segunda-feira, novembro 26, 2007

Até amanhã...

Nesta vida de deslocado há uma situação com a qual cedo aprendemos a ter que lidar. A despedida, o adeus, o até breve... Quase todos os dias novas pessoas nos são dadas a conhecer. Destas, há aquelas com quem imediatamente, mesmo antes de dizermos o nome, sentimos uma empatia inexplicável. Depois há aqueles que vamos conhecendo e sem darmos por ela, cria-se uma relação profunda de amizade. Depois há a maioria, talvez 90% ou mais, que não passam de amigos de circunstância, pessoas que quis o destino que os caminhos se aproximassem mas não se cruzassem.

O que custa mais é quando chega a hora de dizer adeus. Seja uma amizade de 2 anos ou de 2 semanas, tenta-se sempre passar o máximo tempo possível juntos, beber uns copos, mandar umas piadas, rir, pois são as imagens dos últimos momentos juntos que vamos guardar nos tempos que se seguirão à partida.

Foram-se no último mês dois destes amigos. A rota deles, infelizmente seguiu outro caminho e a despedida teve que acontecer. Foram 2 anos num caso e 2 semanas no outro de um pouco de tudo. Rimos, conversámos, falámos, dançámos, discutimos, viajámos, passeámos...Mas no final, fica aquele olhar, o cumprimento, aquele sentimento de que nos vamos encontrar outra vez e que a esfera pessoal ficou naquele instante mais pobre, não por se ter perdido uma amizade, apenas porque ela já ali não está ao virar da esquina!

Por isso, a todos os amigos que estão longe deixo um "Até Amanhã..."

Conheci nestes já 4 anos de vida fora de portas dezenas de pessoas.

domingo, novembro 25, 2007

História de T.

T. é provavelmente a mulher fisicamente mais forte que alguma vez conheci. T. tem 1,72 e pesa 67 kg, apesar de já ter pesado 76 kg aquando do topo da sua carreira de esquiadora de slalom super-G, à uns anos atrás. T. nasceu em Narvik, a cidade que deu a conhecer ao mundo a primeira derrota do exército de super-homens da Wehrmacht. T. foi campeã nacional de esqui slalom super-G duas vezes. T. é uma sorridente norueguesa de 25 anos, de macãs do rosto salientes e fortes, corpo enrijecido e hiperactiva por natureza. T. dorme hoje à noite nos meus bracos, enquanto o vento sopra forte lá fora e a neve cobre o mundo de brancura, uma vez mais. T. é forte, mas vulnerável, aqui e agora, um corpo inerte e quente, macio, inconsciente, distante. T. muda-se para Oslo daqui a uns meses, mas este pormenor é-me ainda desconhecido.

Quando a encontrei sobre a ponte nova da cidade, T. acolheu-me literalmente de bracos abertos, mas isso foi no inicio da noite, pouco mais que uma hora após a meia-noite de sábado. Uma garrafa de vodka ucraniano e duas cervejas depois, estamos os dois de bracos dados a caminho de sua casa, um velho edifício de dois andares de madeira, caiado de amarelo. T. é-me ainda estranha por esta altura da noite, mas é persuasiva e sedutora, num convite prenunciado à porta do tal casarão amarelo. T. não quer dormir sozinha, T. está farta da vida de solteira, das bebedeiras, do enfado e da homogeneidade da vida nocturna, da solidão e do entediamento.

Umas horas depois, pela madrugada tardia do outono, acordo com o som da TV, emissão desportiva de domingo, estafeta de esqui nórdico primeiro e Taca do Mundo de Slalom no Canadá. T. conta-me acerca da sua carreira como esquiadora de alta competicão, das sessões infindáveis de treino, das poucas lesões e das quedas acima dos 120 km/hora, dos acordares no hospital horas depois. T. conta-me dos sonhos de fugir daqui, da nova vida que a espera em Oslo daqui a pouco. T. pergunta-me se a quero ver uma vez mais antes da fuga para o sul.

