quarta-feira, maio 31, 2006

Inteligência animal!


Um grupo de etologistas numa universidade norte-americana decide estudar o comportamento de aves, de forma a compreender estratégias de aprendizagem e de utilizacão de ferramentas. Este é um dos padrões de afericão de inteligência descritos nas espécies primatas não-hominídeas. Muitos ouviram falar do exemplo de certos chimpazés que utilizam pequenos ramos para "pescar" formigas. Mas como aferir estas capacidades entre aves?

Decidem-se então a observar os corvos que vivem nas imediacões do campus. Para os entendidos em psicologia cognitiva é universalmente aceite que os corvídeos são dos géneros com o maior valor de QI entre os membros da classe das aves.

Após observacão, constatou-se que a populacão local de corvos alimenta-se de, entre outras opcões, nozes. O problema das nozes é o de que, embora nutricionalmente ricas, são revestidas de uma carapaca dura que os corvos não conseguem partir através da utilizacão do bico. Após alguma dose de experiência-e-erro, os corvos aprenderam que a melhor estratégia para partir as nozes é voar até uma certa altitude e deixar cair a noz. Mas esta estratégia depende largamente de onde é que a noz cai: quando as nozes caiem em terrenos não relvados ou arborizados, estas quebram-se mais frequentemente. Esta estratégia não elimina infelizmente o problema da competicão. Outros corvos oportunistas podem esperar escondidos perto das superfícies acimentadas ou asfaltadas de forma a que quando os seus companheiros de espécie deixam cair as nozes, se aproveitem deste maná.

Daqui surgiu uma outra estratégia mais elaborada. Alguns corvos descobriram que se abandonarem a noz aproximadamente no centro de umas superficies alongadas que se apresentam quase por todo o lado nas imediacões da universidade, mais cedo ou mais tarde aparece um objecto macico móvel que quebra a casca da noz por accão da sua passagem (nós, os humanos, chamamos a estas superfícies estradas, e as estes estranhos objectos ambulantes, automóveis). A única coisa que os corvos têm que fazer é esperar pacientemente pelo próximo engenho rolante e saltitar rapidamente em direccão à nóz (agora quebrada) após a passagem deste.

Mas esta estratégia tem as suas desvantagens. Ás vezes tem consequências fatais. Estes estranhos animais metálicos vitimam indiferentemente tanto nozes como aves. Para espanto dos etologistas, os nossos amigos corvídeos desenvolveram ainda mais um truque.

Alguns corvos aprenderam a utilizar esta estratégia mais selectivamente. Alguns compreenderam que é mais seguro deixar as nozes apenas nos pontos em que umas misteriosas linhas brancas paralelas sobressaiem do fundo azul-escuro. Ainda melhor: esperar na berma enquanto uma certa luz vermelha no topo de um poste vertical se encontra acesa e colher a noz apenas quando esta luz se apaga e uma outra luz esverdeada e um pouco mais abaixo se acende.

Genial, não é?
;-)
Paulo.

terça-feira, maio 30, 2006

Brincadeiras e gargalhadas

Mais um dia de trabalho (pouco) puxado. Chego a casa, tomo a bela da banhoca, ligo o portátil e verifico uma vez mais o que faz girar portugal no mundo das notícias. Lá fora chove quase torrencialmente por segundos e ao longe troveja.
A Bolanão me diz nada de novo, mas o Público faz-me rir, sorrir e pensar em tom de gargalhada o que já me tinha ocorrido aquando da publicação da notícia.
O Eduardo Prado Coelho nem sempre tem o meu apoio, mas as palavras de hj (ontem) fizeram-me sorrir:
Pergunto-me: mas os pais avaliam o quê? Se os professores são bonitos ou feios? Se as professoras usam ou não as saias curtas? Se vão à escola regularmente?"
Eduardo Prado Coelho, sobre a hipótese de os professores serem avaliados pelos pais dos alunos, PÚBLICO,

Pois eu acho muito bem que os pais façam parte do sistema educativo. Não só acho bem, acho essencial! Mas a avaliar professores???
Cada vez mais nos debatemos por uma maior participação dos pais na educação dos filhos, cada vez mais os pais estão ausentes das escolas e só lá vão mesmo quando os professores os chamam, e se for por outro qualquer motivo que não seja: O seu filho bateu num aluno! ficam mal dispostos, e a resmungar que se os filhos têm más notas a culpa é dos professores. Ou então há sempre o caso dos pais que se queixam que os filhos têm muitos trabalhos de casa.
Pôr os pais a avaliarem professores que nunca viram na vida só pode ser brincadeira de carnaval! Não me parece que dar aos pais o poder de avaliar os professores os vai aproximar mais das escolas e da educação dos filhos. E se pensarmos nos milhares de portugueses com filhos em idade escolar que são incapazes de os ajudar pois não possuem conhecimentos suficientes, como serão eles capazes de perceber o que lhes pedem para avaliar?
Bem, tenho apoiado muitas das medidas deste governo, mas esta... deu para umas gargalhadas!
Abraço
Virgilio

segunda-feira, maio 29, 2006

Bikram Yoga

Imaginem uma sala silenciosa, vapor a sair da parede, temperatura entre 37-42ºC, 20 pessoas estendidas num colchão de borracha (daqueles do campismo) com uma toalha entre o colchão e as costas da pessoa. O ar é irrespirável, mas como se está parado, ao fim de uns minutos habituamo-nos. O instrutor chega e começam-se a fazer os exercícios de alongamento. Começa-se a suar, por todos, todos os poros do corpo. A temperatura é insuportável, não há nada na sala que nos consiga refrescar! A garrafa de água, para além de começar a ficar menos cheia, começa a aquecer! Começam as primeiras náuseas...o corpo não está habituado a este ambiente quente e anaeróbio. Uma pausa e volta-se a tentar seguir os exercícios. Mais uns minutos, nova pausa. Desta vez tenho que sair da sala, arrefecer! Fabulosa a sensação de frio e de ar não saturado com água! 2-3 minutos, a respiração volta ao ritmo normal, o ritmo cardíaco acalma e estou pronto a voltar para dentro! Desta vez não voltei a sentir necessidade de sair da sala. Não consegui fazer os exercícios todos, mas outros mais rodados também começaram a fraquejar! Ao fim de 90 min, deitamo-nos de costas, o vapor deixa de entrar na sala, os olhos fecham-se e começa-se a ouvir os golfinhos e as ondas do mar a cair sobre a areia! Alguém entra na sala e deixa uma toalha ao lado de cada pessoa. Está ensopada em água fria! Fantástico. Coloco-a sobre a testa e deixo-me ficar uns minutos! Está na hora do duche, tirar a T-shirt ensopada em suor. A toalha parece que triplicou de peso, a T-shirt, nem se fala...Os músculos que durante toda a sessão estiveram relaxados devido ao calor, começam a contrair de novo! O chuveiro nas costas permite que esta contração não seja dolorosa! Visto-me e vou-me embora com aquela sensação de dever cumprido, que uma tarde de futebol das antigas, num quente dia de Verão, deixava em nós! A vida actual não permite essas tardes, muito menos estando pouco mais de 10 graus na rua!

