two metabotropic receptors that have been identified in the early 1990´s. These ones are sensitive to an internal regulatory neurotransmitter called anandamide and the cannabinoid family of receptors is 10 times more frequent to find than the opioid system. Both share the property of balancing the effects of the dopaminergic system (potentiating its release). The receptors are more or less widespread everywhere in the nervous system. There is also a second class of cannabinoid receptors present at immunocells and they regulate the inflammatory reaction (by suppressing it to a certain extent). The effects of the cannabinoid substances are therefore generally unspecific.

- Cannabinoid is one of recreational drugs with less capability of leading to physiological addiction. Alcohol and nicotine are much stronger addictive substances than marijuana. Nevertheless, it can lead easily to psychological addiction (there is a difference between physiological and psychological addiction: in the first, a person feels bad and feels a strong need for the substance when some time has passed after the last dose; in the second, a person don´t feel this need, but in a way misses the feeling of being high – it is difficult to explain, but there is a difference).

- There is only one case of dying by overdose in the clinical records, and it was a guy who smoked around 6 joints a day for several months. The basic principle is that it is not possible to die of overdose of marijuana by smoking acutely (in just one episode), but it is possible to get poisoned by long-term consumption (although, as I wrote, there is only one proved case of it in the history of medicine worldwide).

- Although the risk of addiction is low, it can happen. There are withdrawal symptoms like insomnia, restlessness, lost of appetite, irritability, anger, jerkiness and increased aggression. Frequent use also leads to metabolical habituation: the user needs bigger doses to get the same effect.

- The effect of a dose lasts from 1 to 4 hours. The effects are gone the day after use. Nevertheless, since the cannabinoids are liposoluble substances, they have a very low exit rate from the body and they can be detected in human tissue up to one month after its use.

- Among the most prominent psychotropic effects at the cognitive function level, loss of working memory and decreased ability to concentrate are the best known. This is the reason people are advised not to work, drive or do precision work while smoking marijuana. From what it is known, these effects are gone the day after.

- High doses of marijuana consumption also affect reproductive success, especially in men. It decreases sperm mobility and it interferes in the fertilization process. But it needs to be frequent users in order to get this impairment.

- The biggest health risks are the ones related with the smoking: lung and throat cancer, bronchitis, heart problems, etc. But that is mainly derived by the fact that one has to smoke it, so it has the same risks as smoking normal tobacco. It hasn´t be proven any neurodegenerative implications yet (Alzheimer, Parkinson, etc). Actually, there are lines of research were people are testing it as medicine to these same diseases. Cannabinoids induces lower immune resistance (you become less resistant to colds, for example), but it seems to have therapeutical effects by reducing the inflammatory responses or in treatment of chronic pain.

- There is some correlation between schizophrenia and cannabis use, but there is debate about it. Some experts argue that cannabis use is not a cause, but people prone to schizophrenia may use it more.

- It has been discussed about cannabis being a “gateway drug” to heavier drugs. Research so far has shown that animals exposed to cannbinoids need higher doses of opioids in order to get the same effect. Another issue is the sociological aspect: since it use is illegal in most countries, the sort of environment where one gets cannabinoids is the same where one gets heavier stuff.

- The last point of this list is the one I found more curious. It seems that people who use cannabis often score lower in ambition and motivational tests. They are more prone to change careers and are less ambitious than the non-users. They do not score lower at intelligence or capacity tests, they are just less ambitious. They are also more prone to have doubts about their present career or life choices and have less defined long-term goals than the control groups. Again, researchers don not know if this is an effect of cannabis use or if it is a parallel effect: people who start using cannabis were already susceptible to see life in a more liberal way.

All in all, marijuana is not totally harmless to health, but it is less harmful than alcohol or tobacco. This is the main conclusion of my (short) study. As long as you don´t drive while high or use it very frequently, I don’t see major health risks associated with it. But, at a personal level, I wouldn´t like to see you becoming addicted to it (well, to the same extent as alcohol or tobacco as well)."

Trondheim, 10 de Agosto de 2006.

quinta-feira, agosto 03, 2006

Energia nuclear!


Para aqueles que têm seguido as notícias no norte da Europa, não é surpresa a notícia de que os reactores 1 e 2 da central nuclear sueca de Forsmark, a norte de Estocolmo, foram temporariamente encerrados. Isto deve-se a uma falha ocorrida à uns dias atrás nos sistemas de seguranca desta mesma central. Dois dos reactores de Oskarhamn estão também temporariamente fora de servico. Isto significa que 4 dos 10 reactores suecos estão parados. O consulente nuclear sueco Lars-Olov Höglund disse à uns dias atrás que a falha ocorrida nos sistemas de seguranca da central de Forsmark só não levaram à libertacão de resíduos radioactivos por mera questão de sorte. O mesmo especialista comparou os erros ocorridos em Forsmark com os que levaram aos acidentes de Harrisbourg e Chernobyl: mau controlo, falhas nos sistemas automáticos de seguranca e pânico na sala de controlo.

Durante muito tempo comparou-se a seguranca dos reactores ocidentais com os da Europa de Leste, apontando-se os ultimos como parcos em seguranca em relacão aos primeiros. O pequeno acidente da semana passada, ocorrida numa instalacão ocidental e seguindo os mais apertados critérios de seguranca, demonstra algo que eu já havia discutido num post neste blog (26 de Abril de 2006, 20 anos após Chernobyl). Que mesmo apesar dos avancos técnicos, jogar com o nuclear continua a ser uma opcão (demasiado) arriscada para a seguranca da humanidade.

quarta-feira, agosto 02, 2006

Kunsthaus Vienna

De todos os museus que visitei na minha curta viagem pela Europa de Leste, aquele que me impressionou mais foi um pequeno, mas original museu situado no centro de Viena. O nome é Kunsthaus (="Casa da Arte") e tem uma exposicão permanente do arquitecto que desenhou a casa, Friedensreich Hundertwasser, no primeiro andar. No segundo andar tive a oportunidade e o prazer de ver uma exposicão de obras oiriginais do artista suico H.R. Giger.

Giger celebrizou-se internacionalmente através do design do monstro Alien no final da década de 70. No entanto, este artista plástico já contava com um par de décadas de criacões originais na mesma linha. O artista fundou um ramo de arte chamado Biomechanics. Giger foi também um pioneiro que celebrizou a utilizacão do airbrush como técnica de pintura.

A visita a esta exposicão recomenda-se. Algumas das obras em exposicão requerem uma observacão alongada, devido à riqueza de detalhes. As pinturas são macabras, eróticas, complexas, intrigantes e enriquecem a imaginacão. Em certas pinturas gastei cerca de 10 minutos até me sentir satisfeito com a sua observacão. A exposicão é curta, e requer cerca de 1 hora a ver a totalidade. Sublinhe-se uma escultura de tamanho real que serviu de protótipo para o primeiro Alien, utilizado no filme de 1979.

segunda-feira, julho 24, 2006

Quando política e ciência se atropelam!!!

Fiquei revoltado quando hoje li que 8 países da UE se preparavam para boicotar o novo quadro de financiamento da ciência da UE, apenas e só por este admitir o financiamento de projectos onde se utilizem células estaminais embrionárias.

As células estaminais embrionárias são a grande esperança da comunidade médica e científica para se encontrar uma forma de minorar as consequências de doenças neurodegenerativas como Parkinson ou Alzheimer.