T. e eu vamos juntos à mercearia local comprar leite e tomamos o pequeno-almoco na casa de uma amiga comum. Quando saio porta fora a meio da tarde de domingo, caminho em direccão a casa bem consciente de que vou ter saudades de T., provavelmente muitas, que vou passar umas noites de telemóvel na mão, na esperanca de uma mensagem oportuna. À espera de uma mensagem que nunca receberei. Quando saio pela porta fora da casa da amiga, e quando T. uma vez mais me rodeia com os seus bracos musculados, estou bem consciente de que esta é a ultima vez que vejo T., uma mulher forte mas sensível, cheia de sonhos e de esperancas de uma vida diferente, dum enredo no qual não faco parte do cenário.

Sobra a brancura virginal da neve recèm caída, imprimem-se os meus passos enquanto caminho, num momento, apenas, interrompidos, até que o nevoeiro e eu nos tormemos um só, uma vez mais, até que novos flocos de neve apaguem a minha passagem por esta paisagem...

quarta-feira, novembro 21, 2007

Michael Moore e o Reino Utópico da Noruega!

Este vídeo no You Tube retirado da versão em DVD do filme "Sicko" de Michael Moore tem criado muitas gargalhadas no meu local de trabalho aqui em Trondheim.

Retrato de Michael Moore da Noruega aqui.

segunda-feira, novembro 12, 2007

Paul Potts

Já tinha visto este vídeo há uns meses, e na altura fiquei simplesmente sem palavras. Hoje voltei a vê-lo e...tremi por dentro.

Uma voz fantástica associada ao facto de uma pessoa simples ter cumprido um sonho, só nos pode dar que pensar que a concretização dos nossos sonhos pessoais só depende de nós próprios!

Cumprimentos

sexta-feira, novembro 09, 2007

Cedo cai a neve...



Cedo vai a neve sobre as colinas que se estendem imponentes defronte da minha janela. E o sol brilha, esporadicamente, timidamente, entre as nuvens que o permitem, entre espacos. Já à quatro longas semanas que o sol não brilhava sobre o fjorde de Trondheim, e comeca-se a notar efeitos nos espíritos e no humor dos locais. Dois dos meus colegas de trabalho (ambos provenientes originalmente de latitudes mais mediterrânicas) estão sob baixa médica e sob o efeito de antidepressivos. Uma terceira vítima das intempéries sazonais descreve o outono setentrional norueguês como "as if I was PMS for the whole three months of autumn" (PMS = pre-menstrual syndrome, Síndroma pré-Menstrual).

Curiosamente, com a chegada do expoente do Inverno, a neve, animam-se os espíritos e as pessoas parecem estar mais felizes. Com a brancura e o silêncio que acompanham a caída da neve, abate-se sob a cidade um clima de animosidade, um suspiro de alívio colectivo que atinge todos e cada um de nós de um modo muito pessoal. Para mim, e para muitos de nós, é a chegada da época de ski e outros desportos de inverno, e o prazer de longas caminhadas de ski de fundo nas montanhas e vales da Noruega, quer sozinho quer acompanhado. Definitivamente, o país resplandece fortemente aquando dos picos das estacões opostas, no Verão e no Inverno. A Primavera, e especialmente o Outono, atingem Trøndelag como os primos mais desfavorecidos entre as estacões do ano. A neve que cobre toda a nacão nos meados de Dezembro acrescentam definitivamente um toque de magia à existência nórdica. E eu, por agora, calco as minhas botas de montanha e preparo-me para uma curta caminhada pela neve sozinho na tarde que se avizinha.

:-)
Paulo

quarta-feira, outubro 31, 2007

Desorganização...

