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domingo, janeiro 13, 2008

De volta à idade média (II)!

Hoje ouvi duas notícias no telejornal local que me deixaram perplexos e a pensar em que sentido é que a sociedade internacional actual está a (des)evoluir. Ora aqui estão elas:

1. Há 5 anos atrás sucumbiram 71 pessoas num trágico acidente aéreo sobre Überlingen na Alemanha, a maior parte criancas e adolescentes, quando dois aviões colidiram no céu no dia 2 de Julho de 2002. Rapidamente se descobriu que foi devido a um erro dos controladores aéreos do aeroporto de Zurique, que por motivos de manutencão, estavam reduzidos a apenas um controlador activo naquela mesma noite. Segundo testemunhos na altura do acidente, o controlador aéreo caiu imediatamente em depressão e abandonou o emprego. O controlador, o dinamarquês Peter Nielsen, foi depois assassinado à facáda em sua casa em frente à sua família pelo marido e pai de três das vítimas no acidente, o arquitecto russo Vitalij Kalojev, dois anos depois do acidente. Kalojev foi sentenciado a oito anos de cadeia, mas foi liberto em Novembro de 2007, depois de 5 anos e meio da sua sentanca, por bom comportamento. Aquando da sua chegada ao aeroporto de Moscovo, Kalojev foi homenageado e recebido como herói por uma multidão, empunhando cartazes onde se lia "Tu és um verdadeiro homem, Nalojev!", devido à sua facanha de vinganca. Hoje foi conhecido na imprensa internacional, que Nalojev aceitou o emprego como vice-ministro da construccão civil na república russa da Norte-Ossétia, no Caucaso, isto depois de uma chuva de várias centenas de ofertas de emprego na região.

Comentário: Que a família do tal Nalojev tenha morrido no acidente aéreo é uma tragédia, nisso estamos todos de acordo! Que o homem se tenha descontrolado e morto o controlador aéreo, que tanto se sabe, agiu de boa fé na noite do acidente, é ainda outra tragédia. Acto de desvairo e irracionalidade, mas compreensível. Agora que uma multidão inteira o veja como herói, isto sim, é uma barbaridade à moda da idade média!!!


2. Hoje o novo papa Benedicto XVI presidiu uma liturgia onde foram baptizadas 13 criancas. Quanto a isto, nada de novo. Aquilo que foi diferente nesta missa foi o facto de o papa ter readoptado a tradicão anterior ao Concílio Vaticano II iniciado na década de '60, isto é, parte da missa foi dada em latim e com o sacerdote virado para o altar, em vez de estar virado para a multidão, como é costume corrente actual.

Comentário: os argumentos que defendem o uso do latim são, quanto a mim, tremendamente frágeis. As cópias preservadas do Antigo Testamento estão escritas em diferentes dialectos do Hebreu antigo e o Novo Testamento está escrito originalmente em grego ou aramaico, segundo a opinião (dividida) dos especialistas. A adopcão do latim como língua oficial da religião cristã católica romana prende-se mais com razões histórico-políticas do que em qualquer razão sustentada pela própria Bíblia. O uso do latim suportava-se pela necessidade do uso de uma língua universal e unificadora por altura do auge do Império Romano, mas desde da dissolucão deste, que o uso do latim serviu mais como entrave para a compreensão da Bíblia por parte do povo do que o da dispersão e compreensão da palavra divina. O próprio costume simbólico de dar a missa virado para a multidão tem (tinha?) como funcão o de comunicar a palavra de Deus e abrir uma linha de diálogo entre a divindade e os Seus seguidores. Com o virar do pastor em direccão ao Altíssimo, vira-se as costas ao homem e o papel dos crentes passa a ser, simbolicamente, o de meros adoradores e submissos em relacão ao divino. Mais uma vez, à moda da Idade Média!!!

;-)
Paulo

terça-feira, janeiro 08, 2008

How to sing your national anthem!

In the last Rugby World Cup that took place in France, in the months of september and october of 2007, Portugal become the first totally amateur team to get to the world cup level. The sport results were not the best (Portugal lost all the games it played in the group stage), but the enthusiasm and the dedication that the players showed during this games sent waves around the world. Specially the way the players sang the national anthem before the games. Some of my friends described the fervour that the players experienced during those moments, but only recently I found a video of it on the internet. There is a blend of sweat, tears, comradeship, fervour, pride, dedication and a lot of enthusiasm in this all-singing troop that I wanted to share with you in this post. It makes me smile each time I see it. It is both touching and (very) entertaining to watch, and together with the haka that the New Zealnd team shows right after, it makes one wonder if it is a sporting event or a ritual battle we are going to watch next.

segunda-feira, dezembro 03, 2007

The danish language!!!

The following trailers are taken from a very known norwegian comedy show ("Uti Vår Hagen") produced by a group of comedians known as Team Antonsen. It has become very famous in Norway and introduced the word kamelåså in everyday slang (it means "something that sounds like danish but actually does not mean anything"). These trailers are very funny for norwegians due to the phonetic problems that both norwegians and swedes have in understanding spoken danish (in the same degree as spaniards have problems with spoken portuguese), although the writen forms of these languages are almost identical. Some danes actually agree that they felt a bit identified in theses sequences!!! The brilliance of the squetches has to do with the fact that for a non-danish, the "language" the actor speaks actually sounds like danish (although is mainly giberish or extremely distorted norwegian), and even the accent on their english sounds like real danish accent in english. At the end of the second trailer, the comedians start joking with their own language problems (Norway has two official languages: bokmål and new norwegian, and the actors joke with this too).