Em toda a UE há milhares de embriões congelados excedentários que são destruidos ao fim de 3 anos de armazenamento. Estes provêm de operações de fertilização medicamente assistida, procedimento este onde, por norma, se criam embriões em número superior ao necessário para a primeira tentativa, para o caso desta falhar.

É irracional que não se possam utilizar estes embriões que serão, pura e simplesmente despejados numa qualquer incineradora, para fins científicos, desde que os dadores forneçam autorização para isto.

Sabe-se que os países que se opõem a esta investigação são, ou conservadores ou governados por partidos conservadores! O que não se sabe é se os políticos eleitos representam a vontade de uma população! Neste caso acredito que tal não aconteça, principalmente num país como a Alemanha, cujo governo foi um dos que inicialmente ameaçaram chumbar o programa de financiamento!

No final foi aprovado o orçamento, com os votos contra de Polónia, Áustria, Malta, Eslováquia e Lituânia com algumas alterações ao texto inicial. No fundo está-se a atirar areia para os olhos das pessoas! Ao financiar-se a investigação em células estaminais apenas nos países onde tal é permitido, proibindo a criação de novas linhas celulares, está-se a privilegiar num dado momento aqueles cujos governos/populações que são mais "open minded" e a colocar um sinal de sentido proibido à frente dos outros, o que em termos futuros poderá significar uma dependência destes em relação aos primeiros em termos técnicos e de conhecimento na matéria! Em vez de se discutir o sim ou sopas às células estaminais, deveriam-se criar comités de acompanhamento mistos, com pessoas de vários sectores profissionais, para analizar as vantagens do projecto e se este respeitaria todos os preceitos éticos!

Cumprimentos

RC

quarta-feira, julho 19, 2006

Europa de Leste

Ola pessoal,

Neste momento encontro-me num internet cafe em Krakow, Polonia. A Europa de Leste tem-me surpreendido imenso. Os paises estao a desenvolver-se muito rapidamente e a qualidade de vida nas capitais e muito elevada. Bratislava e um sonho de cidade: a periferia ainda esta fortemente marcada pelo dominio e a austeridade sovietica, mas o centro esta em franco desenvolvimento. O mesmo se aplica a Krakow. E uma cidade moderna e dinamica. E ambas as cidades sao bastante limpas, quando se toma em consideracao o tamanho destas.

Os precos sao ridiculamente baixos. Ontem apanhamos um taxi que nos levou de uma ponta a outra da cidade e acabamos por pagar 10 zloty (mais ou menos 2 euros e meio). Na Noruega, o mesmo servico custaria pelo menos 50 zloty. Os restaurantes sao muito baratos, com 20 zloty consegue-se almocar (5 euros).

Os eslavos demonstram-se ainda um pouco timidos em relacao aos estrangeiros e a ideia de falar ingles. Muitos literalmente escondem-se e fogem dos estrangeiros. Em Krakow o cenario e ligeiramente diferente, muito por causa da enorme populacao de estudantes que estuda nesta cidade.

Ontem estive em Auschwitz e foi impressionante. A visao mais arrepiante foi uma sala onde nos foi apresentada uma vitrina de 15 metros de largura com 2 toneladas de cabelo humano em exposicao. Calcula-se que e o correspondente a 30000 pessoas - uma pequena cidade. Este cabelo foi cortado a mulheres e criancas mortas numa das camaras de gas apos a sua morte. Muitos dos visitantes sentiram-se desconfortaveis com esta visao, incluindo eu proprio. Numa das vitrinas vimos tambem fotografias de varios milhares de prisioneiros em exposicao. Todas as fotografias expostas correspondiam a pessoas que morreram no campo de Auschwitz. Em media, sobreviviam 3 a 4 meses depois da chegada. Foi impressionate ver fotografias de pessoas reais, mortas por um regime politico e uma ideologia racial.

Auschwitz-Birkenau e exactamente como no filme da Lista de Schindler. E grande (em 1944 acomodava 90 mil pessoas simultaneamente), desagradavel e depressivo.

Voltando para temas mais alegres, outra nota extremamente positiva em relacao a estas paragens orientais e a populacao feminina. Sempre considerei o prototipo sueco/dinamarques como a populacao mais atractiva, juntamente com largas faixas da Frisia, Holanda e Norte da Alemanha. Agora tenho de juntar a lista a faixa de populacao que vive na Eslovaquia, Republica Checa e sul da Polonia. As mulheres de Krakow sao absolutamente incriveis, para alem de serem simpaticas e afaveis. Ainda nao vi uma recepcionista de hotel em que tenho estado que nao tenha despertado em mim o desejo imediato de a convidar a mudar-se para Trondheim. As vezes tenho a impressao de qe estou numa versao 4 vezes mais barata da suecia quando ando na rua.

Amanha viajo em direccao a Gdansk (antiga Danzig) no norte da Polonia. Vou ficar no apartamento novo duma velha namorada de a 5 anos atras. E engracado a reaccao que se tem quando se reve paixoes antigas. Ja a muito tempo que nao pensava nela, mas depois de um telefonema a dois dias atras, dou comigo a vaguear nos meus pensamentos e memorias de vez em quando. Sinto-me um pouco nervoso por reve-la outra vez. Agora estamos ambos mais proximo dos 30 anos e mudamos imenso e estou expectante em relacao a pessoa que vou (re)encontrar amanha. Hoje comprei roupa nova e cortei o cabelo e ando de um lado para o outro na cidade com um nervoso miudinho, como se fosse a primeira vez que me encontro com ela.

Da Europa de Leste e tudo, para ja. Vienna foi tambem muito interessante, mas isso fica para outro post...

Abracos
Czeszc!
;-)
Paulo.

segunda-feira, julho 17, 2006

Breves reflexões

Terrorismo

Desta vez foi Bombaim, o centro financeiro da Índia, uma das maiores economias do Mundo. Mais de 200 pessoas morreram, bem mais que em Londres, há 1 ano. No entanto, como é longe do chamado mundo civilizado, a nossa comunicação social (e quando digo nossa refiro-me à Europeia, em geral) quase ignorou estes atentados. É mais importante o Cannavaro ter insultado a irmã de Zidane do que mostrar que a luta contra o terrorismo, contra a morte de pessoas inocentes, não está nem de perto nem de longe terminada!

Médio Oriente

Nunca fui defensor da causa Palestiniana. Pelos mais variados motivos. A Palestina, como estado e os Palestinos, como povo, são uma invenção recente. Não concordo com ataques a civis inocentes e foi este o alvo que a chamada causa Palestiniana sempre escolheu para tentar impor a sua vontade. Os Israelitas também não estão isentos de culpas nesta matérias! Após um movimento migratório que teve inicio no início do séc passado, movimento esse que atingiu o seu auge após a 2a guerra mundial, conseguiram formar um estado Judaico com o apoio das Nações Unidas e em especial dos países normalmente designados Ocidentais. Numa zona do globo considerada terra santa por 3 das principais (se não as principais) religiões do planeta, numa zona onde a religião Muçulmana é maioritária seria quase impossível não resultarem daqui tensões! Nestas últimas semanas, após vários anos de uma calma relativa, em que progressivamente Israel foi libertando territórios por si entretanto ocupados, como resposta à invasão de que foi alvo pelos países vizinhos, a guerra voltou! O rapto de um soldado Israelita foi o pretexto para a invasão da entretanto desocupada faixa de Gaza. O rapto de mais 2 soldados pelo movimento Xiita Hezbollah levou a uma invasão do Sul do Líbano e a bombardeamentos a Beirute, em especial ao aeroporto internacional! Jámais serei defensor do lema de "combate da violência com violência" e defendo portanto que estes actos Israelitas têm que ser condenados pelas Nações Unidas! No entanto, terão que ser realizados todos os esforços possíveis para desarmar o Hezbollah e limitar a acção do Hammas. Estes dois grupos terroristas são os instigadores da violência naquela região e havendo uma força das Nações Unidas presente permanentemente no Líbano, esta deveria realizar todos os esforços para impedir o crescimento deste grupo terrorista! E com estas tensões todas no médio oriente, e a crise na Coreia do Norte, lá está o petróleo a bater recordes, e em breve a inflacção a fazer-se sentir nos nossos bolsos!