Trago-vos um pequeno episódio que descreve bem 0 quão errada está a cultura do "o que é nacional, não presta"...
O cenário é simples: um amigo nosso mudou de trabalho. Quer dizer, não mudou exactamente de trabalho, mudou apenas de escritório na sua empresa... Estava a trabalhar num país e mudou-se para outro, que não Portugal (não interessa agora para o caso, mas mudou-se para um país que supostamente é uma das nações mais desenvolvidas do Mundo...)
Ora este processo decorreu durante alguns meses - 6 meses para ser mais preciso - e teve o desenlace durante Setembro passado, em que as condições ficaram todas acordadas e se assumiu o compromisso da transferência. Assinaram-se e rasgaram-se os contratos necessários e lá começou a nova etapa. Até aqui tudo normal.
O que é estranho no meio disto é que já lá vão quase 2 semanas de "trabalho" e esse nosso amigo ainda não está efectivamente a trabalhar. Ainda não tem projecto! Já está no escritório a full-time, mas ainda se vai entretendo apenas a fazer alguns cursos de formação online, um bocado para justificar o tempo e não o passar de braços cruzados...
Segundo lhe comunicaram, as pessoas que fazem as equipas nos projectos e colocam os "recursos" nas vagas existentes, apenas foram informadas na semana que antecedeu a sua chegada de que ele ia efectivamente aparecer!... Esplêndido!
(...)
- Olha, para a semana vai aparecer aí um Português para trabalhar...
- Tudo bem, ele que venha na Segunda-feira!
- Dá-lhe lá um computador e um cartão de acesso aos escritórios...
- Eu digo-lhe onde ele pode ir tratar disso tudo, n tem problema!
- Ele que se sente lá à frente duma secretária qualquer, temos lá muitas... Enquanto não aparecer nada para ele fazer, que se vá entretendo, que nós vamos-lhe pagando...
(...)
E ele lá continua... Activamente à espera, porque também não é de se encostar a dormir à sombra do chaparro...

Se isto se tivesse passado em Portugal, era porque o nosso país é uma tristeza, uma desorganização, um terceiro-mundismo bacoco, etc... e que "lá fora" é que era...
Pois bem, "lá fora" as coisas podem ser tão más ou até piores do que em Portugal, é importante não esquecer isso...

domingo, outubro 28, 2007

Tributo - Sex Pistols

Faz hoje 30 anos que lançaram o seu único álbum. Deram voz a uma geração descontente, desiludida e sem perspectivas. Desapareceram tão depressa como apareceram mas, a sua música viverá por muitos mais anos.

Deixo uma das músicas que mais mexeu com a sociedade Inglesa da altura.



RC

sexta-feira, outubro 26, 2007

Nostálgica serenata

Era sinónimo de início de festa, a cidade vestia-se de negro, num luto alegre, ansioso. Para muitos era sinónimo de passar a pertencer a uma família para a qual tinham estado em estágio durante meio ano.

Os anos passaram e fui deixando de assistir ao evento, preferindo as tertúlias com amigos num qualquer tasco da alta da cidade, quiçá procurando fugir a emoções que se tornavam mais fortes há medida que o tempo passava e se tornava mais curto.

Ontem, quando cheguei a casa, resolvi ligar a TV e calhou esta estar sintonizada na rtpi. Inicialmente apenas vislumbrei um vulto negro a cantar, rodeado de mais vultos negros. Depois ouvi as guitarras, vislumbrei a multidão negra no escuro da noite, a fantástica renovada fachada da Velha Sé e...e reconheci o vulto cuja voz saía pelas colunas da minha TV. Sim, era ele mesmo, antigo colega de copos, como se tornavam todos aqueles que comigo aderiam à praxe, ali estava ele perante milhares de pessoas a declamar o fado de Coimbra. E fiquei na mesma posição durante o resto da Serenata Monumental da Queima das Fitas 2007, a relembrar os momentos vividos enquanto estudante da academia Coimbrã.