Foi assim a minha primeira experiência com a Bikra Yoga na versão de Estocolmo. Uma experiência fantástica, cujo único senão é o preço! 200 coroas por uma aula, que podem ser reduzidos a 170, se se comprar um conjunto de 10 e se levarmos o nosso próprio equipamento. Se se optar pela mensalidade, pode-se ir as vezes que quisermos durante o mês por 1500 coroas, mas para tal opção compensar é preciso que estejamos fisicamente aptos a tal, o que actualmente não é o meu caso. Não sei se irei voltar a fazer ou se regressarei à Ioga, versão tradicional. Também gosto e é bastante relaxante, no entanto, não se sua muito e às vezes sabe bem suar!

Para aqueles que estão fartos de ginásios, ou mesmo de não fazer nada, recomendo vivamente experimentarem Ioga, seja que versão for. No dia a seguir vão ver que afinal o mito do desporto xato e monótono não passa disso mesmo: um mito! Eu estou rendido.

Cumprimentos,

RC

sexta-feira, maio 26, 2006

Inácio

Há mais de 2 anos que não ia à missa. Voltei no domingo passado para acompanhar uma amiga que me pediu que lhe fizesse companhia. Fomos aos Jesuítas do CUMN e foi lindo, claro!

Já me tinha esquecido de como eram lindas as missas dos jesuítas do CUMN, independentemente do facto de se acreditar ou não, e eu não acredito. Mas ouvi-los falar, aquela clarividência, o modo superior como eles conseguem decompor o mundo nas suas partes mais essenciais e belas, a visão global que têm da vida, produto de horas e horas de reflexão e discussão a fermentar num coração a transbordar de humanidade, deixa quem os ouve com uma leveza de espírito deliciosa.

Em Biologia quando se fala em evolução ouvimos duas teorias distintas. Uma diz que a evolução se dá continuamente ao longo do tempo de modo mais ou menos constante. Outra diz que a evolução acontece por surtos, por bólus separados entre si por períodos de repouso. Eu sinto que o modo como sou e me fui fazendo se identifica com esta última visão. Esses momentos estão bem definidos na minha memória e os dois que considero mais importantes, são o ano na Suécia e uma semana que passei no país Basco com os jesuítas. Foi uma experiência verdadeiramente superior mas não tenho coragem para contar aqui tudo o que descobri. No entanto partilho uma reflexão: aqueles padres, de educação e vivência superior, que viveram a vida e pensaram nela, cosmopolitas, pensadores, cultos, apaixonados, LIVRES, aquele modo como explicam a sua fé sem uma pontinha de crendice, tudo isso nos faz ficar no mínimo de espírito atento para tentar perceber se existe alguma coisa ou não.

Mas a fé é só uma parte e se não estiverem interessados nessa vão lá por tudo o resto – mas vão.

quinta-feira, maio 25, 2006

*

Quando a educação se esgota por quem a faz...
Duesseldorf, 25 Maio, 2006


Aproveito estes últimos textos escritos sobre educação para falar sobre um claro exemplo da falta dela proporcionado por elementos dela! Falo-vos do debate que vi esta semana na RTPi (Prós e Contras) sobre o livro do Prof. Manuel Maria Carrilho “Sob o signo da verdade”.

Antes demais quero dizer que não li o livro, e depois do que vi na televisão não estou minimamente interessado em ler.
Apenas para enquadrar o que posteriormente irei dizer, e com base não apenas no debate mas também numa entrevista que o próprio Prof. Carrilho deu também na RTP à jornalista Judite de Sousa.
Este livro, é escrito após a campanha eleitoral autárquica na qual ele se candidatou a Presidente da Autarquia de Lisboa. É um relato na primeira pessoa da forma como ele próprio sentiu e viveu a campanha. Servindo-se de uma série de relatos, o autor acaba por se afirmar como alvo de uma orquestrada campanha contra ele e a sua imagem e deturpação da sua mensagem política. Ele diz abertamente que fortes interesses (imobiliários em particular) serviram-se da comunicação social para o atingir e minar a sua campanha. De resto, nas suas palavras, “jornalistas pagos” e “agências de informação mercenárias” foram os obreiros da sua clara derrota.

Bom... a publicidade ao livro está feita mas não se deixem cair em tentação.

À sua frente, no debate estava o Jornalista da SIC Ricardo Costa como membro de uma estação de televisão que filmou e divulgou, entre outras coisas, o não aperto de mão a Carmona Rodrigues e também Pacheco Pereira como pensador do estado da comunicação social e como homem que, na minha óptica, claramente sabe o que diz.

Como considerações políticas bem distantes, vi serenamente o debate e aqui partilho algumas das ideias.

É simplesmente vergonhosa a maneira como hoje se podem publicar acusações de forma tão infundada como foi feito por este professor universitário com responsabilidades no Estado Português.
Vítimas de um jornalismo mau e sensacionalista poucas figuras públicas não o serão mas servir-se disso para justificar uma derrota eleitoral com a gravidade e desplante com que este homem o fez, em alguns casos levantando suspeitas graves sobre ninguém em particular e noutros acusando pessoas e empresas sem qualquer prova, está apenas ao alcance daqueles com imaginação muito fértil. Diria mesmo... dos filósofos em tempos modernos!!!

A falta de educação é de tal ordem que chega a roçar a falta de honestidade intelectual quando se vai para um espaço público acusar jornalistas de manipulação e se tem que ouvir (com provas escritas) que no seu passado, para a publicação de um livro colectânea de 21 entrevistas a si feitas, ele próprio fez 160 e tal alterações às entrevistas originais retirando nomes de pessoas, omitindo questões e, imagine-se, adicionando inclusive perguntas que os entrevistadores nunca lhe fizeram!!

Servir-se dos media para as acções de marketing político muitas vezes vazio de conteúdo não é considerado por este profissional da política. O que também não é considerado é o preço justo ou injusto que esses fazedores de política tem que pagar por esses seus actos. O desgaste e a perda de identidade a que os políticos são sujeitos por toda essa orquestra de media e assessores de imagem que toca por trás deles e filtra a forma como o político chega às pessoas é muitas vezes esquecido e posto para as costas pois sem os mesmos media e sem assessoria de imagem eles não são mesmo ninguém.


Com base em ideias faladas no debate retiro três para mim:

- Espero que Manuel Maria Carrilho levante a imunidade parlamentar para poder responder em tribunal e poder provar a acusação que fez a uma agência de informação.
Pena é que todas as outras acusações e juízos de intenção que faz ao longo do livro não tenham sido concretizados para que mais provas fosse obrigado a apresentar.