For anyone who has lived in Denmark, learned or tried to learn danish, than you will feel very much recognized in theses squetches.





domingo, dezembro 02, 2007

Kent: skandinavias største konsert opplevelse

I går kom den svenske rock/pop gruppen Kent igjen til Trondheims Spektrum og holdte sin andre konsert i Norges bygdehovestad. Jeg ble overrasket rett etter å ha kommet inn i hallen, på grunn av antall mennesker over 30 i rommet, noe som kan delvis forklares på at konserten kom rett i midten av universitets eksamsesong. Etter to timers venting, da kom skandinavias største rockband i full prakt og åpnet konserten med "Vy från ett luftslott", som ble fulgt av "Berlin", begge fra siste albumet "Tilbake til samtiden". Stemning gikk opp til værs og vi ble levert med en først rang audio og visuell forestilling. Spesiellt når "Kevlar själ" ble framført og rommet ble fullt av laserstråler, som sammen med røyken og en gigantisk skjerm bak stjernene, formidlet oss med en fantastisk konsert opplevelse. Gorillaer, flyvende ørner og hoppende delfiner ga bakgrunn til de fleste låter. Gamle og nye sanger blandet seg på en jevnt måte og ga tilskuerne en fin kontinuitet mellom temaene. Klassiker som "Musikk Non-Stopp", "Kärleken väntar", "Vinter02" og den legendariske "747" passet bra med "Elefanter", "Ingenting" eller "Ensammast i Sverige". Konserten avsluttet med "Mannen i den vita hatten", i felles med konsertene i den siste turneen. Elsket detaljen av den oppstigende solen som kom opp med første sangen og nedstingende når gruppen forlot oss siste gang (etter to ekstranummer!). Gruppen opptrede veldig proff og erfaren og Jockes sjarmert publikum med enkle repliker. Alle forlot Spektrum helt fornøyd. Definitivt terningkast 6!

Jeg må innrømme at min reaksjon til "Tilbake til samtiden" var først av en del skepsis. "Ingenting" var fantastisk og fanget lytternes smak rett fra først gang man hører den, men når man hører på refrang til "Elefanter", blir man litt skremt av tonen som ble lagt til resten av albumet. Albumet er dyster og melankolsk som vanlig med alle Kents verk, med noen strøk av nostalgi. Iblant minner meg sterkt på Depeche Mode, musikalsk sett. Personlig, gleder meg med ideen at en av gruppens favoritt tekster i det nye albumet er også min egen, og det gjenspeiler mitt forhold til Norge (og muligens Jockes personlig forhold til Stockholm?):

"Stockholm vaknar långsamt
och jag är full igen
Snön hyr ut sin oskuld
till hela Kungsholmen
Och det känns som när vi kom hit
till möjlighetens land
Du kan följa mina spår hem
Columbus var mitt namn"


(perdoem-me os nacionalistas lusitanos, mas este post é uma crítica a um grupo de rock sueco, conhecido apenas dentro da escandinávia: daí o pecado linguístico!)

domingo, novembro 25, 2007

História de T.

T. é provavelmente a mulher fisicamente mais forte que alguma vez conheci. T. tem 1,72 e pesa 67 kg, apesar de já ter pesado 76 kg aquando do topo da sua carreira de esquiadora de slalom super-G, à uns anos atrás. T. nasceu em Narvik, a cidade que deu a conhecer ao mundo a primeira derrota do exército de super-homens da Wehrmacht. T. foi campeã nacional de esqui slalom super-G duas vezes. T. é uma sorridente norueguesa de 25 anos, de macãs do rosto salientes e fortes, corpo enrijecido e hiperactiva por natureza. T. dorme hoje à noite nos meus bracos, enquanto o vento sopra forte lá fora e a neve cobre o mundo de brancura, uma vez mais. T. é forte, mas vulnerável, aqui e agora, um corpo inerte e quente, macio, inconsciente, distante. T. muda-se para Oslo daqui a uns meses, mas este pormenor é-me ainda desconhecido.

Quando a encontrei sobre a ponte nova da cidade, T. acolheu-me literalmente de bracos abertos, mas isso foi no inicio da noite, pouco mais que uma hora após a meia-noite de sábado. Uma garrafa de vodka ucraniano e duas cervejas depois, estamos os dois de bracos dados a caminho de sua casa, um velho edifício de dois andares de madeira, caiado de amarelo. T. é-me ainda estranha por esta altura da noite, mas é persuasiva e sedutora, num convite prenunciado à porta do tal casarão amarelo. T. não quer dormir sozinha, T. está farta da vida de solteira, das bebedeiras, do enfado e da homogeneidade da vida nocturna, da solidão e do entediamento.

Umas horas depois, pela madrugada tardia do outono, acordo com o som da TV, emissão desportiva de domingo, estafeta de esqui nórdico primeiro e Taca do Mundo de Slalom no Canadá. T. conta-me acerca da sua carreira como esquiadora de alta competicão, das sessões infindáveis de treino, das poucas lesões e das quedas acima dos 120 km/hora, dos acordares no hospital horas depois. T. conta-me dos sonhos de fugir daqui, da nova vida que a espera em Oslo daqui a pouco. T. pergunta-me se a quero ver uma vez mais antes da fuga para o sul.