Até que o afe-erre-a começou, e acordei do sonho em que me encontrava e cantei-o também, baixinho para não incomodar os vizinhos e atirei a minha pasta imaginária ao ar com as fitas azul celeste dependuradas. E depois, depois deu-se início à festa que sempre durou uma semana.

Cumprimentos nostálgicos,

RC

ps: e para o Alberto vai um Grande Afe-ERRE-A ;)

segunda-feira, outubro 15, 2007

Portugal é o segundo país com melhores políticas de integração de migrantes

Jornal o Publico

Portugal é o segundo país com melhores políticas de integração de migrantes
Lusa

Portugal é o segundo país de uma lista de 28 (25 Estados-membros da União Europeia, Canadá, Noruega e Suíça) com melhores políticas de integração de migrantes, nomeadamente no acesso ao mercado de trabalho, reagrupamento de famílias e práticas contra a discriminação.

As conclusões fazem parte do estudo "Index de Políticas de Integração de Migrantes 2006", ao qual a Lusa teve hoje acesso e que será apresentado amanhã em Lisboa, um trabalho feito por um consórcio de organizações europeias, lideradas pelo British Council e pelo Migration Policy Group, em Bruxelas.

No topo da tabela surge a Suécia, com uma média de 88 pontos (em cem possíveis) em seis itens de análise: acesso ao mercado de trabalho, reagrupamento familiar, residência de longa duração, participação política, aquisição de nacionalidade e antidiscriminação.

Portugal surge no segundo lugar, com 79 pontos, seguido da Bélgica (69 pontos), Holanda (68 pontos) e Finlândia e Canadá (ambos em quinto lugar, com 67 pontos).

No global, os Estados-membros da União Europeia estão a fazer apenas metade do que poderiam fazer para melhor integrar os migrantes, consideram os investigadores do consórcio de 25 organizações europeias - em Portugal, a parceira é a Fundação Calouste Gulbenkian.

O estudo faz um "ranking" das políticas destinadas a integrar os 21 milhões de migrantes em 25 Estados-membros, bem como no Canadá, Noruega e Suíça, analisando 140 indicadores que incluem: direitos dos imigrantes no local de trabalho, oportunidades para se fixarem de forma permanente no país-destino, leis de combate ao racismo e à discriminação e possibilidade de reunificação de famílias.

Nos piores lugares da tabela surgem a Eslováquia e a Grécia (40 pontos de média), Áustria e Chipre (com 39 pontos) e Letónia (30 pontos).

sexta-feira, outubro 12, 2007

Al Gore e o Nobel da Paz 2007




Hoje foi anunciado no Comité Nobel do parlamento norueguês Stortinget, às 11 horas da manhã locais, o vencedor do prémio Nobel da Paz de 2007. Os vencedores foram o Painel Climático das Nacões Unidas (IPCC) e o ex-vice-presidente norte-americano Al Gore (vice-presidente durante o período em que Bill Clinton foi presidente dos EUA, 1992-2000). Al Gore partilha o prémio devido ao seu esforco em pôr em relevo o problema ecológico proporcionado pelo uso de combustíveis fósseis, quer pela presenca no filme "An Incovenient Truth" em princípios de 2007, quer pela campanha que este encetou tanto na opinião pública americana como a nível internacional.

A escolha é evidentemente político, de forma a pôr em relevo o movimento ecologista internacional e a campanha para a reducão das emissões de CO2 e outros gases causadores do efeito de estufa para a atmosfera. Lembre-se que não é a primeira vez que a comissão Nobel norueguesa foca en questões ecologistas. A vencedora em 2004, Wangari Maathai, tambêm se distinguiu pela sua contribuicão social e ecologista no Quénia, através das suas campanhas pela reflorestacão e fixacão do solo no este africano.