Este texto de Tiago Barbosa no Kontratempos, mostra uma visão parecida com a que tenho. Para quem tiver paciência, aconselho a sua leitura e uma visita ao blog.

Caso Mateus vs CalcioCaos

Em pouco mais de 4 meses a justiça Italiana condenou 4 dos maiores clubes Italianos num processo complexo de fabricação de resultados. 3 desceram de divisão e iniciam o próximo campeonato com pontuação negativa. A Juventus (o maior clube Italiano) perdeu os 2 últimos títulos (2005 e 2006). Em Portugal, a AAC denunciou em Março a utilização irregular do jogador Mateus por parte do Gil Vicente, no jogo que opos as duas equipas, e ainda se anda a discutir quem é que há-de decidir o quê! O clube de Barcelos, recorreu aos tribunais civis, o que é ilegal segundo as normas internacionais, e implica uma descida de divisão! Esta liga é uma palhaçada e a nossa justiça é tão burocrática que é impossível um processo como o do Apito Dourado, ter sucesso! Talvez não fosse má ideia, numa altura em que tanto se fala numa reforma da justiça, tentar copiar os bons exemplos que alguns países nos dão. O problema é que isto irá contra muitos interesses instalados...

Pedra Filosofal

Afinal a demanda pela pedra filosofal, aquela que transformaria em ouro qualquer metal inferior ao ouro em que tocasse, poderia ter alguma razão de ser! Na edição desta semana da revista científica Science um grupo de cientistas Australianos argumenta ter descoberto uma bactéria capaz de transformar metais tóxicos em grãos de ouro. Se esta descoberta se confirmar, vai haver uma corrida para tentar descobrir uma forma de a utilizar industrialmente para a produção de ouro. E se isto se verificar, há muita gente que vai perder dinheiro, pois o valor do ouro irá desvalorizar imenso!

Cumprimentos

RC

sexta-feira, julho 07, 2006

Nas rotas do extinto império austro-húngaro

Amanhã viajo para Viena com o fim de participar no Congresso Anual Europeu de Neurociências organizado pela FENS. Depois do congresso pretendo viajar com alguns colegas de trabalho na Europa Central e de Leste. No menu estão cidades como Viena, Bratislava, Budapeste, talvez Munique, talvez Cracóvia, e depois rumo ao norte através do tradicional roteiro do norte (Berlim, Copenhaga, Gotemburgo, Oslo). Deste modo, estarei provavelmente ausente (ou então escreverei entusiasticamente, mas infrequentemente e a espasmos) deste blog furante umas duas semanas. Prometo voltar com inspiracão redobrada e talvez alguns apontamentos de viagem.

Abraco
;-)
Paulo.

quarta-feira, julho 05, 2006

Trondheim



Pegando no desafio do Virgílio e evitando o tema habitual do futebol destes últimos tempos, vou-vos descrever a cidade na qual vivo à quatro anos: Trondheim.

Trondheim, ao que parece, não é assim tão diferente do ambiente que o Virgílio tem descrito acerca do Canadá. Tem uma populacão de 150 mil habitantes mas um raio urbano oficial de 13 km, dando-lhe uma densidade populacional baixíssima, à boa moda escandinava. Existem muitos espacos verdes e zonas vazias dentro da cidade. Não existem arranha-céus e é raro o edifício com mais do que 3 andares, mesmo no centro. É uma cidade universitária, com a NTNU, a mais prestigiada universidade técnica na Escandinávia, com cerca de 25 mil estudantes. Um sexto dos habitantes desta cidade são estudantes razão pela qual a demografia da cidade tem um pico no sector etário entre os 20 e os 30 anos de idade. Em Julho encontra-se a cidade quase deserta, quer pelas férias dos estudantesm quer pela romaria dos locais em direccão a temperaturas mais amenas no sul. O inglês torna-se língua oficiosa na cidade durante este mês, fruto da invasão em massa de turistas abastados americanos, japoneses e espanhóis que para aqui vêm nos seus cruzeiros.

Falando do clima, pode-se considerar como tropical quando consideramos a latitude a que esta cidade se encontra. Felizmente é uma cidade costeira protegida pelo fjord mais largo da Noruega e banhada pela corrente do Golfo, o que proporciona invernos relativamente suaves e verões amenos de 20 a 30 graus centígrados em alguns dias. No Inverno já experienciei teperaturas na ordem dos -25, mas a temperatura média fica-se pelos -5. Se tracarmos uma linha de latitude por cima da cidade, verificamos que se encontra à mesma latitude que Reykyavique na Islândia, o norte do Alasca e Canadá e a Sibéria, tudo locais onde a temperatura pode descer facilmente a uns desagradáveis -50 no Inverno. É preciso descer uns 600 km em latitude para estar ao mesmo nível de Oslo, Estocolmo e Helsíquia (1000 para Copenhaga).

A cidade celebrou o seu primeiro milénio em 1997. Foi fundada pelo rei viking Olav Trygvasson e é a capital da zona central da Noruega, chamada Trøndelag. Quando foi fundada chamava-se Nidaros, por se encontrar nas margens do rio Nidelva. A cidade atingiu um estatuto especial em 1030, quando enterraram o rei-santo Olav den Hellige um ano depois da batalha de Stiklestad, e a cidade tornou-se alvo de peregrinacão e capital do reino durante mais de 300 anos. Ainda hoje são coroados os reis da Noruega na bela catedral de Nidaros, que domina imponente o horizonte da cidade.

Os locais falam um dialecto especial (trondersk) que é apontado pelos noruegueses de outras zonas como bastante cru, uma linguagem de camponeses e pescadores. Muitos chamam à cidade bygdahovedstaden(a capital das aldeias) por causa do seu ambiente calmo no centro. É frequente não se ver quase ninguém na rua durante as noites de inverno. No verão dominam as bancas de venda de morangos e frutos silvestres na Torg, a praca central de Trondheim.

A cidade é rodeada por várias cadeias de pequenas montanhas (500 a 700 metros de altitude) cobertas de florestas coníferas. A paisagem é impressionante. As zonas de Bymarka e Estenstadsmarka flanqueiam a cidade a oeste e este, respectivamente, e é frequente encontrarem-se milhares de noruegueses a passear nestas florestas durante os fins-de-semana. No inverno pratica-se esqui de fundo (langrenn) e o snowboard tem-se tornado cada vez mais popular na montanha de Vassfjellet a meros 25 km a sul da cidade. No verão destaca-se a vela e a orientacão como desportos dominantes.


