quarta-feira, outubro 31, 2007

Desorganização...

Trago-vos um pequeno episódio que descreve bem 0 quão errada está a cultura do "o que é nacional, não presta"...
O cenário é simples: um amigo nosso mudou de trabalho. Quer dizer, não mudou exactamente de trabalho, mudou apenas de escritório na sua empresa... Estava a trabalhar num país e mudou-se para outro, que não Portugal (não interessa agora para o caso, mas mudou-se para um país que supostamente é uma das nações mais desenvolvidas do Mundo...)
Ora este processo decorreu durante alguns meses - 6 meses para ser mais preciso - e teve o desenlace durante Setembro passado, em que as condições ficaram todas acordadas e se assumiu o compromisso da transferência. Assinaram-se e rasgaram-se os contratos necessários e lá começou a nova etapa. Até aqui tudo normal.
O que é estranho no meio disto é que já lá vão quase 2 semanas de "trabalho" e esse nosso amigo ainda não está efectivamente a trabalhar. Ainda não tem projecto! Já está no escritório a full-time, mas ainda se vai entretendo apenas a fazer alguns cursos de formação online, um bocado para justificar o tempo e não o passar de braços cruzados...
Segundo lhe comunicaram, as pessoas que fazem as equipas nos projectos e colocam os "recursos" nas vagas existentes, apenas foram informadas na semana que antecedeu a sua chegada de que ele ia efectivamente aparecer!... Esplêndido!
(...)
- Olha, para a semana vai aparecer aí um Português para trabalhar...
- Tudo bem, ele que venha na Segunda-feira!
- Dá-lhe lá um computador e um cartão de acesso aos escritórios...
- Eu digo-lhe onde ele pode ir tratar disso tudo, n tem problema!
- Ele que se sente lá à frente duma secretária qualquer, temos lá muitas... Enquanto não aparecer nada para ele fazer, que se vá entretendo, que nós vamos-lhe pagando...
(...)
E ele lá continua... Activamente à espera, porque também não é de se encostar a dormir à sombra do chaparro...

Se isto se tivesse passado em Portugal, era porque o nosso país é uma tristeza, uma desorganização, um terceiro-mundismo bacoco, etc... e que "lá fora" é que era...
Pois bem, "lá fora" as coisas podem ser tão más ou até piores do que em Portugal, é importante não esquecer isso...

domingo, outubro 28, 2007

Tributo - Sex Pistols

Faz hoje 30 anos que lançaram o seu único álbum. Deram voz a uma geração descontente, desiludida e sem perspectivas. Desapareceram tão depressa como apareceram mas, a sua música viverá por muitos mais anos.

Deixo uma das músicas que mais mexeu com a sociedade Inglesa da altura.



RC

sexta-feira, outubro 26, 2007

Nostálgica serenata

Era sinónimo de início de festa, a cidade vestia-se de negro, num luto alegre, ansioso. Para muitos era sinónimo de passar a pertencer a uma família para a qual tinham estado em estágio durante meio ano.

Os anos passaram e fui deixando de assistir ao evento, preferindo as tertúlias com amigos num qualquer tasco da alta da cidade, quiçá procurando fugir a emoções que se tornavam mais fortes há medida que o tempo passava e se tornava mais curto.

Ontem, quando cheguei a casa, resolvi ligar a TV e calhou esta estar sintonizada na rtpi. Inicialmente apenas vislumbrei um vulto negro a cantar, rodeado de mais vultos negros. Depois ouvi as guitarras, vislumbrei a multidão negra no escuro da noite, a fantástica renovada fachada da Velha Sé e...e reconheci o vulto cuja voz saía pelas colunas da minha TV. Sim, era ele mesmo, antigo colega de copos, como se tornavam todos aqueles que comigo aderiam à praxe, ali estava ele perante milhares de pessoas a declamar o fado de Coimbra. E fiquei na mesma posição durante o resto da Serenata Monumental da Queima das Fitas 2007, a relembrar os momentos vividos enquanto estudante da academia Coimbrã.