Para compreender a atribuicão deste prémio a Al Gore e ao Painel Climático das Nacões Unidas, é necessário compreender o contexto político norueguês actual. O governo liderado pelo primeiro-ministro Jens Stoltenberg tem lutado de forma árdua pela reducão da producão e libertacão de gases contribuidores para o efeito de estufa, quer a nível interno, quer a nível das Nacões Unidas. Jens Stoltenberg liderou recentemente uma conferência internacional organizada pelas Nacões Unidas à poucas semanas atrás. Também tem sido um dos líderes ocidentais que mais tem-se esforcado pelo investimento em tecnologia de producão de energias renováveis na China.

Al Gore anunciou que irá doar o prémio monetário à organizacão ecologista The Alliance for Climate Protection.

Segue-se certamente uma certa dose de polémica e discussão em volta desta atribuicão, quer por parte daqueles que (ainda) não acreditam em causas humanas em relacão ao fenómeno do aquecimento global, quer por parte dos movimentos ecologistas que consideram Al Gore como um hipócrita (recorde-se a polémica que surgiu quando Al Gore recusou prometer a reducão do consumo de electricidade nas suas propriedades). O prémio já causou algumas ondas no cenário político norte-americano, onde certos círculos eleitorais democráticos têm esperanca na (re)candidatura deste ex-candidato à presidência (lembre-se que Al Gore foi o candidato democrata nas eleicões de 2000, onde perdeu por curta margem contra o actual presidente George W. Bush, depois de um longo e polémico processo de contagem de votos).

O prémio será atribuido numa cerimónia oficial na Oslos Rådhus (Câmara Municipal de Oslo) a 10 de Dezembro.

terça-feira, outubro 09, 2007

Sicko

"Sicko" é o título do ultimo filme do polémico realizador de documentários norte-americano Michael Moore. O filme debruca-se numa análise extremamente crítica do sistema de saúde privado norte-americano, e compara-o com o sistema universal público de diversos paises, como o Canadá, o Reino Unido, a Franca, e, surpreendentemente, Cuba. O filme comeca com a exposicão de vários casos individuais de falhas na prestacão de servicos médicos devido a problemas com as seguradoras, expostos num tom trágico-cómico. De seguida enceta o realizador uma viagem ao país vizinho no norte, no mesmo estilo de comparacão visto em "Bowling for Columbine". Quando Michael Moore se decide a cruzar o Atlântico para analizar o sistema nacional de saúde britânico e francês, o filme atinge o pico de ironia e de hilariedade, quando se vê o contraste com o sistema americano. O realizador é claramente parcial e a imagem com que se fica do sistema de saude publico vigente na Europa é quase a de um idílio utópico e sem mácula. O unico lado que transcende é o positivo. Mas por outro lado, perdoa-se os excessos de parcialidade do autor quando se toma em consideracão o objectivo do filme: o de pôr a nu as falhas do sistema semi-privado norte-americano.

O filme atinge os picaros do surrealismo no ultimo terco da exposicão narrativa. Michael Moore reune alguns trabalhadores voluntários que participaram na limpeza da zona das torres gémeas depois do 11 de setembro, e desloca-se à base de Guantanamo para exigir tratamento médico gratuito a estes trabalhadores. O filme termina com a alternativa bizarra do uso do sistema de saúde cubano.

O filme é caracterizado pelo mesmo estilo irreverente com que Michael Moore nos habituou, mas mais do que nos anteriores, fica-se com a sensacão gritante de que algo está verdadeiramente mal no sistema norte-americano. Muitos críticos classificaram este filme como mais apolítico que os anteriores, mas a impressão com que fico é a de o oposto. A unica diferenca é a de que desta vez ambos os partidos sofrem a mesma crítica.

quarta-feira, outubro 03, 2007

Olha a juventude inconsciente...

Olá!