Para visitar, a cidade é cara e pode-se ver tudo o que há para ver num único dia. O que impressiona na cidade não é a sua vida cultural ou o ambiente urbano. O que é marcante é a moldura natural em que se insere: as montanhas, as florestas, os lagos e o fjord. Isto não quer dizer que não haja vida cultural: existe uma abundante escolha de grupos e gostos musicais, uma orquestra sinfónica profissional, um teatro estatal e vários grupos independentes, um par de museus e galerias, e um largo leque de actividades desportivas à disposicão no clube da universidade, o NTNUI. Em Trondheim toda a gente apoia o clube local de futebol, o Rosenborg, que joga em casa no Lerkendal, a um mero par de quilómetros do centro.

Se um dia quiserem ver tudo isto pelos vossos olhos, mandem-me um email.

:-)
Paulo.

terça-feira, julho 04, 2006

Feijões, morangos, tomates, batatas e afins

Quando para estes lado o sol brilha alto (mas não muito) e quente (bastante) as minhas palavras parecem evaporar e as ideias parece que faltam depois de um fim de semana prolongado que acaba hoje.
Pois então, depois de o Ricardo ter abordado temas tão proeminentes na nossa sociedade, resta-me mudar um bocado a agulha e falar-vos do meu quintal!
Pois é, no meio da cidade, mesmo onde toda a vida nocturna e diurna se centra, moro eu numa casinha acolhedora que tem atrás uma leirinha de terra bem fértil onde qualquer semente germina e brota numa planta mágnifica. A leira não é grande e a maneira de cultivar dos canadianos é típica de quem tem tanto espaço que acaba por fazer tudo de uma forma desorganizada (tal como os quartos deles e as casas deles, mas ao contrário das cidades que parecem traçadas a régua e esquadro). Mas temos o suficiente para termos várias espécies de tomates, pepinos, cenouras, alfaces, morangos, abóbora, amoras e morangos. Ah! Esquecia-me de mencionar os espinafres, o feijão e as ervilhas!
Uma das coisas que gosto nesta cidade são os paradoxos! Têm uma baixa da cidade que é mais morta que um estádio de futebol num dia em que não há jogo. É uma cidade baseada no petróleo e no gás natural, mas o ar é puro. É uma cidade mas mesmo no meio encontram-se estes quintais, uns maiores, outros mais pequenos, uns mais variados, outros mais monótonos. Mas a beleza de morar mesmo no centro da cidade e ter um quintal que permite fazer um belo molho de tomate apenas com coisas do nosso quintal, sem pesticidas ou outros tratamentos... impagável!
E como são as vossas cidades?
Para a semana estarei de regresso à Europa, mas vou passar uns dias a Londres e arredores para ver como são as coisas. De certeza que terei histórias para contar.
Abraço,
Virgilio

segunda-feira, julho 03, 2006

Falemos de...tudo menos bola!!!

Bem, estou farto de escrever sobre o Mundial. E de certeza que está tudo farto de ler notícias sobre as lágrimas do Ronaldo, a baliza do Ricardo que encolheu, as promessas de Scolari a nossa sra do Caravagio, etc!

Há dois assuntos que têm estado na ordem do dia nos últimos meses, mas aos quais muitos pouca ou nenhuma importância se deu! O 1º é do referendo que teve lugar no dia 21 de Maio na provincia Sérbia do Montenegro e que resultou na separação deste da Sérbia e da formação de um novo país na velhinha Europa. O 2º tema será o (velhinho) referendo a favor da interrupção voluntária da gravidez!


O Montenegro é o mais recente país do Velho Continente.Trata-se de um pequeno país, com apenas 14000 km2 e pouco mais de 600.000 habitantes residentes no país. Desde 1992, fruto da guerra do Balcãs, que o Montenegro e a Sérvia formavam um único país. No mês passado foi realizado um referendo que ditou o fim desta União e o nascimento de dois novos países a Sérvia e o Montenegro (o parlamento Sérvio foi mais rápido que o Montenegrino a decretar as novas fronteiras do país, como tal, o Montenegro é mesmo o país mais jovem!). O referendo foi seguido de perto pela UE e pela ONU. Era necessário que mais de 55% dos eleitores votassem a favor da independência para que o escrutínio fosse considerado válido. Tal, de facto, aconteceu, por uma pequena margem! Mas será que este referendo reflectiu de facto a vontade todos os Montenegrinos!? Um observador mais desatento, dirá que sim. Mas se analisarmos alguns factos com atenção iremos chegar a outra conclusão. Antes de mais, o Montenegro é a colónia de férias dos Sérvios, do género do nosso Algarve, com a diferença de ser a única costa que a Sérvia tinha! É um país importador, nem de perto nem de longe auto-suficiente, que dependerá do turismo e da ajuda do FMI para sobreviver! Um Montenegrino que quisesse estudar, por norma fazia-o na Sérvia, afinal era o mesmo país, e, pelo menos em Belgrado, a Universidade tem fama e qualidade. Para além disso, como em quase todos os países da Europa de leste, existiu uma grande diáspora para o resto da Europa em busca de melhores empregos e salários durante as duas últimas décadas! A estes que, sendo Montenegrinos de nascença, não residiam no país, foi vetado o direito a pronunciar-se no referendo de Maio! Facto ainda mais curioso é o estudante Montenegrino que de um momento para o outro passa quase a ser "apátrida", um bocado ao jeito do filme "Terminal". Considero eu então que este referendo não manifestou em nada a vontade de um povo, mas sim de uma facção desse povo, mais tradicionalista e conservadora! As regras deste referendo foram orquestradas por aqueles que, sedentos de poder, depressa perceberam que, aceitando os votos de toda a população, jamais alcançariam os seus intentos! E assim se faz um país, se confirmam umas fronteiras que jamais existiram e se criam mais uns quantos tachos para os iluminados do costume! Tudo sob o olhar "desatento" e condordante da UE e da ONU!

Passando para a questão da interrupção voluntária da gravidez, parece que vamos voltar a ter um novo referendo! Quem me conhece sabe bem a minha opinião sobre o assunto. Sou contra o aborto, mas não posso admitir que mulheres morram ou sofram graves complicações de saúde por não terem capacidade económica para se deslocarem a um país estrangeiro onde tal prática seja legal! Caso fosse legal, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) teria obrigatoriamente que colocar ao dispor do cidadão para além de médicos especialistas, psicólogos que ajudariam a pessoa a recuperar de uma experiência que será deveras traumática. Não acredito que alguém aborte por prazer, nem que o use como método contraceptivo! Mas voltando à questão do referendo, considero um desperdício de recursos, num país que atravessa uma grave crise económica, realizar-se um referendo sobre esta matéria! Temos um parlamento eleito democraticamente, com representantes das mais variadas regiões do país, como tal deveriam ser os Srs deputados a tomar esta decisão! E não só por questões financeiras! São eles quem estão melhor informados, no final terá que ser pelo parlamento que terá que passar a decisão formal! Este referendo é apenas uma forma de atirar a batata quente para o povo,do género decidam vocês que eu não tenho coragem para arcar com as consequências de uma decisão destas! O que irá acontecer mais uma vez é que, a participação vai ficar aquém dos 50% dos eleitores, os eleitores com mais baixos níveis de escolaridade e que não percebem que o que está em causa não é mandar as mulheres abortarem, mas dar-lhes o direito de o fazerem em condições dignas, vão-se abster. Os que são contra vão-se mobilizar e mais uma vez o "não" irá vencer! E porque é que eu penso desta forma? Porque quando se realizou o outro referendo, perguntei aos meus avós se não iam votar e a resposta deles foi que -Não! E eu perguntei porquê? E a resposta foi qualquer coisa do género: - Não acho que tenha que ser eu a decidir isso. Devo realçar que a freguesia onde os meus avós residem foi aquela que registou os mais altos índices de abstenção nesse referendo e em todas as consultas populares realizadas no país no pós-25 de Abril! E como os meus avós de certeza que há muitas pessoas!