- Quem vive para a comunicação social acaba por ser morto por ela (falo do populismo a que as campanhas eleitorais se circunscrevem).

- Manuel Maria Carrilho ficará para sempre associado com o rosto da derrota, da falta de educação e da arrogância.
Para finalizar repito que não li o livro, e depois do que vi na televisão não estou minimamente interessado em ler. Acho que para romances policiais e conspirações prefiro o estilo Dan Brown pela única diferença que sustenta a sua teoria em provas, muito discutíveis, discutíveis ou não.


Sem mais
Rui Neves

terça-feira, maio 23, 2006

A educacão vista de um ponto de vista escandinavo.

No post de ontem o Virgílio descreveu-nos alguns pontos do sistema de ensino canadiano. O sistema foi elogiado como sendo de qualidade. No entanto, despertou-me a atencão de se pagarem propinas altas, à semelhanca do sistema norte-americano, e desse esforco ser financiado pessoalmente, quer pelos pais (à semelhanca do sistema português), quer por empréstimos bancários.

Aqui na Noruega e nos países nórdicos existe uma política de educacão original e diria única no mundo. Sei que alguns leitores podem discordar comigo no que se refere às minhas opiniões pró-escandinavas de sistema político nórdico europeu, por serem demasiado socialistas e (hipoteticamente!) limitarem a liberdade de enriquecimento económico pessoal e priveligiarem o aparecimento de "preguicosos" que vivem à custa do estado e do sistema de bem-estar público. Concordo que é assunto de discussão as altas taxas de impostos, o proteccionismo económico de certos produtos e o monopólio do estado na maior parte dos servicos públicos. Mas um ponto que considero intocável, sagrado e quase sem discussão é o sistema da "Statens Lånekasse for Utdanning" que existe tanto na Noruega como também na Suécia, Dinamarca e Islândia, sob diversos nomes, mas com o mesmo princípio fundamental.

O princípio fundamental que serve de base a este sistema é a pedra-base da filosofia política escandinava: likestilling. Likestilling significa igualdade de estatutos, igualdade de tratamento, e, relevante para este tema, igualdade de oportunidades. É o termo mais importante do léxico político escandinavo. Tanto a Noruega como a Suécia têm sido campeões mundiais na aplicacão deste princípio na criacão de uma sociedade em que há igualdade entre os dois sexos, tanto do ponto de vista ideológico como no prático. Mas acima de tudo, para haver igualdade de oportunidades, tem de haver igualdade de acesso à educacão.

Em 1947, o estado norueguês criou a Lånekasse, em que todos os indivíduos maiores de 16 anos podem concorrer a receber uma bolsa do estado, uma espécie de salário mensal, de forma a poderem prosseguir os seus estudos. Esta bolsa foi primeiramente atribuida de uma forma progressista, isto é, dependia das capacidades económicas dos pais, mas na década de '70 tornou-se independente deste factor e hoje em dia toda a gente pode recorrer à Lånekasse (praticamente todos o fazem). Não existem muitos limites para o acesso à Lånekasse. Se uma pessoa de 40 anos decidir retomar os estudos, pode-o fazer com acesso a este fundo. A responsabilidade de apoio à educacão foi transferida dos pais para o estado. É considerado um direito fundamental da populacão o acesso à educacão. Tanto as escolas básicas como as do ensino superior são regidas sob o princípio da educacão gratuita, isto é, não existem taxas ou propinas e os programas escolares são planeados de forma a restringir as despesas privadas. Deste modo, as deslocacões pedagógicas (as chamadas "viagens de estudo") são parcialmente ou totalmente financiadas por fundos da escola, por exemplo. Os livros escolares podem ser comprados, mas existe uma rede desenvolvida de empréstimo anual organizado por parte das escolas (principalmente no ensino básico) e é extremamente vulgar o uso de livros "em segunda mão".

No entanto, não esquecamos que a própria palavra lånekasse revela a natureza desta bolsa: låne significa empréstimo, kasse significa fundo. Eventualmente o dinheiro emprestado pelo estado é pago novamente pelos alunos depois de acabada a sua educacão, mas de uma forma suave e lenta. Este empréstimo tem baixas taxas de juro e o aluno pode pagá-lo ao longo do resto da sua vida, a um ritmo negociado entre o indivíduo e a Lånekasse. No caso de morte, invalidez ou desemprego permanente, a dívida é cancelada. Em tempos de desemprego, o pagamento é automaticamente congelado. Os valores do empréstimo são ajustados de forma a fomentar o emprego sazonal no verão: são altos o suficientes para cobrir as necessidades básicas do aluno, mas não permitem luxos e muitos são aqueles que escolhem um emprego de verão de forma a ter uns trocos extra para cinema e umas cervejas de vez em quando.

Em relacão a possíveis críticas, este ordenamento não cria geracões de alunos preguicosos ou baixa o apreco dos mesmos pela sua educacão. Os alunos são tão (ou mais) competentes como qualqueires outros de outro país ocidental. Estes também não estão condicionados pelo nível económico dos pais ou pelas decisões destes (conheco casos em Portugal de pessoas que estudaram um curso de que não gostavam porque os pais ameacaram cortar o apoio económico se os filhos escolhessem outro curso). A Escandinávia é, talvez, o único ponto do planeta em que uma pessoa tem total liberdade de escolha no rumo a tomar na sua vida: quando se nasce, tem-se igual oportunidade de se vir a tornar carpinteiro, médico, primeiro-ministro ou astronauta, independentemente da situacão económica ou social dos pais, do sexo, raca, credo ou local onde se nasceu no país. Isto é, a meu ver, verdadeira liberdade e democracia!

Claro está que para financiar um sistema assim, é preciso forte contribuicão do Estado. E daí os impostos altos. Mas esta é uma daquelas regalias sociais que me dão justificacão suficiente para os pagar.

A educação, o nível de vida e a neve!