Pesquei esta no Público de hoje, e parti-me a rir:

http://www.youtube.com/watch?v=8eIuIPUdS1s

O homem estava um bocado confuso na altura... ahahah

:-)
Paulo.

terça-feira, outubro 02, 2007

Biocombustíveis podem ser piores para o clima do que o petróleo

Biocombustíveis podem ser piores para o clima do que o petróleo

02.10.2007, Ana Fernandes, O Publico

As emissões da produção de biocombustíveis suplantam os benefícios do seu uso


As dúvidas sobre o impacto positivo do uso de biocombustíveis crescem a cada dia que passa. Acusados de destruir as florestas tropicais e de contribuir para o aumento do preço dos alimentos, agora é a sua própria razão de ser que é posta em causa. Um estudo do Prémio Nobel da Química, Paul J. Crutzen, indica que estes podem ser piores para o clima do que os combustíveis fósseis.

A acusação não é nova. Já muitos fizeram as contas à energia gasta para os produzir, comparando-a com aquela que geram, concluindo que, nalguns casos, o balanço era negativo. Desta vez, Crutzen, do Instituto Max Planck de Química (Alemanha), com colegas americanos, austríacos e britânicos, avança que o óxido nitroso libertado pelo uso de fertilizantes nas culturas energéticas tem piores efeitos que os gases emitidos pelo uso de petróleo.
Segundo o estudo, publicado na revista Atmospheric Chemistry and Physics, a colza, muito usada na Europa para o biodiesel, e o milho, que nos EUA está na base do etanol, produzem entre 50 a 70 por cento mais gases com efeito de estufa do que os combustíveis fósseis. Isto por causa das emissões de óxido nitroso - um subproduto dos fertilizantes à base de nitrogénio usados na agricultura -, que tem 296 vezes mais potencial de aquecimento global que o dióxido de carbono.
A investigação liderada por Crutzen chega a resultados três a cinco vezes mais graves do que anteriores análises de ciclo de vida feitas sobre os biocombustíveis. Isto sem terem incluído nas contas a energia gasta para transformar os materiais agrícolas em combustíveis, sublinham os autores, que podem ainda tornar mais evidentes os efeitos negativos do seu uso.
De todos os materiais agrícolas usados na produção de biocombustíveis, o que continua a surgir como o que oferece mais benefícios é a cana-de-açúcar. Mas como estas culturas estão situadas nos trópicos, crescem os receios sobre o seu impacto em relação às florestas. Mesmo que não sejam as causadoras directas da destruição, são acusadas de, na ânsia de procurar novos terrenos, empurrar outras culturas, como a soja e as pastagens, para dentro da mancha verde.
Os autores aconselham a mais estudos sobre o ciclo de vida dos biocombustíveis e defendem que os cientistas e os agricultores devem apostar em culturas e métodos de cultivo menos intensivos. Mas, neste momento, tal como está a ser produzido, "o etanol feito a partir do milho não passa de um exercício inútil", disse um dos autores, Keith Smith, à Reuters.
A febre do etanol nos EUA está a atingir o seu pico, relata o New York Times. A corrida, com preços nunca vistos do milho e o aumento do preço dos alimentos, provocou excesso de oferta, que não encontra escoamento e está a pressionar os preços em baixa. O ritmo a que foram construídas as destilarias não foi acompanhado pela distribuição e a abundância de etanol no mercado assusta os investidores. O problema é que este biocombustível é corrosivo e permeável à água e impurezas, pelo que não pode ser distribuído pela rede de oleodutos, o que satura os outros meios de transporte, inundados pelo novo produto.

quinta-feira, setembro 27, 2007

Santana Lopes vs Mourinho

Eu até nem gosto da personagem, mas desta vez tem todo o meu apoio. Só mesmo visto é que se percebe o ridículo da situação...

Birmânia, Burma ou MyanMar

Já não era sem tempo que MyanMar começa a ser falado e discutido no "democrático" conselho de segurança da ONU. Infelizmente foi pelos piores motivos. Há mais de um mês que os monges budistas (são entre 500.000 e 600.000 no país) iniciaram uma marcha pacífica rumo à capital Rangum. Ontem começaram a ser reprimidos, e a comunidade internacional, com receio de que se volte a registar um banho de sangue como o que aconteceu nas repressões de 1988, onde morreram cerca de 3000 pessoas e muitas desapareceram, ameaça com sanções o regime Birmanês.