Por isso, senhores políticos, tenham coragem. Peguem o boi pelos cornos e acabem com este circo mediático que agora vai voltar a acontecer! Até Janeiro nem quero pensar nos debates e nos confrontos ideológicos a que vamos assistir! Os vips da direita com T-shirts a dizer "sim à vida" contra os arruaceiros da esquerda a dizer "sim ao aborto", como se fosse isso que está em causa! Eu digo, sim à interrupção voluntária da gravidez, acabe-se com o negócio sujo do aborto clandestino e dê-se às mulheres o apoio e acompanhamento necessários!

Sem mais.

RC

quarta-feira, junho 28, 2006

Ganhar a todo o custo.

Portugal lá ganhou contra a Holanda. Mas de que maneira?

Custa-me a acreditar nas palavras de Scolari queando diz que esta seleccão é a que mais dignifica Portugal no estrangeiro. Jesus!!! Se ele estivesse no estrangeiro, talvez não diria isto.
Na Suécia o jogo foi carimbado na imprensa como "skandalmatchen" (jogo-escândalo). O maior jornal norueguês, VG, classificou o jogo como "VM i tullball" ("Campeonato do Mundo em palhacada com bola"). E por aí adiante. Um jornal norueguês classificou o estilo de jogo da seleccão portuguesa como o "futebol mais feio deste mundial". Durante o jogo ouvi um comentador da TV2 norueguesa repetir várias vezes "este é sem dúvida alguma o pior jogo deste Campeonato do Mundo". Portugal demonstra uma atitude em campo que em nada dignifica a imagem do país no estrangeiro. Na Noruega quando se assiste a um jogo em que jogadores portugueses estão envolvidos, cada vez que um jogador cai ao chão, o comentário "é só teatro" tornou-se vulgar. Ninguém acredita nas contorcões e esgares dos jogadores portugueses caídos no relvado, mesmo quando estes são reais, o que acredito que na maior parte dos casos assim o foi neste jogo.

É verdade que a atitude da Holanda e a falta de firmeza do árbitro causaram e contribuiram para o que se viu no domingo à noite. Mas os cartões vermelhos do Costinha e do Deco foram infantis e completamente desnecessários. A cabecada do Figo podia ter consequências muito pesadas para a equipa. Um árbitro a sério teria dado um cartão vermelho directo. O amarelo ao Ricardo por queimar tempo é merecido.

O jogo de domingo lembrou-me (infelizmente) de um outro jogo à quatro anos atrás, contra a Coreia. Parecia uma fotocópia do mesmo. A seleccão teima em perder a cabeca nos momentos-chave. A seleccão acaba por perder nas grandes competicões, não por falta de qualidade desportiva, mas sim por perder a cabeca com facilidade. Se a equipa estivesse na mó de baixo como à 4 anos atrás, esperar-se-ia novamente umas centenas de adeptos furiosos à espera no aeroporto (que cenas vergonhosas por parte dos adeptos à 4 anos), mas como ganhou, sai toda a gente para a rua para festejar.

Eu não estive no campo como o Riacrdo deste blog e não sei qual é que foi o ambiente no estádio e nas ruas de Nuremberga depois do jogo, embora pelo que vi na televisão parece-me que os holandeses não estavam assim tão desiludidos com o resultado. Pesa-me é saber que este jogo bateu o record de cartões num jogo da fase final de um Campeonato do Mundo. Portugal fica com uma reputacão pouco positiva: lembre-se o jogo Portugal-Turquia nos quartos-de-final do europeu de 2000, a meia-final do mesmo contra a Franca na mesma competicão, o famoso Portugal-Coreia em 2002 e por aí adiante. Esta série de jogos parece, aos olhos de um outsider, ser coincidência a mais. Interrogo-me se os treinadores das outras equipas já equacionam no planemento dos jogos contra Portugal factores para fazer a nossa seleccão perder a cabeca. Porque parece tão fácil!

Quanto à parcialidade ou imparcialidade da imprensa estrangeira, lembro-me da reaccão dos ingleses depois da derrota 3-2 dos mesmos contra Portugal no Europeu de 2000. Ou a dos alemães no mesmo campeonato. A seleccão foi aplaudida de pé pelos adversários depois da derrota. É possível ganhar de uma forma que faz com que os adversários reconhecam que Portugal foi melhor que eles e que colhe unanimidade de opiniões no estrangeiro. Com esta mesma seleccão.

Espero que o jogo contra a Inglaterra corra melhor (ou que se veja mais futebol).

Boa sorte, seleccão
:-)

P.S.: Não tenho tempo nem (mais) paciência para me defender em relacão a possíveis comentários negativos que porventura poderão surgir como resultado deste post. Por ter escrito algo semelhante na edicão digital do Record e do Público no dia a seguir ao jogo recebi um par de emails muito azedos e uns comentários pouco abonatórios numa rádio portuguesa. Quem discorda, esteja à vontade para o escrever, mas não espere resposta. Sou a favor da seleccão, mas não perco a imparcialidade por causa da seleccão. Para além disso, os comentários que descrevo por parte da imprensa estrangeira são factos, não opiniões pessoais.

segunda-feira, junho 26, 2006

"Nós só queremos sumo de laranja, sumo de laranja, sumo de laranja..."

O jogo de ontem, foi dos mais emotivos a que já assisti! Foi impróprio para cardíacos. Alguns adeptos sentiram-se mal e tiveram mesmo que abandonar as bancadas antes do apito final! No entanto, os que resistiram, continuaram a festa nas bancadas muito para lá do apito final!

Infelizmente, o principal responsável por todo o apoio que veio das bancadas, foi um senhor Russo, que esteve em campo a distribuir cartões! A associar a isto, a falta de fair-play dos Holandeses, incendiou os ânimos e tivessem havido mais problemas dentro de campo e o espectáculo fora de campo poderia ter-se estragado, já que no meio da nossa claque estavam Holandeses infiltrados, que, há boa maneira de quem se acha o maior, decidiu provocar a malta! Lá alguém os mandou acalmar e todos se viraram de novo para o jogo e para o apoio à equipa.

É triste ler na imprensa do norte da Europa, ataques à selecção portuguesa, quando aos 7 minutos de jogo, Ronaldo foi enviado para o estaleiro, por aquele que tinha sido encarregue de o fazer! É curioso que precisamente neste jogo, Van Basten, tenha adaptado um central a lateral, para cobrir Ronaldo e que, das duas primeiras vezes que toca na bola, sofra duas entradas duríssimas! Triste a falta de fair play demonstrada pelos holandeses, quando o árbitro parou uma jogada em que Deco se isolou (não sei se tal foi visível na TV, mas Deco tinha ultrapassado o último dos defesas Holandeses quando o árbitro apitou para que fosse prestada assistência a Ricardo Carvalho) e na reposição de bola em jogo não devolveram a bola! Obviamente que a reacção de Deco foi estúpida, e podia-lhe ter custado logo ali o vermelho, que viu minutos depois. A coragem que o árbitro não teve (talvez desorientado pela falta de fair play dos holandeses) então, compensou,estupidamente, alguns minutos mais tarde! Num lance normalíssimo de futebol, Deco agarra a bola após ter sofrido uma falta que foi assinalada ao contrário e é atirado para o chão por um Holandês. Resultado, 2º amarelo para Deco e um sorriso de orelha a orelha do Holandês! Já nos jornais Alemães e do sul da Europa, os comentários são mais isentos, falando-se de tudo o que de mau aconteceu, dos erros de um e do outro lado. Elucidativo do tão má que foi a arbitragem foi Joseph Blatter, que por norma atira a responsabilidade do que acontece dentro de campo para as atitudes dos jogadores, ter afirmado "Este jogo foi um cartão amarelo para a arbitragem"! Elucidativo não!?