T. e eu vamos juntos à mercearia local comprar leite e tomamos o pequeno-almoco na casa de uma amiga comum. Quando saio porta fora a meio da tarde de domingo, caminho em direccão a casa bem consciente de que vou ter saudades de T., provavelmente muitas, que vou passar umas noites de telemóvel na mão, na esperanca de uma mensagem oportuna. À espera de uma mensagem que nunca receberei. Quando saio pela porta fora da casa da amiga, e quando T. uma vez mais me rodeia com os seus bracos musculados, estou bem consciente de que esta é a ultima vez que vejo T., uma mulher forte mas sensível, cheia de sonhos e de esperancas de uma vida diferente, dum enredo no qual não faco parte do cenário.

Sobra a brancura virginal da neve recèm caída, imprimem-se os meus passos enquanto caminho, num momento, apenas, interrompidos, até que o nevoeiro e eu nos tormemos um só, uma vez mais, até que novos flocos de neve apaguem a minha passagem por esta paisagem...

quarta-feira, novembro 21, 2007

Michael Moore e o Reino Utópico da Noruega!

Este vídeo no You Tube retirado da versão em DVD do filme "Sicko" de Michael Moore tem criado muitas gargalhadas no meu local de trabalho aqui em Trondheim.

Retrato de Michael Moore da Noruega aqui.

sexta-feira, novembro 09, 2007

Cedo cai a neve...



Cedo vai a neve sobre as colinas que se estendem imponentes defronte da minha janela. E o sol brilha, esporadicamente, timidamente, entre as nuvens que o permitem, entre espacos. Já à quatro longas semanas que o sol não brilhava sobre o fjorde de Trondheim, e comeca-se a notar efeitos nos espíritos e no humor dos locais. Dois dos meus colegas de trabalho (ambos provenientes originalmente de latitudes mais mediterrânicas) estão sob baixa médica e sob o efeito de antidepressivos. Uma terceira vítima das intempéries sazonais descreve o outono setentrional norueguês como "as if I was PMS for the whole three months of autumn" (PMS = pre-menstrual syndrome, Síndroma pré-Menstrual).

Curiosamente, com a chegada do expoente do Inverno, a neve, animam-se os espíritos e as pessoas parecem estar mais felizes. Com a brancura e o silêncio que acompanham a caída da neve, abate-se sob a cidade um clima de animosidade, um suspiro de alívio colectivo que atinge todos e cada um de nós de um modo muito pessoal. Para mim, e para muitos de nós, é a chegada da época de ski e outros desportos de inverno, e o prazer de longas caminhadas de ski de fundo nas montanhas e vales da Noruega, quer sozinho quer acompanhado. Definitivamente, o país resplandece fortemente aquando dos picos das estacões opostas, no Verão e no Inverno. A Primavera, e especialmente o Outono, atingem Trøndelag como os primos mais desfavorecidos entre as estacões do ano. A neve que cobre toda a nacão nos meados de Dezembro acrescentam definitivamente um toque de magia à existência nórdica. E eu, por agora, calco as minhas botas de montanha e preparo-me para uma curta caminhada pela neve sozinho na tarde que se avizinha.

:-)
Paulo

sexta-feira, outubro 12, 2007

Al Gore e o Nobel da Paz 2007




Hoje foi anunciado no Comité Nobel do parlamento norueguês Stortinget, às 11 horas da manhã locais, o vencedor do prémio Nobel da Paz de 2007. Os vencedores foram o Painel Climático das Nacões Unidas (IPCC) e o ex-vice-presidente norte-americano Al Gore (vice-presidente durante o período em que Bill Clinton foi presidente dos EUA, 1992-2000). Al Gore partilha o prémio devido ao seu esforco em pôr em relevo o problema ecológico proporcionado pelo uso de combustíveis fósseis, quer pela presenca no filme "An Incovenient Truth" em princípios de 2007, quer pela campanha que este encetou tanto na opinião pública americana como a nível internacional.

A escolha é evidentemente político, de forma a pôr em relevo o movimento ecologista internacional e a campanha para a reducão das emissões de CO2 e outros gases causadores do efeito de estufa para a atmosfera. Lembre-se que não é a primeira vez que a comissão Nobel norueguesa foca en questões ecologistas. A vencedora em 2004, Wangari Maathai, tambêm se distinguiu pela sua contribuicão social e ecologista no Quénia, através das suas campanhas pela reflorestacão e fixacão do solo no este africano.

Para compreender a atribuicão deste prémio a Al Gore e ao Painel Climático das Nacões Unidas, é necessário compreender o contexto político norueguês actual. O governo liderado pelo primeiro-ministro Jens Stoltenberg tem lutado de forma árdua pela reducão da producão e libertacão de gases contribuidores para o efeito de estufa, quer a nível interno, quer a nível das Nacões Unidas. Jens Stoltenberg liderou recentemente uma conferência internacional organizada pelas Nacões Unidas à poucas semanas atrás. Também tem sido um dos líderes ocidentais que mais tem-se esforcado pelo investimento em tecnologia de producão de energias renováveis na China.

Al Gore anunciou que irá doar o prémio monetário à organizacão ecologista The Alliance for Climate Protection.