Espero escrever um pouco mais sobre este tema em breve, mas para já deixo apenas o link para uma petição online que está a circular e que me foi enviado por uma amiga Birmanesa. Como ela própria diz, demora 30s a preencher e poderá ajudar o povo Birmanês. Não custa assim tanto, por isso, cliquem aqui e assinem.

Cumprimentos

RC

terça-feira, setembro 25, 2007

Um dia de sol!

Um dos aspectos da vida nórdica que mais me espanta e me faz pensar é o fenómeno da relacão entre o clima actual e a disposicão ou estado de espírito da populacão. Recordo um episódio, aqui à 5 anos e meio atrás, aquando da chegada a Trondheim. Encontrei-me uma vez com uma veterana lusa destacada nestas latitudes setentrionais já à largos anos, e quando interrogada acerca de "qual é a maior diferenca entre Portugal e a Noruega?", recebi a lacónica resposta "A Noruega tem estacões do ano, Portugal não tem".

Nas ultimas 4 semanas temos sido fustigados por permanente céu cinzento, ventos fortes, chuvadas contínuas, descidas subitas da temperatura até chegar aos limiares do ponto de congelacão. O meu humor tem sofrido os efeitos desgastantes do clima e isso reflecte-se na disposicão daqueles que me rodeiam no dia-a-dia. Ao fim de umas semanas, comeca um imigrante a interrogar-se acerca das razões, agora quase esquecidas, segundo as quais uma pessoa se decide a migrar dum pais quase sub-tropical para esta tundra.

Hoje, por forca da metereologia, está toda a gente bem-disposta nesta cidade. O sol brilha triunfante no céu azul-sueco e os sorrisos e gentilezas multiplicam-se nos locais de trabalho. Quase dá vontade de largar a lavoura e sair para explorar a felicidade de um dia de sol, quer em longas caminhadas pela floresta ou simplesmente no porto da cidade sentado na esplanada com uma loura pela frente (cerveja ou humana, de preferência as duas). Não admira que uma boa parte do orcamento familiar local seja utilizado no inverno em viagens relâmpago de fim-de-semana a esse tão desejado refúgio ensolarado, por aqui também conhecido como "syden" (literalmente, "o Sul").

quinta-feira, setembro 06, 2007

De volta à guerra fria!

Nas ultimas semanas tem-se registado um aumento da actividade aérea por parte de bombardeiros militares russos ao longo das fronteiras dos países vizinhos, tais como a Grã-Bretanha ou a Noruega. Como resposta tem-se tornado habitual ler nos jornais noruegueses sobre mais uma vez que se manda um par de cacas F-16 para manter os ditos bombardeiros do lado correcto da fronteira. Isto tem acontecido com uma regularidade de 2 por semana nos ultimos meses. Desde que Putin assumiu uma posicão de protesto em relacão à construccão de radares de defesa anti-missil por parte dos EUA na República Checa que se tem assistido a este reescalar do uso do aparelho militar russo.

Interrogo-me sobre o que é que se ganha com isto. A Rússia gasta uma parte do orcamento a patrulhar a fronteira dum pais que não impõe qualquer risco do ponto de vista militar ou político. A Noruega tem de gastar dinheiro a manter no ar cacas para defender a suberinidade da dita fronteira. Esta situacão só aumenta a tensão e as probabilidades de acontecer um acidente com graves consequências internacionais. E para quê?

quinta-feira, agosto 30, 2007

Music by SAAB

No último ano, a SAAB brindou o público Sueco (e talvez de outros países) com anuncios fabulosos e acima de tudo, deu a conhecer artistas fantásticos.

O primeiro anuncio foi o que se segue.