Até que o afe-erre-a começou, e acordei do sonho em que me encontrava e cantei-o também, baixinho para não incomodar os vizinhos e atirei a minha pasta imaginária ao ar com as fitas azul celeste dependuradas. E depois, depois deu-se início à festa que sempre durou uma semana.

Cumprimentos nostálgicos,

RC

ps: e para o Alberto vai um Grande Afe-ERRE-A ;)

segunda-feira, outubro 15, 2007

Portugal é o segundo país com melhores políticas de integração de migrantes

Jornal o Publico

Portugal é o segundo país com melhores políticas de integração de migrantes
Lusa

Portugal é o segundo país de uma lista de 28 (25 Estados-membros da União Europeia, Canadá, Noruega e Suíça) com melhores políticas de integração de migrantes, nomeadamente no acesso ao mercado de trabalho, reagrupamento de famílias e práticas contra a discriminação.

As conclusões fazem parte do estudo "Index de Políticas de Integração de Migrantes 2006", ao qual a Lusa teve hoje acesso e que será apresentado amanhã em Lisboa, um trabalho feito por um consórcio de organizações europeias, lideradas pelo British Council e pelo Migration Policy Group, em Bruxelas.

No topo da tabela surge a Suécia, com uma média de 88 pontos (em cem possíveis) em seis itens de análise: acesso ao mercado de trabalho, reagrupamento familiar, residência de longa duração, participação política, aquisição de nacionalidade e antidiscriminação.

Portugal surge no segundo lugar, com 79 pontos, seguido da Bélgica (69 pontos), Holanda (68 pontos) e Finlândia e Canadá (ambos em quinto lugar, com 67 pontos).

No global, os Estados-membros da União Europeia estão a fazer apenas metade do que poderiam fazer para melhor integrar os migrantes, consideram os investigadores do consórcio de 25 organizações europeias - em Portugal, a parceira é a Fundação Calouste Gulbenkian.

O estudo faz um "ranking" das políticas destinadas a integrar os 21 milhões de migrantes em 25 Estados-membros, bem como no Canadá, Noruega e Suíça, analisando 140 indicadores que incluem: direitos dos imigrantes no local de trabalho, oportunidades para se fixarem de forma permanente no país-destino, leis de combate ao racismo e à discriminação e possibilidade de reunificação de famílias.

Nos piores lugares da tabela surgem a Eslováquia e a Grécia (40 pontos de média), Áustria e Chipre (com 39 pontos) e Letónia (30 pontos).

sexta-feira, outubro 12, 2007

Al Gore e o Nobel da Paz 2007




Hoje foi anunciado no Comité Nobel do parlamento norueguês Stortinget, às 11 horas da manhã locais, o vencedor do prémio Nobel da Paz de 2007. Os vencedores foram o Painel Climático das Nacões Unidas (IPCC) e o ex-vice-presidente norte-americano Al Gore (vice-presidente durante o período em que Bill Clinton foi presidente dos EUA, 1992-2000). Al Gore partilha o prémio devido ao seu esforco em pôr em relevo o problema ecológico proporcionado pelo uso de combustíveis fósseis, quer pela presenca no filme "An Incovenient Truth" em princípios de 2007, quer pela campanha que este encetou tanto na opinião pública americana como a nível internacional.

A escolha é evidentemente político, de forma a pôr em relevo o movimento ecologista internacional e a campanha para a reducão das emissões de CO2 e outros gases causadores do efeito de estufa para a atmosfera. Lembre-se que não é a primeira vez que a comissão Nobel norueguesa foca en questões ecologistas. A vencedora em 2004, Wangari Maathai, tambêm se distinguiu pela sua contribuicão social e ecologista no Quénia, através das suas campanhas pela reflorestacão e fixacão do solo no este africano.

Para compreender a atribuicão deste prémio a Al Gore e ao Painel Climático das Nacões Unidas, é necessário compreender o contexto político norueguês actual. O governo liderado pelo primeiro-ministro Jens Stoltenberg tem lutado de forma árdua pela reducão da producão e libertacão de gases contribuidores para o efeito de estufa, quer a nível interno, quer a nível das Nacões Unidas. Jens Stoltenberg liderou recentemente uma conferência internacional organizada pelas Nacões Unidas à poucas semanas atrás. Também tem sido um dos líderes ocidentais que mais tem-se esforcado pelo investimento em tecnologia de producão de energias renováveis na China.