Segue-se certamente uma certa dose de polémica e discussão em volta desta atribuicão, quer por parte daqueles que (ainda) não acreditam em causas humanas em relacão ao fenómeno do aquecimento global, quer por parte dos movimentos ecologistas que consideram Al Gore como um hipócrita (recorde-se a polémica que surgiu quando Al Gore recusou prometer a reducão do consumo de electricidade nas suas propriedades). O prémio já causou algumas ondas no cenário político norte-americano, onde certos círculos eleitorais democráticos têm esperanca na (re)candidatura deste ex-candidato à presidência (lembre-se que Al Gore foi o candidato democrata nas eleicões de 2000, onde perdeu por curta margem contra o actual presidente George W. Bush, depois de um longo e polémico processo de contagem de votos).

O prémio será atribuido numa cerimónia oficial na Oslos Rådhus (Câmara Municipal de Oslo) a 10 de Dezembro.

terça-feira, outubro 09, 2007

Sicko

"Sicko" é o título do ultimo filme do polémico realizador de documentários norte-americano Michael Moore. O filme debruca-se numa análise extremamente crítica do sistema de saúde privado norte-americano, e compara-o com o sistema universal público de diversos paises, como o Canadá, o Reino Unido, a Franca, e, surpreendentemente, Cuba. O filme comeca com a exposicão de vários casos individuais de falhas na prestacão de servicos médicos devido a problemas com as seguradoras, expostos num tom trágico-cómico. De seguida enceta o realizador uma viagem ao país vizinho no norte, no mesmo estilo de comparacão visto em "Bowling for Columbine". Quando Michael Moore se decide a cruzar o Atlântico para analizar o sistema nacional de saúde britânico e francês, o filme atinge o pico de ironia e de hilariedade, quando se vê o contraste com o sistema americano. O realizador é claramente parcial e a imagem com que se fica do sistema de saude publico vigente na Europa é quase a de um idílio utópico e sem mácula. O unico lado que transcende é o positivo. Mas por outro lado, perdoa-se os excessos de parcialidade do autor quando se toma em consideracão o objectivo do filme: o de pôr a nu as falhas do sistema semi-privado norte-americano.

O filme atinge os picaros do surrealismo no ultimo terco da exposicão narrativa. Michael Moore reune alguns trabalhadores voluntários que participaram na limpeza da zona das torres gémeas depois do 11 de setembro, e desloca-se à base de Guantanamo para exigir tratamento médico gratuito a estes trabalhadores. O filme termina com a alternativa bizarra do uso do sistema de saúde cubano.

O filme é caracterizado pelo mesmo estilo irreverente com que Michael Moore nos habituou, mas mais do que nos anteriores, fica-se com a sensacão gritante de que algo está verdadeiramente mal no sistema norte-americano. Muitos críticos classificaram este filme como mais apolítico que os anteriores, mas a impressão com que fico é a de o oposto. A unica diferenca é a de que desta vez ambos os partidos sofrem a mesma crítica.

quarta-feira, outubro 03, 2007

Olha a juventude inconsciente...

Olá!

Pesquei esta no Público de hoje, e parti-me a rir:

http://www.youtube.com/watch?v=8eIuIPUdS1s

O homem estava um bocado confuso na altura... ahahah

:-)
Paulo.

terça-feira, setembro 25, 2007

Um dia de sol!

Um dos aspectos da vida nórdica que mais me espanta e me faz pensar é o fenómeno da relacão entre o clima actual e a disposicão ou estado de espírito da populacão. Recordo um episódio, aqui à 5 anos e meio atrás, aquando da chegada a Trondheim. Encontrei-me uma vez com uma veterana lusa destacada nestas latitudes setentrionais já à largos anos, e quando interrogada acerca de "qual é a maior diferenca entre Portugal e a Noruega?", recebi a lacónica resposta "A Noruega tem estacões do ano, Portugal não tem".

Nas ultimas 4 semanas temos sido fustigados por permanente céu cinzento, ventos fortes, chuvadas contínuas, descidas subitas da temperatura até chegar aos limiares do ponto de congelacão. O meu humor tem sofrido os efeitos desgastantes do clima e isso reflecte-se na disposicão daqueles que me rodeiam no dia-a-dia. Ao fim de umas semanas, comeca um imigrante a interrogar-se acerca das razões, agora quase esquecidas, segundo as quais uma pessoa se decide a migrar dum pais quase sub-tropical para esta tundra.

Hoje, por forca da metereologia, está toda a gente bem-disposta nesta cidade. O sol brilha triunfante no céu azul-sueco e os sorrisos e gentilezas multiplicam-se nos locais de trabalho. Quase dá vontade de largar a lavoura e sair para explorar a felicidade de um dia de sol, quer em longas caminhadas pela floresta ou simplesmente no porto da cidade sentado na esplanada com uma loura pela frente (cerveja ou humana, de preferência as duas). Não admira que uma boa parte do orcamento familiar local seja utilizado no inverno em viagens relâmpago de fim-de-semana a esse tão desejado refúgio ensolarado, por aqui também conhecido como "syden" (literalmente, "o Sul").

quinta-feira, setembro 06, 2007

De volta à guerra fria!