Depois de algumas semanas um pouco afastado da realidade regresso com mais umas palavras.
Já há algumas semanas que medito sobre o assunto da educação, estimulado por diversos emails da mailing list de bioquímica sibre Bolonha.
Estou num país diferente, e pegando no post de ontem do Ricardo, num país onde a qualidade de vida é bastante elevado.
Neste país a universidade é feita para os alunos (algo que sempre defendi) e a classificação e comentários dos alunos são tornados públicos. Existe mesmo um site acessível a todos onde essa informação é colocada e já muitos foram os alunos que vi a consultarem esse site para escolherem que cadeiras fazer. Uma Universidade feita para os alunos onde a maioria das cadeiras é dada por vários professores, que acabam por entrar em disputa pela melhor classificação, e dessa forma aplicam-se de maneira a satisfazer as ambições dos alunos. Desde cópias à nossa espera no início das aulas com os slides que vão ser apresentados, a resumos da matéria com respectivos capítulos dos livros recomendados. Uma universidade que disponibiliza aos alunos a possibilidade de, durante os supostos quatro meses de férias passarem-nos num laboratório a serem pagos, permitindo o desenvolvimento das habilidades de cada um nas mais diversas áreas. Mas claro que se o desejarem, têm dois semestres (termos) em que podem fazer cadeiras para adicionar ao curriculum.
E esta é a altura em que pensamos: Que sistema maravilhoso!
Pois, mas a verdade é que o valor das propinas é de tal ordem que os alunos pedem empréstimos para pagar propinas (ou os pais emprestam sem juros) para poderem frequentar a universidade, para exercerem um direito universal! A grande maoria dos alunos trabalham desde os 16 anos para juntarem dinheiro para ajudar a pagar a universidade, e muitas vezes quando lá chegam têm de continuar a trabalhar para se sustentarem, e depois quando acabam os primeiros anos são sempre para pagar esses empréstimos.
Agora reflectimos: será que vale a pena? E olhamos para o nosso pequeno Portugal. Na verdade será assim tão dificil demonstrar a estes países que é possível ter um sistema de ensino superior maioritariamente financiado pelo estado e com a mesma política de: "As Universidades existem porque existem alunos!"?
Consigo pensar num entrave a este sonho que tenho. É que por aqui, são muito poucos os licenciados desempregados. As universidades existem para o mercado em que estão enquadradas e dessa forma um tal investimento por parte dos alunos é recompensado. E em Portugal todos sabemos como estão as coisas, como as Univresidades estão desenquadradas do mundo que as rodeia.
Podia estender-me aqui falando de como se ganha muito dinheiro na construção ou nos poços de petróleo, o que é também um factor importante, mas acho que no seguimento das palavras do Ricardo tinha de referir esta peculariedade de um dos países com maior qualidade de vida. Mais uma vez confirmo que a educação, e a boa educação, enquadrada no tempo e espaço é uma ferramenta vital para o desenvolvimento de um país e o melhoramento da qualidade de vida.
Porque será que demora tanto tempo aos políticos portugueses abrirm os olhos e ver o que já mais de meio mundo percebeu?
Abraço da terra onde já não há neve e a primavera veio em força

segunda-feira, maio 22, 2006

Qualidade de vida

Foi recentemente divuldado pela consultora Mercer um relatório com os dados relativos aos indices de qualidade de vida em 215 grandes metrópoles mundias para o ano de 2006.

É curioso que nas 10 primeiras posições aparecem 7 cidades Europeias: Zurique e Genebra (Suiça) encabeçam a lista, seguidas por Vancouver (Canadá), Viena (Austria), Auckland (Nova Zelândia), Dusseldorf, Frankfurt, Munique (Alemanha), Berna (Suiça) e, a fechar o top ten Sidnei (Austrália). A tabela é claramente dominada pelas cidades Europeias.

Para elaborar este estudo, a Mercer utilizou 39 critérios diferentes, tais como políticos, ambientais, sociais, económicos, criminalidade e segurança, saúde e educação, transportes públicos e outros serviços públicos. A cidade utilizada como termo de comparação para elaborar o ranking foi Nova Iorque (46ª posição).

Lisboa aparece bem posicionada neste ranking, 53º logo atrás de Milão e à frente de cidades como Birmingham, Glasgow, Los Angeles, Roma, Miami, Hong Kong, Praga, etc...

Relativamente às cidades Escandinavas, Copenhaga aparece num honroso 11º posto, Estocolmo desce um lugar para o 20º relativamente a 2005, Helsínquia é 29ª e Oslo é 31ª.

Uma reflexão relativamente aos dados da tabela demonstra que a Europa do Norte e Central e o Canadá são as regiões do mundo onde se encontra melhor qualidade de vida, seguidas de perto pela Europa Ocidental Austrália e Nova Zelândia.

A mesma consultora também publicou uma tabela em que analiza o custo de vida nas mesmas cidades. Tóquio lidera a lista, seguida de Osaca, também no Japão. Londres e Moscovo seguem logo atrás.

A lista completa das cidades pode ser visualisada gratuitamente neste site (no site da Mercer só temos acesso às 50 primeiras).

Cumprimentos,

RC

segunda-feira, maio 15, 2006

Scolari,Baía (e outros), Quaresma (e outros)

Scolari chegou a Portugal em 2003, tendo desde logo a sua contratação sido contestada por diversos sectores da sociedade, mais concretamente do mundo do futebol. Desde a Associação de treinadores, que argumentava que o treinador campeão do mundo em 1998 nos EUA não tinha os cursos que lhe eram exigidos, a alguns dirigentes de clubes da nossa praça, que viram defraudadas as esperanças de mais uma vez terem um seleccionador do sistema que convocasse os seus jogadores, não por mérito, mas no sentido de os valorizar! muitas vozes se levantaram contra os vencimentos de Scolari e sua equipa técnica!

Mas a entrada de Scolari no seio da selecção também foi polémica desde logo por deixar de fora alguns dos até então inquestionáveis seleccionáveis. Falo de João Pinto, Sérgio Conceição e, claro, Vítor Baía. A respeito deste último assistiu-se a uma autêntica novela, alimentada por "jornaleiros e comentadeiros" da nossa praça! Os outros 2 foram ignorados, mas Baía foi tratado como um Deus na nossa mass media.

Poucos sabem o que de facto se passou no Mundial da Coreia/Japão, mas algo se terá passado. Muitos foram os desabafos de jogadores, mas que não passaram disso mesmo: tiros para o ar, sem apontarem a alvos definidos! Os boatos e as histórias sobre as superstições do Oliveira, as idas aos casinos entre outras foram mais que muitas. A polémica "passagem" de Ricardo de titular a suplente na fase final foi esquecida. No entanto, não há nenhum adepto que não ache que situações estranhas de facto aconteceram, ou se os há, nunca os vi/li/ouvi!

Só por este conjunto de evidências, não estranhei que aquele grupo de 3 jogadores, deixasse de ser chamado à selecção! Mas claro, só de Baía se fala...

Depois o processo de naturalização de Deco em que os que até aí contestavam, de um momento para o outro passaram a aplaudir! E os que o apoiavam passaram a contestar. Deco lá está, é jogador da selecção, e foi mais uma batalha ganha por Scolari.

Scolari lá foi fazendo o seu trabalho, as suas experiências. Levou-nos pela primeira vez à fase final de uma grande competição de clubes. As vozes contra acalmaram-se, mas não desapareceram...Estavam apenas à espera do momento certo para voltarem a lançar as alfinetadas da praxe! Primeiro, quando Ricardo passou por um mau (para não dizer exasperável) momento de forma. Em vez de questionarem a titularidade deste, voltaram a contestar a não convocatória de Baía...vá-se lá saber porquê!? Depois quando o seleccionador, como qualquer pessoa que gosta de desafios e não gosta de estar desempregada, aceitou falar com representantes da federação inglesa, foi o carmo e a trindade.