Al Gore anunciou que irá doar o prémio monetário à organizacão ecologista The Alliance for Climate Protection.

Segue-se certamente uma certa dose de polémica e discussão em volta desta atribuicão, quer por parte daqueles que (ainda) não acreditam em causas humanas em relacão ao fenómeno do aquecimento global, quer por parte dos movimentos ecologistas que consideram Al Gore como um hipócrita (recorde-se a polémica que surgiu quando Al Gore recusou prometer a reducão do consumo de electricidade nas suas propriedades). O prémio já causou algumas ondas no cenário político norte-americano, onde certos círculos eleitorais democráticos têm esperanca na (re)candidatura deste ex-candidato à presidência (lembre-se que Al Gore foi o candidato democrata nas eleicões de 2000, onde perdeu por curta margem contra o actual presidente George W. Bush, depois de um longo e polémico processo de contagem de votos).

O prémio será atribuido numa cerimónia oficial na Oslos Rådhus (Câmara Municipal de Oslo) a 10 de Dezembro.

terça-feira, outubro 09, 2007

Sicko

"Sicko" é o título do ultimo filme do polémico realizador de documentários norte-americano Michael Moore. O filme debruca-se numa análise extremamente crítica do sistema de saúde privado norte-americano, e compara-o com o sistema universal público de diversos paises, como o Canadá, o Reino Unido, a Franca, e, surpreendentemente, Cuba. O filme comeca com a exposicão de vários casos individuais de falhas na prestacão de servicos médicos devido a problemas com as seguradoras, expostos num tom trágico-cómico. De seguida enceta o realizador uma viagem ao país vizinho no norte, no mesmo estilo de comparacão visto em "Bowling for Columbine". Quando Michael Moore se decide a cruzar o Atlântico para analizar o sistema nacional de saúde britânico e francês, o filme atinge o pico de ironia e de hilariedade, quando se vê o contraste com o sistema americano. O realizador é claramente parcial e a imagem com que se fica do sistema de saude publico vigente na Europa é quase a de um idílio utópico e sem mácula. O unico lado que transcende é o positivo. Mas por outro lado, perdoa-se os excessos de parcialidade do autor quando se toma em consideracão o objectivo do filme: o de pôr a nu as falhas do sistema semi-privado norte-americano.

O filme atinge os picaros do surrealismo no ultimo terco da exposicão narrativa. Michael Moore reune alguns trabalhadores voluntários que participaram na limpeza da zona das torres gémeas depois do 11 de setembro, e desloca-se à base de Guantanamo para exigir tratamento médico gratuito a estes trabalhadores. O filme termina com a alternativa bizarra do uso do sistema de saúde cubano.

O filme é caracterizado pelo mesmo estilo irreverente com que Michael Moore nos habituou, mas mais do que nos anteriores, fica-se com a sensacão gritante de que algo está verdadeiramente mal no sistema norte-americano. Muitos críticos classificaram este filme como mais apolítico que os anteriores, mas a impressão com que fico é a de o oposto. A unica diferenca é a de que desta vez ambos os partidos sofrem a mesma crítica.

quarta-feira, outubro 03, 2007

Olha a juventude inconsciente...

Olá!

Pesquei esta no Público de hoje, e parti-me a rir:

http://www.youtube.com/watch?v=8eIuIPUdS1s

O homem estava um bocado confuso na altura... ahahah

:-)
Paulo.

terça-feira, outubro 02, 2007

Biocombustíveis podem ser piores para o clima do que o petróleo

Biocombustíveis podem ser piores para o clima do que o petróleo

02.10.2007, Ana Fernandes, O Publico

As emissões da produção de biocombustíveis suplantam os benefícios do seu uso


As dúvidas sobre o impacto positivo do uso de biocombustíveis crescem a cada dia que passa. Acusados de destruir as florestas tropicais e de contribuir para o aumento do preço dos alimentos, agora é a sua própria razão de ser que é posta em causa. Um estudo do Prémio Nobel da Química, Paul J. Crutzen, indica que estes podem ser piores para o clima do que os combustíveis fósseis.