Nas ultimas semanas tem-se registado um aumento da actividade aérea por parte de bombardeiros militares russos ao longo das fronteiras dos países vizinhos, tais como a Grã-Bretanha ou a Noruega. Como resposta tem-se tornado habitual ler nos jornais noruegueses sobre mais uma vez que se manda um par de cacas F-16 para manter os ditos bombardeiros do lado correcto da fronteira. Isto tem acontecido com uma regularidade de 2 por semana nos ultimos meses. Desde que Putin assumiu uma posicão de protesto em relacão à construccão de radares de defesa anti-missil por parte dos EUA na República Checa que se tem assistido a este reescalar do uso do aparelho militar russo.

Interrogo-me sobre o que é que se ganha com isto. A Rússia gasta uma parte do orcamento a patrulhar a fronteira dum pais que não impõe qualquer risco do ponto de vista militar ou político. A Noruega tem de gastar dinheiro a manter no ar cacas para defender a suberinidade da dita fronteira. Esta situacão só aumenta a tensão e as probabilidades de acontecer um acidente com graves consequências internacionais. E para quê?

segunda-feira, agosto 13, 2007

De volta à idade média!

Nos ultimos dias tem-se lido na imprensa norueguesa sobre dois acontecimentos mediáticos que têm absorvido muita atencão e muita conversa de café. O primeiro é o de que a princesa Märtha-Louise (irmã do principe herdeiro ao trono Håkon) decidiu abrir uma escola especial para treinar as pessoas a comunicar com anjos. Isto tem sido discutido muito na imprensa nas ultimas duas semanas. A dita princesa descobriu que conseguia falar com as tais figuras angelicais, seres de luz, segundo as palavras da própria princesa, enquanto estava a falar com um cavalo (!!?). O tema tem sido alvo de muito cepticismo, bastante incrudelidade, uma certa dose de chacota pública e muitas anedotas por parte do povo norueguês.

O segundo tema prende-se om o que li nos jornais de hoje. Esta manhã estava a comprar o jornal diário, quando reparei que a notícia de primeira página era a de uma batalha campal nas imediacões de Oslo entre dois clãs rivais. Duas gangues de refugiados do Sri Lanka, que há longo tempo mantinham uma relacão tensa e beligerante, decidiram encontrar-se num descampado de forma a resolver as suas desavencas à moda da idade média. Ambos os lados recrutaram reforcos através do pagamento de viagens e droga à borla a uns primos emigrados na Franca e na Alemanha, e com esta vaga de alistados, confrontaram-se ontem à noite. Segundo testemunhas, aquilo foi uma autêntica batalha com recurso a armas como bastões, navalhas, pistolas e até espadas samurais. Um dos jovens feridos foi atingido várias vezes à bála e seguidamente decapitaram-lhe um braco com uma espada.

É caso para dizer, num dos países tecnologicamente mais avancados e com um sistema social dos mais modernos do mundo, às vezes ainda se dá espectáculos de revivalismo medieval com direito a princesas que falam com o além e batalhas de rua de espada e escudo! Que é que lhes falta ainda? Dragões?

quinta-feira, julho 26, 2007

Especialistas de bancada!

Um fenómeno que tenho observado muito ultimamente são os artigos de opinião e as cartas dos leitores que se multiplicam quando é publicada uma notícia científica de conclusão políticamente controversa. Cada vez que os investigadores do clima ou biólogos ambientais publicam um estudo em que se conclui que a accão humana está a desencadear efeitos nefastos no ambiente global, aparecem logo uma dúzia de especialistas de trazer por casa a dar a sua opinião científica acerca da validade das conclusões atingidas pelos cientistas profissionais (geralmente contra!).

Uma analogia seria a situacão de um médico virar-se para uma doente depois de a examinar, anunciar "olhe, desculpe comunicar-lhe isto, mas a senhora tem cancro." e a doente responder "olhe, desculpe lá, mas acho que o senhor não sabe o que está a dizer. E ainda por cima, agora não me dá lá muito jeito ter cancro, está a perceber...".

O que isto (tristemente) revela é a ignorância por parte do público em geral em relacão ao processo de investigacão. Para um artigo ser publicado numa revista científica de peso, precisa primeiro de ser lido e criticado por especialistas no mesmo ramo, alguns deles concordantes com as conclusões e outros nem por isso, que em principio tudo farão para garantir a validade e a precisão das conclusões apresentadas. Segundo, não se esquecam de que os cientistas são pessoas cujo emprego é investigar um problema e que passam grande parte das suas vidas a analizar observacões e a pesar todas as evidências de uma experiência em pormenor. São pessoas que gastaram geralmente muitos anos da sua vida a estudar exclusivamente problemas relacionados com a sua área de especialidade. Terceiro, e se calhar o mais importante, ainda que um artigo possa apontar para uma conclusão específica, normalmente é mais importante ver que figura se desenha a partir do conjunto de artigos publicados sobre a mesma matéria, por parte de equipas provenientes de muitos laboratórios diferentes. É (bem) possível que uma equipa de investigadores tenha interpretado mal os dados de uma observacão ou tenha tirado as conclusões erradas, mas que muitas centenas de equipas o facam, isso já é mais improvável. Quarto, para concluir algo, um cientista precisa de se justificar pesadamente e utilizar métodos estatísticos que têm sido estudados e desenvolvidos nos ultimos 300 anos. Nenhum cientista pode publicar um artigo objectivo baseado apenas num pensamento que ele teve ou numa opinião pessoal, sem apoio em observacões de dados (nesse caso seriam puros artigos de opinião, e mesmo esses tem de ser devidamente fundamentados).