De futebol, tivemos uma primeira parte emotiva, com a Holanda a dominar durante 15 min e Portugal a marcar aos 25 e a fechar a primeira parte quase a matar o jogo com uma grande jogada finalisada por Pauleta e defendida por instinto por Van der Sar! Na 2ª parte,para além das contantes interrupções, houve tempo para uma bola no ferro da nossa baliza e uma saida de Ricardo já perto do final, a evitar o empate. Do nosso lado, Miguel teve nos pés, por duas vezes, a hipótese do 2o golo: na primeira Van der Sar defendeu, na segunda centrou para Simão que chegou atrasado. De livre Simão também esteve perto de marcar.

Ontem os jogadores "comeram a relva" para segurar a vantagem obtida por Maniche ainda na 1ª parte. Ricardo Carvalho foi enorme naquela defesa. Simão, Deco, Miguel e Figo correram Km na frente. Scolari formou um grupo que, nos piores momentos, parece encontrar energias para se socorrer mutuamente, algo que até hoje nunca tinha visto na selecção principal! A comunhão entre os jogadores e os adeptos é enorme, o que foi visível na forma como os jogadores agradeceram o apoio do público no final do jogo!

Agora vêm aí os Ingleses! A equipa que, parafraseando um colega, "me dá mais gosto vencer", não só pela vitória, mas por causa da arrogância Inglesa, que nos menospreza sempre. É sempre lindo dar uma vista de olhos aos jornais Ingleses depois de uma vitória nossa! O ressabiamento é visível! Esperemos que no Domingo tal aconteça! Quanto a mim, já me dou por satisfeito com esta prestação! Estamos entre as 8 melhores selecções do mundo e somos vice-campeões Europeus! Se algo vier por acréscimo melhor! Se não, paciência! Em Setembro começa a qualificação para o Europeu de 2008 com um jogo em Helsínquia e eu espero lá estar.

Cumprimentos,

RC

ps: Se alguém tiver visto esta estranha figura nos ecrãs da SIC com a mesma cabeleira que usei no jogo anterior, era o palhaço do costume;)

quarta-feira, junho 21, 2006

A nossa Seleccão.



Mais uma vitória consecutiva para a seleccão nacional. A equipa tem teimado em bater recordes: 10 vitórias consecutivas em fases finais do campeonato do mundo para o Felipão, 10 vitórias em fases finais para Portugal, 15 jogos oficiais consecutivos sem perder (12 vitórias e 3 empates), etc, etc, etc. Mas agora vêem os pesos pesados: ou apanha-se a Holanda ou a Argentina. Qual deles o pior!

Com a Holanda manda a tradicão que Portugal passe os oitavos-de-final. A íltima vez que as duas equipas se defrontaram foi no Campeonato Europeu de 2002 na meia-final, no qual Portugal afastou a Holanda com claros 2-1, dos quais se destaca o golaco de canto do Maniche. Maniche é um dos meus jogadores favoritos nesta seleccão - tem forca, garra, espírito competitivo e nunca baixa os bracos. Faz lembrar o quase retirado Sérgio Conceicão nos seus melhores tempos, quando goleava sozinho a Alemanha por 3-0. Portugal foi também feliz na fase de qualificacão antecedente ao mundial de 2002, quando eliminou a Holanda depois de uma vitória inesperada em Roterdão por 2-0 e um empate arrancado a ferros no ultimo minuto no Porto por 2-2. Nesse jogo ganhava a Holanda 2-0 por altura do intervalo, e foi gracas a um milagre de Pauleta ao minuto 86' e a um penalty convertido por Luís Figo em cima do apito final que se deu a reviravolta que acabaria por levar a que a Holanda não viajasse para o extremo oriente nesse ano. Estatísticamente, em 9 jogos disputados com a Holanda, Portugal só perdeu uma única vez, na distante fase de apuramento para o Campeonato da Europa de 1992, quando estrelas como Ruud Gullit e Rijkaard faziam parte da equipa.

Com a Argentina, nunca jogamos. E também não é este ano que quero ver as duas equipas defrontarem-se, com a possível excepcão da final. A Argentina parece-me muito mais eficaz que o supra-venerado Brasil. Joga rápido, bonito e concretizador.

Por curiosidade, também consultei com quem jogará Portugal nos quartos-de-final, caso Portugal passe. Seguindo a lógica sempre difícil das previsões futebolísticas, poderá cair-nos no caminho o já tradicional adversário britânico. Portugal também tem boas tradicões com os ingleses: das últimas duas vezes que se defrontaram em fases finais, venceu Portugal sempre. A primeira foi a histórica vitória por 3-2 no grupo da morte do Campeonato Europeu de 2000, onde Figo, João Pinto e Nuno Gomes derrubaram o gigante britânico no jogo de abertura, isto depois de dois escandalosos golos sofridos pelo lendário Vitor Baía nos primeiros 8 minutos de jogo. O golo que iniciou a reviravolta- valente tiraco de meio-campo de Figo - valeu-lhe o prémio de golo do torneio e uma fama internacional incomparável nessa altura. Da última ves que se defrontaram, o cenário era agora português e disputava-se o campeonato da Europa novamente. Nos quartos-de-final jogaram Portugal e Inglaterra um jogo muito sofrido em que o primeiro golo veio dos pés de Owen quando estavam volvidos apenas alguns momentos da partida. Hélder Postiga repôs a igualdade aos 83' e depois de uma emocionante meia-hora de jogo onde Rui Costa marca um golaco e Lampard equaliza a meros 5' do final, lá venceu Portugal numa série de penalties memorável, quanto mais não seja pela facanha de Ricardo. Mas muito antes disso, outro jogo de boa memória foi a vitória contra a Inglaterra na abertura do Campeonato do Mundo de 1986 no México. Carlos Manuel repetiu a facanha de marcar contra um gigante: foi com um golo de fora de área que se passou a Alemanha na fase da qualificacão e foi com outro golo do mesmo que se tombou a Inglaterra. Infelizmente a campanha quase que acabou por aí, depois de um infeliz momento de Bento (que parte o braco num treino) e das derrotas inesperadas contra a Polónia(1-0) e os insuspeitados Marrocos (3-1). Um dos jogos mais recordados pelas geracões mais velhas foi o Inglaterra-Portugal no Campeonato do Mundo de 1966, onde Eusébio e Bobby Charlton brilharam e marcaram a sua presenca na memória colectiva de todo e qualquer adepto de futebol que se preze. Nessa altura perdeu Portugal 2-1 em Londres contra os futuros vencedores da prova (Inglaterra venceu no prolongamento a Alemanha por 4-2). Portugal chegaria então ao pódio gracas a uma vitória por 3-1 contra a União Soviética.

De qualquer das formas, se Portugal abater estes dois gigantes pelo caminho, ainda estico um passo mais a minha matemática e parece-me que nas meias-finais apanha-se o Brasil (contando que este elimina todos pelo caminho). E aí desisto das minhas previsões. Se Portugal ganha, ganha praticamente o Mundial. Se ficasse por aí, já teria muita coisa boa para recordar daqui a uns anos. Como o que fiz agora neste post...