A acusação não é nova. Já muitos fizeram as contas à energia gasta para os produzir, comparando-a com aquela que geram, concluindo que, nalguns casos, o balanço era negativo. Desta vez, Crutzen, do Instituto Max Planck de Química (Alemanha), com colegas americanos, austríacos e britânicos, avança que o óxido nitroso libertado pelo uso de fertilizantes nas culturas energéticas tem piores efeitos que os gases emitidos pelo uso de petróleo.
Segundo o estudo, publicado na revista Atmospheric Chemistry and Physics, a colza, muito usada na Europa para o biodiesel, e o milho, que nos EUA está na base do etanol, produzem entre 50 a 70 por cento mais gases com efeito de estufa do que os combustíveis fósseis. Isto por causa das emissões de óxido nitroso - um subproduto dos fertilizantes à base de nitrogénio usados na agricultura -, que tem 296 vezes mais potencial de aquecimento global que o dióxido de carbono.
A investigação liderada por Crutzen chega a resultados três a cinco vezes mais graves do que anteriores análises de ciclo de vida feitas sobre os biocombustíveis. Isto sem terem incluído nas contas a energia gasta para transformar os materiais agrícolas em combustíveis, sublinham os autores, que podem ainda tornar mais evidentes os efeitos negativos do seu uso.
De todos os materiais agrícolas usados na produção de biocombustíveis, o que continua a surgir como o que oferece mais benefícios é a cana-de-açúcar. Mas como estas culturas estão situadas nos trópicos, crescem os receios sobre o seu impacto em relação às florestas. Mesmo que não sejam as causadoras directas da destruição, são acusadas de, na ânsia de procurar novos terrenos, empurrar outras culturas, como a soja e as pastagens, para dentro da mancha verde.
Os autores aconselham a mais estudos sobre o ciclo de vida dos biocombustíveis e defendem que os cientistas e os agricultores devem apostar em culturas e métodos de cultivo menos intensivos. Mas, neste momento, tal como está a ser produzido, "o etanol feito a partir do milho não passa de um exercício inútil", disse um dos autores, Keith Smith, à Reuters.
A febre do etanol nos EUA está a atingir o seu pico, relata o New York Times. A corrida, com preços nunca vistos do milho e o aumento do preço dos alimentos, provocou excesso de oferta, que não encontra escoamento e está a pressionar os preços em baixa. O ritmo a que foram construídas as destilarias não foi acompanhado pela distribuição e a abundância de etanol no mercado assusta os investidores. O problema é que este biocombustível é corrosivo e permeável à água e impurezas, pelo que não pode ser distribuído pela rede de oleodutos, o que satura os outros meios de transporte, inundados pelo novo produto.

quinta-feira, setembro 27, 2007

Santana Lopes vs Mourinho

Eu até nem gosto da personagem, mas desta vez tem todo o meu apoio. Só mesmo visto é que se percebe o ridículo da situação...

Birmânia, Burma ou MyanMar

Já não era sem tempo que MyanMar começa a ser falado e discutido no "democrático" conselho de segurança da ONU. Infelizmente foi pelos piores motivos. Há mais de um mês que os monges budistas (são entre 500.000 e 600.000 no país) iniciaram uma marcha pacífica rumo à capital Rangum. Ontem começaram a ser reprimidos, e a comunidade internacional, com receio de que se volte a registar um banho de sangue como o que aconteceu nas repressões de 1988, onde morreram cerca de 3000 pessoas e muitas desapareceram, ameaça com sanções o regime Birmanês.

Espero escrever um pouco mais sobre este tema em breve, mas para já deixo apenas o link para uma petição online que está a circular e que me foi enviado por uma amiga Birmanesa. Como ela própria diz, demora 30s a preencher e poderá ajudar o povo Birmanês. Não custa assim tanto, por isso, cliquem aqui e assinem.

Cumprimentos

RC

terça-feira, setembro 25, 2007

Um dia de sol!