Hoje vai ser divulgada a lista de convocados para o Mundial. Desta lista, pelos vistos, não faz parte o nome de Ricardo Quaresma. Este jogador do Porto, tem sido uma eterna promessa. Esta época teve 3-4 meses geniais, em que foi o motor da equipa do Porto. Os seus cruzamentos de "trivela" punham a cabeça em água às defesas. Mas de um momento para o outro voltou a ser aquilo que era desde os tempos do Sporting: um malabarista, que joga sozinho e que não sabe o significado de jogo de equipa! Vergonhosa a sua actuação no jogo com o Sporting, em que poderia ter causado graves lesões a pelo menos 2 jogadores. Até o seu treinador viu isto e substitui-o de imediato, tendo este abandonado de imediato o terreno de jogo da direcção dos balneáreos sem cumprimentar ninguém! A comunicação social, mais uma vez, está a endeuzar o jogador. Já se fala de uma calamidade, da falta de soluções e que Quaresma seria o salvador da pátria! O que é certo é que, sem Quaresma, a selecção qualificou-se para o Mundial, com uma perna atrás das costas! Espetámos 7-1 à Rússia, que, mesmo não sendo a Rússia de outros tempos, continua a ser uma das boas selecções Europeias. E Quaresma...pouco jogou!

A mim preocupam-me mais outros nomes. O nosso ataque está muito bem servido! Em vez de Postiga talvez levasse João Tomás. Não levaria Maniche nem Viana pois pouco jogaram nos seus clubes e o pouco que jogaram não foi convincente. Costinha é o líder da selecção, mas não joga há 6 meses. Talvez o levasse, se houvesse uma vaga para ele, e olhando para os trincos de nacionalidade portuguesa que temos, parece-me que não há muito por onde escolher. Meireles talvez fosse uma boa opção pelo final de época fantástico que fez mas, tal como Quaresma, é um jogador de altos e baixos! Na defesa diz-se que Ricardo Costa vai ser convocado. Não compreendo esta chamada de um jogador que ainda não se afirmou e havendo outras boas opções como: Nunes, R Rocha, Zé Castro.

Qualquer que sejam os jogadores anunciados hoje às 20 h de Portugal Continental, no dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, voarei para a Alemanha. No dia seguinte lá estarei em Colónia a apoiar os 23. Espero lá voltar mais uma vez para o nosso jogo dos 8os.

Até lá, deixem o homem trabalhar e deixem-nos sonhar. Farto de profetas da desgraça estamos todos!

Cumprimentos,

RC

ps: sempre me opuz à naturalização de Deco. Hoje aplaudo-o mas não vibro com ele. Enfim, é o meu lado nacionalista e a minha visão de que para nos sentirmos portugueses e sabermos o significado e peso do escudo que aqueles jogadores envergam ao peito, não basta viver uns anos em Portugal, é preciso nascer no meio daquelas estórias e mitos!

quinta-feira, maio 11, 2006

*
Se a vida tivesse alguma lógica...
Duesseldorf, 11 Maio, 2006


Esta semana recebi uma triste notícia. Foi algo que me chateou de tal forma que desde que a recebi, esta tem sido o alvo de grande parte dos meus pensamentos. Por isso escrevo sobre ela

Este Domingo faleceu o Prof António Xavier. (Quem?!?!?) O Prof. António Xavier foi um cientista de grande nome internacional na área de Ressonância Magnética Nuclear que trabalhava presente no ITQB-UNL. Terá falecido em resultado de doença prolongada.

Era uma pessoa simples e banal....

Completou e defendeu o seu doutoramento em Inglaterra em dois anos a trabalhar todos os fins-de-semana e a dormir 2 a 3 horas por noite. Manteve esse ritmo alucinante durante largos anos.– Há pouco tempo já andava mais “moderado” e fazia sonos “normais” de 6 horas. – Admiro-o também por isso mas não quero ser como ele!!!
Foi fundador do ITQB e esteve na sua direcção até não há muitos anos atrás. Ganhou o título de Comendador por méritos prestados ao país e foi um dos cientistas premiados no ano passado por mérito excepcional (Dizia na altura o governo que era para incentivar a comunidade científica a permanecer em Portugal).

Não sei muito mais, mas também pouco interessa. Afinal de contas... era apenas uma pessoa simples e banal.


Tive a oportunidade de trabalhar no seu grupo de investigação durante uns 8 meses e mais outros tantos meses num outro grupo no mesmo piso no edifício. Apesar da relação estritamente “profissional” que tinha com ele, era uma pessoa que eu admirava imenso pelo seu lado humano e simplicidade pessoal. Conhecedor profundo das coisas de que falava, ouvia com profunda atenção todas a opiniões, criticas e sugestões que qualquer pessoa fazia às suas muitas teorias. Para quem sabe alguma coisa do mundo da ciência, ele era um verdadeiro apaixonado, uma mente brilhante.
Tive a honra e o prazer de ter algumas discussões de trabalho no seu gabinete e guardo-as na memória do cantinho das “fontes de inspiração e motivação”. Foram fabulosas!!

Além disto tudo... era uma pessoa normal. Banal e simples como tantos nós só que dava tudo pelo trabalho e pelos projectos que abraçava. Os projecto tinham financiamento e ganhavam visibilidade dentro da comunidade especialista porque as ideias eram realmente boas.

Era tudo menos um cientista banal, era excepcional com uma aura pequena característica das pessoas humildes.

Até sempre AX

Rui Neves

quarta-feira, maio 10, 2006

Liberdade da imprensa

É sempre bom ver o seu país no topo da hierarquia nas estatísticas mundiais em qualquer área. Revela que o seu país tem uma característica na qual é o melhor (ou o pior!) do mundo. No caso de Portugal, somos os maiores na producão de cortica, estamos no topo na azeitona, fomos os primeiros a banir a pena de morte, somos dos poucos que produzimos urânio e infelizmente também estamos no topo europeu de consumo de álcool per capita e mortes por acidentes de viacão na estrada (haverá correlacão?!).

Recentemente atraiu-me a atencão a hierarquia dos países com os mais altos índices de liberdade de imprensa, lista esta compilada pela organizacão internacional "Reporters without Borders". Esta lista foi preparada baseada no inquérito realizado nos diferentes países e conta o número de ataques directos a jornalistas nos países estudados (por assassinato, tortura, imprisionamento ou ameacas) ou à imprensa nesses países (censura, confiscacão, pressão e rusgas). Também toma em consideracão a impunidade que os perpetuadores destes crimes gozam nesses países. Este questionário não se debruca exclusivamente sobre a pressão exercida pelo estado na liberdade de expressão, mas também sobre possíveis milícias ou lobbies passíveis de restringir esta liberdade. Para além dos jornais, TV e rádio, o espaco cibernáutico também é tomado em consideracão neste estudo.