Subitamente toda a gente se torna especialista num assunto do qual nunca estudou ou trabalhou quando uma conclusão não lhe agrada (geralmente quando aponta que a compra daquele jeep com que andou a sonhar nos ultimos anos não é o melhor para o ambiente). Ainda por cima, alguns tentam rebater com argumentos de coisas que ouviram num documentário ou coisas que ouviram de um amigo no café (aqueles que tentam justificar-se) ou então vêem com observacões de casos pontuais do género "ah, mas o ano passado também havia muita poluicão mas fez mais frio que este ano!". Isto revela uma arrogância e ignorância popular sem limites. Quando leio um artigo novo de conclusões surpreendentes nos ramos da física, química ou pegando no exemplo, metereologia, tenho a humildade de reconhecer que estes não são os meus campos profissionais e deste modo confiar nas conclusões. Nos casos em que as conclusões chocam demasiado com a minha percepcão anterior naquele campo, prefiro esperar pelos desenvolvimentos e reaccões dos especialistas no mesmo campo de investigacão, cuja opinião é mais bem ponderada e baseada em factos científicos do que a minha.

A ciência tem apresentado os factos e as conclusões e por vezes dá recomendacões e conselhos baseados nos conhecimentos científicos que se têm na altura. Se os políticos e o povo querem segui-los, é uma outra questão, mas tentar rebater as conclusões sem educacão nesse campo é uma atitude verdadeiramente arrogante (e até certo ponto, perigosa).

quinta-feira, junho 14, 2007

Falar muito e não dizer nada!

Ó meus amigozzzz...

http://videos.sapo.pt/GnR4iyISmcKjJnRAj6cY

Divirtam-se!
:-)

terça-feira, junho 05, 2007

Lights off!


Yesterday I was zapping my TV when something caught my attention. I stopped at the Discovery channel while the program "Mythbusters" was on. The days theme was: what is less energy consuming - to leave the lights on permanently or to switch them off each time you leave a room?

In order to find out the answer to this long standing domestic question, the hosts of the show tested a range of different lamps, from classical tungsten lamps, to modern coil neon units, LED assemblies, fluorescent bulbs, and so on. They left each kind of lamp running for one hour and measured the amount of energy spent by each one. After that, they measured the energy spent by switching on and off each kind of lamp, and thereafter calculated the equivalent time of continuous usage that that would correspond to.

The results were not so astonishing to me, and confirmed an opinion that I have been finding oftenly reported on the internet. The energy spent by switching on and off a lamp varied from the equivalent of 0.36 seconds of continuous usage of a classic tungsten lamp to a maximum of 23.3 seconds of a modern coil neon unit.

When testing durability of the same lamps, they found out that the most modern lamps would support the stress of being switched on and off oftenly (for domestic standards) for a period longer than 4 years. Therefore, the argument of sparing lamps does not hold to the test.

This means that, in terms of domestic economy and global environment, it is worth switching off the lights when leaving a room, unless you're intending to come back in less than a minute.

:-)
(Sorry to the usual portuguese readers, but I thought this particular theme could be of interest to a broader international audience; therefore I wrote this one in english)

sexta-feira, junho 01, 2007

Responsabilidade ecológica!

Um dos assuntos que tem ocupado muitas páginas na impressa norueguesa actual é o tema da reducão da libertacão de gases de efeito de estufa, como o dióxido de carbono, por exemplo. Tanto os partidos que fazem parte da coligacão que faz parte do governo como a oposicão estão finalmente de acordo que este é um tema actual, vital e com necessidade de medidas concretas o mais cedo possível. Aquilo que os partidos, mesmo os detentores do poder actualmente, não estão de acordo, é de que forma é que estas medidas deverão ser tomadas.

A coligacão que faz parte do governo actual norueguês é constituído por três partidos de esquerda, nomeadamente o Senterpartiet ("Partido do Centro", também chamado o partido dos agricultores, dada a sua especial preocupacão pela defesa dos direitos da populacão rural norueguesa), o Arbeiderpartiet ("Partido dos Trabalahdores", o partido social-democrata segundo o modelo escandinavo, o que equivale ideologicamente ao Partido Socialista português) e o Socialistisk Venstre ("Esquerda Socialista", partido de esquerda mais radical que o Arbeiderpartiet, mas com clara distincão do comunista). Recentemente o Senterpartiet e o Socialistisk Venstre assumiram-se como de acordo na ideia de que a reducão deverá ocorrer tanto através de apoios financeiros aos países em desenvolvimento de forma a desenvolverem-se com recurso a tecnologias ecologicamente seguras, como através da reducão interna da libertacão de CO2 na Noruega até 20 % até 2020 e 50 % até 2050 (em relacão aos valores de 1992). O Arbeiderpartiet defende uma posicão mais próxima dos partidos da oposicão, que afirmam que a contribuicão da Noruega é mínima (0,2 % do valor mundial) e, desta forma, é ridículo diminuir os valores da Noruega e que o investimento deverá ser feito apenas em países dos terceiro mundo. Isto é, a Noruega deverá comprar quotas de CO2 a outros países. Para piorar a situacão, a líder histórica do Arbeiderpartiet, Gro Harlem Brundtland, a ex-primeira-ministra que introduziu o conceito de "bærekraftig utvikling" (="desenvolvimento sustentado") como termo político internacional (reflecte a ideia de que o desenvolvimento de uma sociedade deve ser orientado de forma a manter um equilíbrio ecológico in perpetuom), afirmou à um par de semanas atrás que os esforcos da Noruega em reduzir a sua quota de libertacão de gases de estufa como uma forma de "selvpining" (="self-torture").