Forca Portugal!
;-)
Paulo.

P.S.: Uma última note de rodapé: aqui na Noruega iniciei um blog em norueguês sobre a nossa seleccão. A princípio tinha poucos vistantes (uns 50 a 80 por dia), mas ultimamente, muito por gracas de algumas estratégias inteligentes de marketing e aos trinufos consecutivos do Scolari e Coa. hoje atingi a bela marca das 500 visitas diárias ( e ainda são 8:30 da noite!) e citacões no jornal diário de maior tiragem na Noruega, o Verdens Gang (VG). Neste blog distribuo informacões e comentários do género deste que escrevi agora de forma a informar os vikings acerca das sagas da Nossa Seleccão. Para os mais curiosos, aqui vai o link: www.vgb.no/10569/.

terça-feira, junho 20, 2006

Tributo ao último grande herói

Já há algum tempo decido homenagear os meus pais por tudo o que fizeram por mim. Hoje as razões que me fazem voltar a este tipo de homenagem são muito mais tristes mas tão nobres quanto antes.
Ontem o meu avô, o unico avô que conheci e o último dos meus avós, morreu!
As pessoas perguntavam que idade tinha e eu não sei responder. Pouco me interessa a idade. Era meu avô e isso é tudo quanto interessa.
Geralmente quando as pessoas morrem todos dizem quão bom homem ou mulher era e o cenário pintado parece o de outra pessoa.
Não, não vou fazer isso. O meu avô era um homem cheio de defeitos, muitas vezes injusto, e tinha um feitio que nem vos digo. Mas era o meu avô, é e será sempre o meu avô.
Lembro-me que passei a minha infância e parte da minha juventude com um medo terrivel dele. Mas à medida que fui crescendo acabei por me aproximar dele e nunca esquecerei o dia em que a mulher dele morreu (a minha avó) e ninguem sabia dele. Fui encontrá-lo no sitio menos provável - em casa - na cama a chorar. Conversámos durante um tempo (não sei se foram meia dúzia de minutos ou meia dúzia de horas) e vi o meu avó como um homem como eu, com um coração mole, com sentimentos.
Nunca esquecerei o dia em que fui podar com ele num sábado de manhã.
As memórias que me põem um sorriso nos lábios estão cá todas mas tenho pena de não me lembrar da última vez que o vi.
Por vezes, para um agnóstico, gosto de acreditar que há um céu e que neste momento o meu avô, a minha avó e os dois filhos deles que já morreram estão algures, novamente juntos, e um dia eu vou lá estar também.
Nunca soube perceber muito bem porquê, mas sempre achei que todas as pessoas têm algo de bom dentro delas. Acreditei nisso e com todos os defeitos fui capaz de o ver dentro dele.
Talvez vocês também tenham avós com feitios tramados, mas lembrem-se que para o bem e para o mal são vossos avós, com defeitos, mas lembrem-se das virtudes e da próxima vez que os virem, lembrem-se dessas virtudes e sorriam. Eles gostam de nos ver sorrir!
Abraço,
Virgilio

segunda-feira, junho 19, 2006

Falemos de ciência!

Nanog, poderia ser o nome de um qualquer personagem do Caminho das Estrelas, no entanto, trata-se de um simples gene, que um investigador Português a realizar o seu projecto de doutoramento em Edimburgo, na Escócia, descobriu estar envolvido no processo de desdiferenciação celular. Ou, trocando por miúdos, fazer com que uma célula madura, readquira características de uma célula juvenil!

Este trabalho foi publicado na revista Nature de quinta feira passada. Não fosse o facto de ter tido honras de abertura de, pelo menos, três espaços de informação na Antena 1 (não tive oportunidade de ver televisão nesse dia para verificar se teria sido também referido na caixinha mágica) e este teria sido mais um bom trabalho publicado por um jovem cientista português que passaria ao lado do cidadão comum! A reportagem da Antena 1 estava simples, sendo fácil qualquer pessoa, sem as mínimas bases científicas compreender a importância deste estudo que, embora não esteja terminado,abre desde já bastantes possibilidades no sentido de se obter uma via eticamente aceitável para a obtenção de células estaminais.

Já discutimos neste espaço por mais que uma vez, a necessidade de fazer com que a importância da ciência chegue à sociedade civil! A divulgação destes trabalhos é sem sombra de dúvida importante. Mas será que não seria também importante realizar reportagens ácerca dos grandes cérebros que nos últimos anos tiveram que abandonar o país por não haver financiamento/condições de trabalho a um nível exigível para continuarem o trabalho que agora outras universidades estão a aproveitar!

Com tantas entrevistas e programas a retratar o estado do país, tantos prós e contras, será que não haveria um espacinho para divulgação da ciência que se faz no país e que cidadãos nacionais fazem, e bem, por esse mundo fora?

Fica a sugestão,

Cumprimentos,

RC

domingo, junho 18, 2006

Viva Portugal!

Há muito tempo que esperava com grande ansiedade pelo arranque do Mundial! É uma vez em cada quatro anos! Um mesinho que, se eu pudesse escolher, tirava de férias e ia passar onde estivesse a festa do futebol. Quem me conhece sabe quanto eu vibro com o maior espectáculo do Mundo (deixem-me chamar-lhe isto, a expressão "desporto-rei" não me parece suficientemente eloquente).
Correspondendo à minha (e de muitos outros) enorme expectativa, o Mundial lá começou em grande, com belíssimos golos a adornar o espectáculo no jogo de abertura e a renovada esperança de que este campeonato fosse digno do nome "Mundial" - coisa que a edição de 2002 não foi...
Mas o momento mais aguardado era sem dúvida o Portugal-Angola! A estreia da nossa Selecção! A ansiedade era tanta que nem consegui acordar tarde... O jogo era só ao fim do dia de Domingo mas logo às 10 da manhã já tinha a camisola da selecção vestida com muito orgulho... Com o aproximar da hora do jogo lá apareceu aquele nervoso miudinho que também se sente quando se entra em campo e se sabe a responsabilidade que recai sobre nós. O jogo correu bem e ganhámos, que era o mais importante!
Serve este pequeno flash-back para contextualizar um pouco o dia de hoje, dia do jogo contra o Irão. Não o esperei com a mesma ansiedade do jogo contra Angola. Foi mais um jogo, mais três pontos, mais uma vitória... normal! Para mim assim foi. Uma exibição personalizada, uma vitória incontestada. Sem grandes euforias antes ou depois do encontro. Noutras alturas talvez tivesse sido festejada esta vitória de outra forma, mas neste momento em particular pareceu-me muito normal. Normal demais! Portugal passou aos oitavos de final com toda a naturalidade do mundo. É verdade que o nosso grupo era acessível, mas o de 2002 também era e a todos sabemos como acabou a história.
Apercebi-me que esta normalidade com que encarei a nossa qualificação não é tão normal assim! A cobertura jornalística da nossa campanha pela Alemanha alertou-me para um facto que, apesar de eu ter conhecimento dele, na realidade nunca tinha lido dessa forma: pela primeira vez, desde o tempo do Eusébio, qualificámo-nos para além da primeira fase do Mundial. Em 1986 e em 2002 chegámos às fases finais do México e da Coreia/Japão, mas as prestações desastrosas acabaram por redundar em dois enormes fracassos!
Agora falta ganharmos ao México e ajudar Angola a qualificar-se também para os oitavos. E acredito perfeitamente nesta possibilidade! Espero que Angola consiga ganhar o seu jogo, porque da maneira que Portugal está a jogar, aquele México vai mesmo ficar pelo caminho! Estamos a jogar muito! O jogo com o Irão, apesar de não ter sido uma exibição entusiasmante como me recordo do Euro2000, foi uma demonstração enorme de classe! O golo podia surgir a qualquer momento, tal o domínio de jogo apresentado do princípio ao fim! Espero que continuemos assim!
Há muita gente que ridiculariza a dimensão que em Portugal se dá ao fenómeno "futebol" - ou que algumas pessoas catalogadas como "narrow minded" dão - mas eu sou um desses que adoro a Selecção! Não estou a falar do campeonato dos Benficas e dos Gil Vicentes. É da Selecção! É a equipa do meu país e eu tenho orgulho naquela equipa! Mesmo que percam os próximos jogos todos, vão sempre ter o meu apoio! É que se nós somos um país pequeno e que em muitas coisas anda "na cauda da Europa", quando se fala de futebol, lutamos de igual para igual com qualquer país do Mundo! Não quero saber se é a Argentina ou a Holanda que vem a seguir - eles que se preocupem em evitar Portugal!