Um dos aspectos da vida nórdica que mais me espanta e me faz pensar é o fenómeno da relacão entre o clima actual e a disposicão ou estado de espírito da populacão. Recordo um episódio, aqui à 5 anos e meio atrás, aquando da chegada a Trondheim. Encontrei-me uma vez com uma veterana lusa destacada nestas latitudes setentrionais já à largos anos, e quando interrogada acerca de "qual é a maior diferenca entre Portugal e a Noruega?", recebi a lacónica resposta "A Noruega tem estacões do ano, Portugal não tem".

Nas ultimas 4 semanas temos sido fustigados por permanente céu cinzento, ventos fortes, chuvadas contínuas, descidas subitas da temperatura até chegar aos limiares do ponto de congelacão. O meu humor tem sofrido os efeitos desgastantes do clima e isso reflecte-se na disposicão daqueles que me rodeiam no dia-a-dia. Ao fim de umas semanas, comeca um imigrante a interrogar-se acerca das razões, agora quase esquecidas, segundo as quais uma pessoa se decide a migrar dum pais quase sub-tropical para esta tundra.

Hoje, por forca da metereologia, está toda a gente bem-disposta nesta cidade. O sol brilha triunfante no céu azul-sueco e os sorrisos e gentilezas multiplicam-se nos locais de trabalho. Quase dá vontade de largar a lavoura e sair para explorar a felicidade de um dia de sol, quer em longas caminhadas pela floresta ou simplesmente no porto da cidade sentado na esplanada com uma loura pela frente (cerveja ou humana, de preferência as duas). Não admira que uma boa parte do orcamento familiar local seja utilizado no inverno em viagens relâmpago de fim-de-semana a esse tão desejado refúgio ensolarado, por aqui também conhecido como "syden" (literalmente, "o Sul").

quinta-feira, setembro 06, 2007

De volta à guerra fria!

Nas ultimas semanas tem-se registado um aumento da actividade aérea por parte de bombardeiros militares russos ao longo das fronteiras dos países vizinhos, tais como a Grã-Bretanha ou a Noruega. Como resposta tem-se tornado habitual ler nos jornais noruegueses sobre mais uma vez que se manda um par de cacas F-16 para manter os ditos bombardeiros do lado correcto da fronteira. Isto tem acontecido com uma regularidade de 2 por semana nos ultimos meses. Desde que Putin assumiu uma posicão de protesto em relacão à construccão de radares de defesa anti-missil por parte dos EUA na República Checa que se tem assistido a este reescalar do uso do aparelho militar russo.

Interrogo-me sobre o que é que se ganha com isto. A Rússia gasta uma parte do orcamento a patrulhar a fronteira dum pais que não impõe qualquer risco do ponto de vista militar ou político. A Noruega tem de gastar dinheiro a manter no ar cacas para defender a suberinidade da dita fronteira. Esta situacão só aumenta a tensão e as probabilidades de acontecer um acidente com graves consequências internacionais. E para quê?

quinta-feira, agosto 30, 2007

Music by SAAB

No último ano, a SAAB brindou o público Sueco (e talvez de outros países) com anuncios fabulosos e acima de tudo, deu a conhecer artistas fantásticos.

O primeiro anuncio foi o que se segue.

A música é interpretada por Oh Laura e deixo-vos aqui o link para a sua página no My Space. Apenas acrescento que 2 semanas após o lançamento do anúncio a música Release Me era a mais "downloaded" na Suécia. Não sei como lhe estão a correr as vendas do album que foi lançado no início do Verão, mas suponho que bem, pois uma voz daquelas encanta qualquer um!


Desta vez foi Nina Kinert a escolhida. Ao ouvir a música Through Your Eyes apetece fechar os olhos e simplesmente deixar-nos ir. Deixo o anúncio da SAAB e o link para a sua página no my space.