Ontem foi publicado no diário norueguês Aftenposten um relatório em que especialistas anunciaram que a Noruega conseguiria reduzir a sua quota em 66 % até 2030 gracas apenas à optimizacão dos recursos utilizados e à aplicacão de medidas tecnologicas já existentes através de um certo investimento público. Coisa que seria uma bagatela de meter em prática gracas ao "oljefond" norueguês (fundo petrolífero iniciado em 1998 pelo governo). Este relatório excluiu medidas baseadas em alteracões radicais do estilo de vida da populacão norueguesa (como o racionamento obrigatório do uso do automóvel por parte do sector privado, por exemplo).

O mais importante neste debate, no meu ponto de vista, é a arrogância (diria, a ignorância) da posicão expressa por "a nossa contribuicão é mínima, por isso não temos que reduzir enquanto os outros não fizerem o mesmo". Se todos pensarem da mesma forma, então a reducão nunca será posta em prática. Os países pequenos apontam o dedo aos países grandes como os EUA, China ou Índia, por exemplo. Mas as pessoas esquecem que este mesmo argumento pode ser utilizado por uma das províncias da China ou por um dos estados dos EUA em relacão aos estados vizinhos, e assim cai-se num impasse. Outro ponto importante é aquele que os ocidentais descrevem como reducão da qualidade de vida. Se uma pessoa considera que uma reducão imperdoável da qualidade de vida é partilhar o seu económico Toyota familiar com 2 ou 3 colegas de trabalho no caminho para o emprego em vez de se deslocar sozinho no seu SUV, ou restringir-se a uma viagem de comboio ao país vizinho nas férias em vez de 3 ou 4 fins-de-semana de compras a Londres, Milão ou Paris, então parece-me que a minha definicão de qualidade de vida é muito diferente da de muita gente.

Outro exemplo de reducão da qualidade de vida que me parece muito mais pertinente segundo a minha definicão pessoal é o exemplo crítico das Maldivas. As Maldivas é um país constituído por várias ilhas no Oceano Índico, cujo valor de altitude máxima nacional é de 2.3 metros. Espera-se que se a progressão do aquecimento global continuar ao mesmo ritmo que o actual, este país deixará de existir antes de 2080. As Maldivas têm uma populacão de 290 mil habitantes. Que fazer a estes habitantes quando o país deixar de existir? Talvez exportá-los para a Noruega?

O tema da reducão da libertacão dos gases de efeito de estufa é um tema relacionado com justica. Não são os países que libertam a maior quantidade que irão pagar a maior parte da factura primeiro. Curiosamente, relatórios de especialistas apontam para uma melhoria da economia de países como o Canadá e a Rússia como consequência do aquecimento global. São os países menos desenvolvidos que irão sofrer na pele a reducão mais drástica da qualidade (diria até, da sustentabilidade) de vida. Quando as populacões se sentem desesperadas, tomam medidas desesperadas. O governo egípcio ameacou o governo do Sudão e do Quénia que recurreria a uma intervencão armada se algum destes dois paises construisse uma barragem que levaria à reducão do afluxo de água no Nilo. Isto porque a agricultura e a economia egípcia é extremamente dependente da água do Nilo. Com o fenómeno do aquecimento global, espera-se o aparecimento de muitos conflictos semelhantes gracas ao esgotamento de recursos vitais cada vez mais escassos.


;-)
Paulo.

quinta-feira, maio 24, 2007

Biblioteca humana!

Hoje ocorreu um evento no jardim do Stortinget (parlamento nacional norueguês) intitulado "Menneskebiblioteket" (="biblioteca humana"). Neste evento estiveram disponíveis vários indivíduos pertencentes a diversos grupos sociais minoritários que disponibilizaram tempo e energia para falar com todas as pessoas que assim o solicitassem. Indivíduos infectados com HIV, raparigas que usam jihab, homossexuais, lapões, refugiados muculmanos, prostitutas, entre muitos outros, disponibilizaram-se para serem interrogados durante meia-hora por qualquer pessoa que assim o desejasse. Foram colocados pequenos sofás em frente ao Stortinget onde os "leitores" puderam sentar-se e falar pessoalmente com cada um dos "livros de vida" em exposicão. O objectivo desta campanha é o de combater preconceitos e aumentar a aceitacão dos grupos minoritários e formas de vida marginalizadas ou alternativas da sociedade. Esta campanha irá repetir-se no festival de música Quart, em Kristiansand (sul da Noruega) durante o verão e este grupo irá percorrer o país de norte a sul numa mini-tourné.

Muito desejaria eu que uma ideia semelhante se pusesse em prática em Portugal, especialmente em certos meios em que parece ser bem necessário.

terça-feira, maio 22, 2007

Integracão!