quarta-feira, junho 14, 2006

Multitasking!

Quando eu era pequeno, tanto em tamanho corporal como de cabeca, era costume dominical eu e o meu pai ir-mos dar um passeio pela cidade. Como primeira paragem, costumávamos visitar a banca de jornais local e o meu pai perguntava-me sempre se eu queria levar alguma revista de banda-desenhada para casa. A tradicão estava tão enraizada que hoje em dia quase apenas me recordo das duas únicas vezes em que tal não aconteceu. O meu problema era (e ainda é) o tempo que demorava a tomar a decisão. Qual é que hei-de levar hoje? Uma simples escolha chegava a demorar largos minutos. Frequentemente impacientava-se o meu pai e, depois de muita insistência e muita e longa reflexão, lá escolhia uma das revistas em exposicão. Várias vezes me interrogou o meu pai o porquê de tanta demora. A resposta foi sempre a mesma: independentemente de quão muito atractiva me parece a revista que escolhi, fico sempre com a angústia de não saber o que estaria nas outras que não escolhi. E com a seguinte e sábia sentenca rematava o meu pai a conversa: não se pode ter tudo na vida, às vezes há que fazer escolhas.

Hoje, vinte anos passados , mais coisa menos coisa, debato-me com o mesmo problema em cada dia que passa. Mais particularmente, em relacão a saber distribuir prioridades na utilizacão das parcas 24 horas que a terra demora a dar uma rotacão sobre si mesma. É sabido que o corpo e a alma precisam uma média de 6 a 8 horas de sono, mais a descair para o mínimo no meu caso, e com esse bendito e regenerador quarto de dia não posso eu contar para nada mais que divagacões subconscientes e/ou despidas de livre arbítrio. Com o verão norueguês posso ainda espremer um par de horas extra desta medida de sono, por graca do sol que (também) não descansa. Mas que fazer com as restantes 18 ou 20?

Num dia normal levanto-me da cama e penso na sequência de eventos hipotéticos que me esperam no desfilar do dia: a lista é por vezes tão extensa que me dá mais vontade de declarar falência energética e render-me à evidência de que mais cedo ou mais tarde vou acabar o hoje que agora comeca exactamente no mesmo sítio e na mesma horizontalidade em que estou agora. Corajosamente lá me levanto em mais um épico dos dias que correm. Ora bem, aqui vai a lista para hoje: ir à cidade pagar a conta da electricidade no banco, ir aos correios mandar uma carta para a fundacão que me concede a bolsa, escrever três eposts, um para o meu supervisor em Portugal, um para uma amiga que se vai casar este verão, outro para um investigador americano que me perguntou ontem onde é que ele podia comprar bilhetes de avião baratos na Europa, ir à net procurar as ditas informacões, escrever o post da semana para o blog português, pesquisar as referências para este na net, se necessário, escrever um post para o blog norueguês que mantenho sobre o campeonato do mundo de futebol, ler as últimas no Record, Público e/ou Bola para me manter actualizado e ter referências para o último blog, corrigir a gramática do norueguês, ler o Dagbladet e/ou o Aftenposten para encontrar referências para comparacão, ter uma reunião com o Raymond (programador do laboratório) sobre que tipo de ferramenta estatística é a mais apropriada para o tipo de dados que eu tenho na minha experiência actual, treinar os ratos no labirinto para a minha experiência, teclar os resultados no computador, aplicar uma primeira análise com o programa que escrevi hoje, testar o tal programa para tentar encontrar possíveis bugs, escrever um outro programa como favor ao meu supervisor, ler um par de artigos para o "journal Club" de amanhã, falar com o chefe pelo telefone para discutir os próximos pormenores da experiência, comecar a escrever a seccão de métodos do suposto artigo que escreverei, treinar no ginásio, fazer o jantar, meter a roupa na máquina para lavar, falar com a minha colega de apartamento, tirar a roupa da máquina e metê-la a secar, pelo canto do olho ver o último episódio do C.S.I. mais o resumo dos jogos do mundial e um pouco do telejornal, (tentar) ler um capítulo de um livro sobre vela, ler mais umas páginas de um livro sobra a vida da rainha Kristina da Suécia e puff... apagam-se as luzes e caio exausto no mundo dos sonhos. E este é um dia médio!!! (perdoem-me os leitores estas confidências, (d)escritas numa forma quase à la Saramago).

E ainda diz o meu pai (supramencionado nesta crónica) que eu estou sempre cansado!

Até para a semana!
;-)
Paulo.

A febre da bola no pais do hockey!

Desde ja peco desculpa pelo teclado em ingles! E tambem pelo atraso!
A pergunta mais fantastica que tive foi:"Entao eles sobrepoem o campeonato do mundo de futebol com os playoffs do hockey?" Eh extraordinario como parece que o mundo so existe no norte da america! Eh claro que nem precisei de responder. O sorriso estampado na minha face acendeu umas luzes. "Ah pois, voces nao ligam muito ao hockey!"
No domingo la me levantei bem cedo depois de uma noite demasiado longa mas bem regada. Metro ate perto do Cafe portugues e eh claro que depois do pequeno almoco, do cafe e do cafe (sim, cafe canadiano e o belo do expresso ah portuguesa!) la me virei para as cervejolas mesmo antes do almoco. Quando se vai ver a bola ha que regar o assunto!
Acho que as reaccoes nao foram muito diferentes das de Portugal: sao todos treinadores de bancada e ainda pensam que em Angola so jogam com as bolas que nos ja nao queremos usar.
Mas ontem apercebi-me de algo ainda mais admiravel. Mesmo com a febre do hockey em que 1 em cada 3 carros na cidade tem uma bandeira da equipa da casa a disputar a final, reparei que as bandeiras dos Oilers passaram a ter companhia. Ele eh bandeiras inglesas, checas, portuguesas, americanas... Tudo e mais alguma coisa. E os bares abrem as 6 da manha para transmitir os jogos, mas como nao podem vender alcool, la tem a cerveja que vir numa chavena de cafe!!!
Digam o que disserem, mas aqui esta o exemplo de quao grande eh o Futebol!
Confesso que fiquei admirado!
Abraco a todos,
Virgilio