Cumprimentos

RC

sexta-feira, agosto 24, 2007

Imagem de Portugal na Suécia

A imagem que os Suecos que nunca visitaram o nosso país têm deste não é a melhor! Antes de mais muitos pensam que seremos uma qualquer região espanhola e que o espanhol é a nossa língua. Os mais informados, conhecem Portugal como o país que consecutivamente ultrapassa o limite do défice dos 3% imposto pelo PEC da UE e incapaz de gerar riqueza. Depois há os que, por azar, apanham documentários portugueses como aquele que apanhei ontem no canal público SVT2. Apanhei-o a meio, por isso não sei o contexto global do trabalho apresentado, mas um sueco que tivesse apanhado o documentário também a meio, ficaria com a ideia que Portugal era um país de pedintes e que os jovens seriam pessoas sem esperança nenhuma na vida.

Para sempre vai ficar a dissertação de um dos jovens entrevistados, estudante de filosofia na Universidade de Lisboa, que vou tentar transcrever o mais fielmente possível:

"Há dois pontos em relação em relação à conclusão do curso:

Ponto 1: quanto mais depressa o terminar mais depressa vou para o desemprego!
Ponto 2: quanto mais depressa o terminar mais depressa terei que sair de casa!"

Uma imagem, sem dúvida, de esperança no futuro. Isto vindo de alguém que acampa em frente a uma fnac para comprar a mais recente versão de um jogo de computador, que passa horas a jogar, que afirma durante a entrevista que é bom jogar estes jogos de guerras fantasistas pois são coisas que um dia podem acontecer e desta forma estarei preparado para elas.

Já há poucos dias tinha passado um documentário (este não vi) em que compararam Portugal a um país de 3o mundo. Mostraram imagens de Lisboa à noite, com pessoas a dormir na rua, a comer a sopa dos pobres e pouco mais! Não percebo o porquê destes documentários. Mas o que é certo é que um colega de trabalho de um amigo meu, após ver este documentário veio-lhe perguntar se aquilo era mesmo assim. O meu amigo disse que não e que ele fosse ver como era. E ele foi e veio de lá maravilhado! Comparou o sul do país à terra santa (é de origem palestiniana) e disse que iria lá voltar! Nada mau para um país de 3o mundo!

Enfim, e assim se dá uma imagem de um país, que embora vivendo em dificuldades, não corresponde em nada à realidade de um portuguÊs comum!

Cumprimentos

RC

quarta-feira, agosto 15, 2007

Tributo

Dizia no calendário que estavamos em 1999 e lá estava eu a dar os meu primeiros passos como caloiro de bioquímica em Coimbra.
Não interessa bem como nem porquê mas nesse ano fui baptizado como Meiestro e incumbido de fazer passar a tradição e escolher o caloiro mais "destrambelhado" de cada ano para ser o caloiro Meiestro...
Cumpri a minha missão ano após ano e quando finalmente chegou a minha hora de deixar Portugal em busca de mais ciência ficaram outros Meiestros já veteranos no assunto encarregues de tratar desse assunto.
A semana passada recebi a triste notícia que o actual Meiestro morreu num acidente de viação.
Não o conheci mas tenho a certeza que honrava a componente "destrambelhada" dos Meiestros mas também a componente humana dos futuros bioquímicos.
Não queria deixar de prestar o meu tributo!

segunda-feira, agosto 13, 2007

De volta à idade média!

Nos ultimos dias tem-se lido na imprensa norueguesa sobre dois acontecimentos mediáticos que têm absorvido muita atencão e muita conversa de café. O primeiro é o de que a princesa Märtha-Louise (irmã do principe herdeiro ao trono Håkon) decidiu abrir uma escola especial para treinar as pessoas a comunicar com anjos. Isto tem sido discutido muito na imprensa nas ultimas duas semanas. A dita princesa descobriu que conseguia falar com as tais figuras angelicais, seres de luz, segundo as palavras da própria princesa, enquanto estava a falar com um cavalo (!!?). O tema tem sido alvo de muito cepticismo, bastante incrudelidade, uma certa dose de chacota pública e muitas anedotas por parte do povo norueguês.