No relatório de 2002, estamos entre a nata mundial (num honroso 7. lugar a ombros com a Alemanha e a Suécia), e somos apenas superados pela Islândia, Finlândia, Noruega, Holanda, Canadá e Irlanda. Note-se o 17. lugar dos Estados Unidos, ainda na ressaca do 11 de Setembro com as consequentes medidas políticas de seguranca que se lhe seguiram. É com orgulho que vejo Portugal à frente de nacões como a Dinamarca, Franca e Reino Unido nesta lista. No entanto, quando comparamos com o relatório de 2005, vemos que Portugal descaiu um pouco no ranking, para o 23. lugar nos ultimos anos. Esta queda não é tão dramática como a ocorrida por parte do Canadá (21.), Franca (30.) ou EUA (44.), mas a tendência preocupa-me um pouco. Vendo algo positivo nesta lista, note-se que não são só os países ocidentais e com boa economia que lideram a lista. Paises com um PNB per capita inferior a $1000 por ano encontram-se bem posicionados, entre os quais Benim (25.), Mali (37.), Bolivia (45.), Mocambique (49.) e Timor Leste (58.). Dos países europeus Bela-Rússia encontra-se num escandaloso 152. lugar, fazendo companhia a países como o Iraque (157.), China (159.), Cuba (161.), Irão (164.) e Coreia do Norte (último, 167.).

No relatório de 2005 da organizacão Freedom House, estamos no topo da liberdade de expressão.

Até para a semana!
:-)
Paulo.

terça-feira, maio 09, 2006

Sem Palavras

Ora portanto, foi assim:
Jogo de basebol (em que eu joguei), pizza de borla, jogo de hoquei e 13 ou 14 jarros de cerveja depois apenas me restou ir directo para a cama que nao parava de rodar e acordar pela manha com uma ressaca....
Portanto ah minha maneira la celebrei a queima...
Abraco,
Virgilio

segunda-feira, maio 08, 2006

Paris, Sol, calor, queima, amigos, família...

São semanas destas em que me apercebo do que está para trás, do que ficou em Portugal, dos momentos que vivemos apenas uma vez na vida e que só têm aquele significado, naquele contexto, naquela situação, naquela altura!

O Sol Primaveril e o calor de Verão que encontrei em Paris fizeram-me esquecer por completo as nuvens e o frio que no mesmo dia tinha deixado para trás em Estocolmo! A cerveja mais pesada fez-me lembrar que dentro de dias iria estar a beber a verdadeira cerveja portuguesa. Os filhos dos emigrantes nas ruas com camisolas da selecção (devo reforçar que eram todas do C Ronaldo!!!) fez-me lembrar que dentro de 1 mês serei eu a andar com a minha camisola nas ruas da Alemanha, espera-se, a fazer a festa.

No regresso a Coimbra foi bonito ver que as tradições se mantêm. No sítio do costume, à hora do costume, imediatamente antes da serenata, um caloiro voluntaria-se a ser rapado. Este ano, para surpresa minha, vários o fizeram!!! Depois o reencontro com os colegas de outras queimas, o revivalismo de momentos passados, os risos, as rodadas...

Depois voltar a dormir num quarto escuro, com persianas e acordar lentamente na manhã seguinte. À noite o tradicional jantar com a malta do curso de 98, que contra todas as expectativas (já que está um em cada canto do mundo) continua a ser um sucesso. O regresso ao Queimódromo, o eterno suspiro quando se olha para a Cabra iluminada contemplando o rio. O saltar de barraca em barraca até que a noite acaba e se faz dia e são horas de regressar ao lar para no dia a seguir fazer os preparativos para regressar à morada actual, não sem antes jantar com a família, ver os miudos a crescer e mais uma vez pensar que o mais novo não me conhece de lado nenhum, apesar de olhar para mim com cara de quem me quer dar confiança!

No final, um longo regresso a casa, com algumas peripécias à mistura, devorando 2 jornais diários do principio ao fim, e dando início ao consumo de duas das revistas semanais que costumo consultar!

Resta-me encerrar este capítulo. Para o ano outro se escreverá, espero eu, e que seja em quase tudo igual a este! Pode parecer monótono, mas há coisas que nunca deviam mudar!

Cumprimentos,

RC

quinta-feira, maio 04, 2006

*

E tu, já te queixaste hoje?
Duesseldorf, 4 Maio, 2006


Antes demais gostaria de pedir desculpas pelo meu silêncio a semana passada. – Claro, que aqueles que me conhecem sabem bem que não me calei no verdadeiro sentido da palavra e que devo ter tido um motivo muito forte para não escrever. – Assim foi: uma infecção na raiz de um dente que me levou para cadeira do dentista com direito a anestesia e a três novas idas ao consultório.

Posto isto...

Não há que ignorar! A onda de contestação social está aí e poucos são os sectores da sociedade que não tem nada a dizer e nenhuma crítica a fazer do governo ou do seu respectivo empregador. Nunca fiz frente a nenhuma onda e raramente embarco em alguma, prefiro tentar manter alguma coerência.
O que tenho visto ultimamente é uma contestação por parte dos trabalhadores às alterações contratuais propostas pelo empregador (estado inclusivo) nomeadamente quanto ao abrandar de algumas regalias que estavam previstas em contractos estabelecidos há 25 anos - como nos casos dos trabalhadores dos CTT por exemplo.

Falando apenas da função pública: as regras do jogo foram desenhadas há já muito tempo e a ausência de reformas profundas dessas mesmas regras tornou o jogo pouco ajustado à realidade que hoje temos. Mais ainda, a falta de coragem para alterar as regras do jogo com a devida profundidade por parte dos sucessivos governos, foi sendo “colmatada” arranjando regimes e cláusulas de excepção que apenas resolveram problemas pontuais.
Claro está que, hoje em dia, quando alguém tenta reformular as carreiras e os contractos da função pública não tem apenas um tipo de contracto mas sim um emaranhado de contractos e regimes de excepção com que tem de lidar e, como a sensibilidade também não abunda muito na classe política, haverá sempre alguém que sairá mais lesado e que se achará no direito de reclamar.

As empresas renegoceiam os contractos com uma frequência enorme. Quando é no sentido de aumentar os salários e as regalias sociais, nada se comenta porque é assim que deve ser! (Claro!) No entanto, quando é no sentido inverso as pessoas estranham e sentem-se vítimas de uma crise que elas jamais ajudaram a gerar(Claro!). Já o Estado, como entidade patronal, naturalmente tem muito mais dificuldade em fazer mudanças dado o número de funcionários, ainda assim deve e tem mesmo que as fazer senão não dá mesmo!
Bem sei que é uma situação delicada estar a mexer com valores adquiridos mas... o que é isso de valores adquiridos? Por que se continua a dizer que o País está em crise, e a invejar as regalias e excepções que outros tem quando elas são um claro atentado à melhora social de qualquer País que procura recuperar?