A música é interpretada por Oh Laura e deixo-vos aqui o link para a sua página no My Space. Apenas acrescento que 2 semanas após o lançamento do anúncio a música Release Me era a mais "downloaded" na Suécia. Não sei como lhe estão a correr as vendas do album que foi lançado no início do Verão, mas suponho que bem, pois uma voz daquelas encanta qualquer um!


Desta vez foi Nina Kinert a escolhida. Ao ouvir a música Through Your Eyes apetece fechar os olhos e simplesmente deixar-nos ir. Deixo o anúncio da SAAB e o link para a sua página no my space.



Cumprimentos

RC

sexta-feira, agosto 24, 2007

Imagem de Portugal na Suécia

A imagem que os Suecos que nunca visitaram o nosso país têm deste não é a melhor! Antes de mais muitos pensam que seremos uma qualquer região espanhola e que o espanhol é a nossa língua. Os mais informados, conhecem Portugal como o país que consecutivamente ultrapassa o limite do défice dos 3% imposto pelo PEC da UE e incapaz de gerar riqueza. Depois há os que, por azar, apanham documentários portugueses como aquele que apanhei ontem no canal público SVT2. Apanhei-o a meio, por isso não sei o contexto global do trabalho apresentado, mas um sueco que tivesse apanhado o documentário também a meio, ficaria com a ideia que Portugal era um país de pedintes e que os jovens seriam pessoas sem esperança nenhuma na vida.

Para sempre vai ficar a dissertação de um dos jovens entrevistados, estudante de filosofia na Universidade de Lisboa, que vou tentar transcrever o mais fielmente possível:

"Há dois pontos em relação em relação à conclusão do curso:

Ponto 1: quanto mais depressa o terminar mais depressa vou para o desemprego!
Ponto 2: quanto mais depressa o terminar mais depressa terei que sair de casa!"

Uma imagem, sem dúvida, de esperança no futuro. Isto vindo de alguém que acampa em frente a uma fnac para comprar a mais recente versão de um jogo de computador, que passa horas a jogar, que afirma durante a entrevista que é bom jogar estes jogos de guerras fantasistas pois são coisas que um dia podem acontecer e desta forma estarei preparado para elas.

Já há poucos dias tinha passado um documentário (este não vi) em que compararam Portugal a um país de 3o mundo. Mostraram imagens de Lisboa à noite, com pessoas a dormir na rua, a comer a sopa dos pobres e pouco mais! Não percebo o porquê destes documentários. Mas o que é certo é que um colega de trabalho de um amigo meu, após ver este documentário veio-lhe perguntar se aquilo era mesmo assim. O meu amigo disse que não e que ele fosse ver como era. E ele foi e veio de lá maravilhado! Comparou o sul do país à terra santa (é de origem palestiniana) e disse que iria lá voltar! Nada mau para um país de 3o mundo!

Enfim, e assim se dá uma imagem de um país, que embora vivendo em dificuldades, não corresponde em nada à realidade de um portuguÊs comum!

Cumprimentos

RC

quarta-feira, agosto 15, 2007

Tributo

Dizia no calendário que estavamos em 1999 e lá estava eu a dar os meu primeiros passos como caloiro de bioquímica em Coimbra.
Não interessa bem como nem porquê mas nesse ano fui baptizado como Meiestro e incumbido de fazer passar a tradição e escolher o caloiro mais "destrambelhado" de cada ano para ser o caloiro Meiestro...
Cumpri a minha missão ano após ano e quando finalmente chegou a minha hora de deixar Portugal em busca de mais ciência ficaram outros Meiestros já veteranos no assunto encarregues de tratar desse assunto.
A semana passada recebi a triste notícia que o actual Meiestro morreu num acidente de viação.
Não o conheci mas tenho a certeza que honrava a componente "destrambelhada" dos Meiestros mas também a componente humana dos futuros bioquímicos.
Não queria deixar de prestar o meu tributo!