Um dos problemas que mais ouco falar entre emigrantes/imigrantes portugueses (e não só) além fronteiras é o problema da integracão nos países nos quais presentemente vivem. Costumo encontrar atitudes variadas por parte destes, dos quais se destacam talvez três grandes grupos:
- aqueles que vêm o país em que residem como apenas uma solucão temporária, e talvez por isso mantêm uma atitude distanciada e de "turista" em relacão à sociedade em que se encontram; alguns aprendem a lingua apenas por mera curiosidade, mas a maioria não o faz; continuam a ler a imprensa nacional do país de origem e o círculo social com que se relacionam é maioritariamente outros estrangeiros na mesma situacão, embora não necessariamente compatriotas;
- aqueles que vêm a sua situacão como algo permanente, os verdadeiros emigrantes/imigrantes que vêm a presente situacão como uma solucão a longo prazo, mas mantendo no entanto a sua identidade nacional e reforcando-o, por vezes a um ponto extremo e até ridículo em certos casos; quando se visita a casa de um individuo de este grupo sente-se que se encontra numa embaixada do pais de origem os jornais e a TV são a do país de origem, a bandeira e outros simbolos nacionais encontram-se permanentemente presentes no cenário e estes individuos sentem grande orgulho nos feitos e cultura do seu país de origem. Geralmente cultivam (fortes) relacões sociais com os compatriotas na mesma situacão. A atitude em relacão ao país de acolhimento é mais intima do que a do grupo anterior, mas a distincão entre o "nós" (compatriotas) e "eles" (locais) é demarcada e o fosso existe. Geralmente acabam por se casar com outros compatriotas ou estrangeiros na mesma situacão. Por vezes aprendem a língua, por vezes a custo e por razões práticas, mas não há grande interesse em explorar a cultura local ao mesmo nível da nacão de origem. Geralmente mantém estes indivíduos uma actualizacão da realidade nacional do país de origem contínua.
- o terceiro grupo é um grupo peculiar: são aqueles que adoptaram o país de acolhimento como a sua nova nacionalidade e que cortaram, em diferentes graus de intensidade, os lacos com o pais materno. Estes aprendem a lingua local relativamente rápido, adoptam os costumes locais, estabelecem lacos sociais com os locais e identificam-se com membros deste novo grupo. Geralmente casam-se com os locais e os filhos aprendem a lingua local como lingua materna. Embora a assimilacão seja rápida e profunda, vivem o resto na vida num limbo de "nem-carne-nem-peixe" cultural com um pé no passado e outro no presente. Uma visita ao lar destes não revelaria ascendencia estrangeira, com um ou outro ocasional traco do pais de origem, quer em livros, revistas, filmes ou uma bandeira algures num canto da casa.

Não é a primeira vez que escrevo sobre este assunto, o tema não é novidade. Mas aquilo que é talvez novo neste posto é a abordagem deste tema do ponto de vista da solidão. Dos três grupos acima referenciados, aquele que considero mais sujeito ao perigo da solidão é o segundo. Os membros do primeiro grupo podem-se sentir temporariamente solitários, mas encaram a sua situacão como temporária e consolam-se com a ideia de voltar ao país de origem um dia no futuro. O terceiro grupo pode passar por um periodo de adaptacão de um ou dois anos em que lhes é dificil encontrar amigos, mas inevitavelmente acaba-se por se integrar na sociedade local. Em relacão ao segundo, é mais dificil. Os locais são estranhos e distantes porque não compreendem as nossas necessidades e os nossos pontos de vista, os compatriotas são poucos e estão geralmente ocupados com o seu trabalho e as suas famílias. Muitas noites se passam na reflexão do "o que é que eu estou a fazer aqui? para onde vai a minha vida? vale a pena?" e frequentemente se passam uns serões na companhia de um livro ou ao telefone com a família.

Os factores que considero de maior peso para a integracão são os linguísticos e os de interesses comuns. Abrem-de muitas portas com o dominio da lingua. E se uma pessoa é fan de cinema, por exemplo, compensa juntar-se ao clube local de cinema, por exemplo, e encontrar pessoas que se interessam vivamente pelos nossos pontos de vista em relacão ao tema em comum, independentemente da nossa nacionalidade de origem.

;-)
Paulo.

segunda-feira, maio 14, 2007

Tecnologia ao nível da ficcão científica



Li hoje que a companhia LG Philips LCD, sediada na Coreia do Sul, apresentou um producto novo que penso que revolucionará o uso do papel a nivel internacional. Se uma pessoa se lembrar de algumas cenas do filme de Steven Spielberg "Minority Report", recordar-se-á então dos ocupantes do metro que liam um jornal interactivo. A companhia sul-coreana lancou hoje uma "folha" digital a cores (capacidade para 4096 cores!) com 0,3 mm de espessura e com a capacidade de se dobrar, não muito maior que uma folha A4. Esta "folha" só utiliza energia quando se muda de página.

A nivel ecológico, considero muito importante a substituicão do papel para outras versões de utilizacão frequente, para além de se tornar muito mais prático substituir as clássicas bibliotecas de papel por versões digitais mais portáteis. Imagino frequentemente a tarefa de mudar de casa como uma dôr de cabeca logística devido à minha pequena biblioteca de aproximadamente 100 volumes. Se se atribuir um peso medio de 1 kg por volume... Imagine-se a mesma biblioteca concentrada num stick de memória de 300 gramas...

:-)
Paulo.