Voltando a generalizar: As regalias sociais, agora postas em causa, dos trabalhadores dos CTT, os regimes excepcionais dos destacamentos dos professores, as facilidades (borlas) dos trabalhadores da TAP,... muitos são os casos que têm vindo a lume e que me tem feito pensar.
Porque será que esses trabalhadores não pensam um pouco que os tempos estão a mudar e já é uma “sorte dos diabos” ter vínculo a qualquer uma dessas empresas? Será que eles já pensaram nos trabalhadores das empresas nortenhas a quem as renegociações dos contractos laborais vão no sentido único e irreversível da rescisão?
Se estão assim tão mal, porque não pensam em rescindir então os contractos amigavelmente com essas empresas dando lugar a alguns dos 480mil inscritos dos centros de emprego?

Posso parecer um pouco radical mas francamente eu penso assim.

E não venham cá com histórias do ... mas a profissão de professor é muito desgastante e por isso os destacamentos (excepção desta profissão e dos Juizes tanto quanto julgo saber) ajuda a minorar algum do desgaste. - Esse fim-de-semana participei numa discussão sobre este assunto e deviam ter visto a cara de pânico de uma médica e de uma enfermeira quando uma professora presente disse tal coisa! Elas não queriam dizer que não era desgastante, estavam sim a dizer que a profissão delas também o era e nem por isso tinham qualquer regalia nesse sentido. – Uns erros não devem desculpar os outros mas, no meu entender, há que ter bem a noção que agora, no contexto actual, isso não dá, não é suportável quando se querem implementar reformas profundas. O jogo não permite tais coisas apesar delas fazerem sentido.

Fazendo agora algumas considerações de carácter puramente político/partidário: Todas estas tentativas de mudanças na função pública que o actual governo PS tem tentado fazer tem merecido de minha parte a minha admiração (apesar de toda a expectativa quanto ao seu sucesso). – O que já não merece a minha admiração é o facto de o mesmo governo as tomar contrariamente às premissas que divulgou durante a campanha eleitoral e que lhes permitiram obter a maioria parlamentar. A falta de oposição por parte do PSD, pode ser vista como um sinal claro que estas são medidas que lhe agradam. Prefiro pensar que lhes agradam por serem necessárias ao País.
Sem mais

Rui Neves

quarta-feira, maio 03, 2006

Pelle, o Conquistador


Na bela manhã do primeiro de Maio de 2006, dou comigo a acordar cedíssimo e sem nada que fazer, para além de trabalho, muito e infindável, que espera por mim pacientemente e intrasigente no meu escritório a meros duzentos passos de casa. Ligo então o televisor - vicío este que comeca a ser habitual - e surpreende-me a figura envelhecida e hesitante de Max Von Sydow perdido no nevoeiro dinamarquês, a caminho da quinta de Stengården. Não fosse este ser o primeiro de Maio e o romance centenário "Pelle, Erobreren" escrito pelo dinamarquês Martin Andersen Nexø entre 1906 e 1911, ser o expoente máximo da literatura socialrealista com inclinacões comunistas no cenário escandinavo. O filme homónimo que venceu o Óscar de melhor Filme Estrangeiro em 1988 baseia-se no primeiro volume da obra de Nexø, "Barndommen", no qual a infância da personagem principal, Pelle, é retratada. A obra prossegue com três outros igualmente extensos volumes que retratam a aprendizagem da profissão de sapateiro na cidade de Rønne, o seu crescimento como adolescente, a migracão para Copenhaga onde Pelle se estabelece, o crescimento da sua família e a luta como líder do movimento sindical. O romance debruca-se principalmente sobre o aparecimento e crescimento do movimento sindical organizado na Dinamarca e na luta do proletariado dinamarquês. O livro é quase auto-biográfico. No entanto, o realizador Bille August retrata-nos a dureza da vida dos trabalhadores emigrados do sul da Suécia para a Dinamarca e, especialmente, na relacão entre pai (Lasse) e o seu filho (Pelle) no filme de 1988. A luta pela existência e a desigualdade social, temperadas por um forte toque de humanismo, são alguns dos aspectos mais relevantes que nos são transmitidos ao longo da história. A adaptacão cinematográfica brilha pela capacidade do realizador em concentrar a atencão da narrativa nas duas personagens principais. No livro, a narrativa é uma empresa colectiva onde a vida de todos os habitantes da quinta é descrita em paralelo.

Lasse e Pelle emigram da região de Skåne, no sul da Suécia, para a ilha de Bornholm, em pleno mar Báltico, com o sonho de arranjar emprego. A Dinamarca era vista então, por parte dos suecos de Skåne, como a terra do leite e do mel, onde todos são ricos e gozam uma boa vida. No entanto, as condicões de vida na Dinamarca e na Suécia em finais do século XIX acabam por não ser assim tão diferentes. Pai e filho tem dificuldade em arranjar trabalho: Lasse por ser demasiado velho, Pelle por ser demasiado novo. Acabam por ser contratados pelo proprietário Kongstrup e mudam-se para a quinta de Stengården ("Quinta de Pedra"), onde todos os sonhos se perdem. O mundo rui para Lasse, enquanto Pelle enfrenta corajosamente o seu futuro. Lasse aceita impotente e com resignacão o seu destino, ao contrário de Pelle que se adapta e mantém a capacidade de sonhar, facto este que se expressa até a nível linguístico: Pelle aprende e utiliza o dinamarquês após alguns meses na quinta, enquanto Lasse continua a utilizar o sueco cantante de Skåne ao longo de todo o filme (curiosamente, Max Von Sydow nasceu em Lund, sendo o Skånsk provavelmente o seu dialecto original). Pelle estabelece uma relacão de amizade com Erik, o revoltado, e juntos partilham o sonho de se libertar da escravidão da quinta e emigrar para a América e conquistar o mundo. Por fim, mesmo apesar da desistência de tanto Erik como de Lasse, Pelle abandona Stengården e parte sozinho rumo ao desconhecido, deixando uma réstea de esperanca em aberto no final do filme.

O filme é um diamante do cinema escandinavo, talvez um dos maiores. É uma das melhores interpretacões na carreira de Max Von Sydow, premiada com a nomeacão para o Óscar de melhor Actor desse ano. Max Von Sydow é daqueles actores que já fez todos os papéis possíveis e imaginários, entre os quais: em 'The Seventh Seal' (1957) , 'Nils Holgerssons underbara resa' (1962) , como Deus em 'The Greatest Story Ever Told' (1965), como padre em 'The Exorcist' (1973), imperador Ming em 'Flash Gordon' (1980), rei D. João II de Portugal numa série de TV 'Cristovão Colobo' (1985), vilão em 'Minority Report' (2002), entre muitos, muitos, muitos outros (na sua carreira contam-se presencas em 128 filmes desde 1949 até hoje, contando-se producões suecas, dinamarquesas, italianas, francesas, americanas, norueguesas e alemãs). Para além deste, temos a interpretacão infantil de Pelle Hvenegaard (Pelle) e o papel de Bjørn Granath (Erik) como igualmente interessantes. Para os mais ligados ao cinema escandinavo, note-se também um dos primeiros papéis da actriz dinamarquesa Sofie Gråbøl como Miss Sine.

Para os amantes de cinema, recomenda-se. Para os amantes da cultura Escandinava, um filme a não perder, tanto pela mescla de dialectos e tradicões escandinavas, como também pelos pormenores sociohistóricos. E pela paisagem - o cinzento plano e quase desértico da paisagem costeira dinamarquesa é dominante em todo o filme. Para os (ainda) mais interessados, recomenda-se a leitura do livro e talvez até uma visita ao túmulo do autor no cemitério Assistens Kirkegård no bairro de Nørrebro em Copenhaga (juntamente com os túmulos da família Bohr, do filósofo Søren Kirkegaard e o escritor Hans Christian Andersen) . Só de escrever isto, dá-me saudades da Dinamarca!

Hei hei! E até para a semana! ;-)

terça-feira, maio 02, 2006

Bola no Domingo, Hoquei na segunda

No domingo acordei cedo para ir ver o Glorioso.
Local: Charcutaria Micaelense (sim, donos de S. Miguel, Açores, Portugal).
Não foi pelo jogo em si, que pouco mais há a acontecer no campeonato, mas pela experiência.
É mais um bocadinho de Portugal que descubro por aqui. E foi quase tal e qual como acontece por aqui: os sportinguistas a torcerem pelo Setubal e os benfiquistas a gozarem com os sportinguistas e com o resultado do Rio Ave-Sporting.
Falava-se português, por vezes com sotaque açoreano, por vezes com sotaque canadiano, mas falava-se português. Os palavrões estavam lá todos, a garra, a mística e a rivalidade também. E durante hora e meia senti-me quase em casa.
É claro que ver o Benfica a jogar às 11:30 e beber uns martinis e umas cervejas a essa hora foi um bocado estranho, mas a bela da bifana e da cervejola para o almoço caiu que nen ginjas!!!
Depois foi a segunda-feira.
A equipa cá do sítio atingiu um feito que lhe escapava há mais de oito anos. Não, não estou a falar de taças ou campeonatos, mas sim do facto que pela primeira vez nos últimos 8 anos os Oilers passaram a primeira fase dos playoffs da conferência do Oeste. As ruas encheram-se de pessoas mais ou menos embriagadas, mas todas em extâse absoluto. Buzinas, caravanas, camisolas e bandeiras. Uma cidade inteira em festa e eu com vontade de buzinar também, com vontade de ir para a rua e festejar a manutenção da minha briosa, o campeonato do benfica, ou o título de campeão mundial da nossa selecção.
Mas estando o porto como campeão, e eu demasiado longe para a manutenção da briosa, resta-me esperar estar em portugal por alturas da final do campeonato do mundo e gritar tão alto que toda a gente em Edmonton me vai ouvir...
O desporto tem destas coisas...
Abraço,
Virgilio

PS - Lets Go OILERS, Lets GO!
PS2 - BBBBBBBBBRRRRRRRRRRRRRRRRRRIIIIIIIIIIIIIIIIIIOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!!!!!!

segunda-feira, maio 01, 2006

Renováveis

Seguinda a linha de alguns dos últimos posts e discussões, hoje falo sobre as renováveis.

A energia solar, como o nome indica, provém da captação da energia solar e conversão desta noutras formas de energia - térmica ou eléctrica.

Das energias chamadas renováveis, esta é aquela que tem um custo de produção mais elevado (cerca de 320 euros por MW, sensivelmente 4x mais que todas as outras formas de produção de energia), mas estes valores médios serão, na minha opinião, diferentes de país para país devido ao número de horas de Sol e da intensidade da radiação que atinge a superfície.

Foi anunciada, na semana que passou, a construção da maior central solar do mundo no concelho de Serpa, que irá ter capacidade para injectar na rede eléctrica nacional 20 GW anuais. Esta será a maior central do mundo apenas até a de Moura, também no Alentejo estar construida! Esta está dependente da construção inicial de uma fábrica de painéis solares e quando estiver concluida terá uma capacidade de produção mais de 4 vezes superior à de Serpa.

A escolha do Alentejo para a instalação destas centrais não é de todo inocente! Com 2200 horas médias de exposição solar anual, esta é a região da Europa com maior número de horas de exposição solar, o que torna desde logo os projectos nestas áreas atractivos! Pena que demorem tanto a pensar, executar e iniciar!

Os investimentos nas renováveis no nosso país, nestes últimos anos, principalmente desde que Sócrates tomou posse, têm crescido exponencialmente. O objectivo é tentar que a compra de quotas de emissão de carbono seja o mais baixa possível, já que, de outra forma, será impossível cumprir o protocolo de Quioto. Neste particular deveriamos investir muito mais em formas de energia abundantes no nosso país, das quais destaco: solar, marés e biomassa. EM relação à solar, parece-me que estamos no bom caminho. A energia das ondas (marés) é ainda uma miragem. Estão neste momento 8 projectos em fase de testes espalhados pelo país e regiões autónomas. Por último a biomassa, que consiste na queima de detritos e aproveitamento desta queima para produção de energia, chegou à agenda dos responsáveis do país após os gravíssimos incêndios que têm assolado o país nos últimos anos. Irá ser construida a primeira central de biomassa do país no distrito de Coimbra (salvo erro em Vila Nova de Poiares), dentro de poucos anos... Pena que tenha sido necessário arder grande parte do distrito para que as pessoas se apercebessem que afinal ainda era possível obter lucros a partir da silvicultura!

Hoje foi anunciada a construção de uma fábrica de painéis solares no concelho de Oliveira do Bairro, que ambiciona ser lider Europeia do sector. Sendo que os investimentos relacionados com a energia solar têm crescido a um ritmo de 30% ao ano a nível mundial, não me parece um investimento de risco, desde que invistam ao mesmo tempo em I&D pois neste sector, se não o fizeram, rapidamente serão ultrapassados por concorrentes que o façam!

Infelizmente, no estado actual, as energias renováveis não permitem a autosuficiência energética de um país. Tal não significa que não se deva investir nestas formas de energia. Num país como o nosso é um crime que não seja obrigatória a instalação de painéis solares em prédios e casas! Os custos imediatos de tal instalação seriam compensados com a poupança a médio prazo em aquecimento e electricidade! Mas infelizmente, por norma, empreiteiros e particulares, só pensam no imediato e nos custos do projecto, sem saberem que há subsídios aos quais se podem candidatar para instação desses sistemas!

O panorama geral do país é no entanto bastante animador. Espero que o investimento em renováveis e negócios associados a estas continue a crescer. Por um país verde e saudável...;)

Cumprimentos,

RC