O segundo tema prende-se om o que li nos jornais de hoje. Esta manhã estava a comprar o jornal diário, quando reparei que a notícia de primeira página era a de uma batalha campal nas imediacões de Oslo entre dois clãs rivais. Duas gangues de refugiados do Sri Lanka, que há longo tempo mantinham uma relacão tensa e beligerante, decidiram encontrar-se num descampado de forma a resolver as suas desavencas à moda da idade média. Ambos os lados recrutaram reforcos através do pagamento de viagens e droga à borla a uns primos emigrados na Franca e na Alemanha, e com esta vaga de alistados, confrontaram-se ontem à noite. Segundo testemunhas, aquilo foi uma autêntica batalha com recurso a armas como bastões, navalhas, pistolas e até espadas samurais. Um dos jovens feridos foi atingido várias vezes à bála e seguidamente decapitaram-lhe um braco com uma espada.

É caso para dizer, num dos países tecnologicamente mais avancados e com um sistema social dos mais modernos do mundo, às vezes ainda se dá espectáculos de revivalismo medieval com direito a princesas que falam com o além e batalhas de rua de espada e escudo! Que é que lhes falta ainda? Dragões?

quinta-feira, agosto 02, 2007

As redescobertas da humanidade!

Quando se poderia pensar que o tempo das descobertas na Terra já teria passado, e que a humanidade se iria virar para a exploração espacial, eis que aparece a Rússia a reclamar o até agora inacessível fundo oceânico do Árctico. Mais que aumentar aquele que continua a ser o país com a maior superfície no planeta, o objectivo Russo é claro: explorar as riquezas que se suspeita (eles devem saber, tal como nós sabíamos da existência do Brasil aquando da renegociação do tratado de Tordesilhas) existirem nesta zona do planeta.

Os Russos, no entanto, não estão sozinhos nestas pretensões: tanto Canadá como Dinamarca (para os que não sabem a Gronelândia faz parte da Dinamarca) também têm pretensões em relação à exploração do Árctico, no entanto não têm na sua frota os meios necessários para tal.

As pretensões Russas já foram chumbadas uma vez pela ONU. No entanto, com os especialistas a preverem o total desaparecimento do gelo do Árctico (pelo menos durante o Verão) nos próximos 20-30 anos, a pressão vai aumentar e estando a Europa dependente do gás natural Russo para aquecimento no Inverno, pode acontecer que inesperadamente alguns países apoiem as pretensões Russas.

Quanto a mim, o Árctico deve ser mantido inexplorado! O flagelo que está a acontecer no Árctico deverá servir de exemplo para as gerações futuras sobre o potencial nefasto que as acções humanas podem ter no bem estar do planeta e das restantes espécies. O Árctico deverá ser classificado como património Natural e mantido como está.

Há sempre uma réstia de esperança para que assim como aprendemos a destruir aprendamos a reconstruir e que no futuro consigamos reconstruir aquilo que agora estamos a destruir no topo do planeta!

Cumprimentos

segunda-feira, julho 30, 2007

O paraíso Cubano

Cuba é ainda hoje visto como um paraíso para a réstia de defensores do comunismo como sistema governativo. De facto a ditadura cubana, num cenário inóspito (não esquecer o bloqueio económico que dura há várias décadas) consegue o menor nível de analfabetismo a nível mundial e algumas técnicas nalgumas áreas da medicina foram desenvolvidas no país de Fidel.

Obviamente, se de facto Cuba fosse um paraíso todos os cubanos viveriam felizes e contentes. Mas de facto não é! A grande maioria da população vive na miséria e os poucos que não vivem são normalmente altos cargos do partido comunista cubano.

Isto é visível nos milhares que já efectuaram a perigosa travessia de barco (ou jangada) para a Flórida e, mais relevante, nos atletas e treinadores que "desertaram" nos recentes jogos Pan-Americanos. Rafael Capote, Lázaro Lamelas, Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara, não quiseram regressar a Cuba e fugiram. Com receio de mais "deserções" a delegação cubana forçou todos os seus atletas a regressarem rapidamente a casa, mesmo sem receberem as medalhas que alguns haviam conquistado!

Assim se vive em liberdade!

domingo, julho 29, 2007

Iniciativa louvável

Na edição do Jornal de Notícias deparei-me com este artigo.

Jovem "recicla" manuais
manuel azevedo
Patric Figueiredo já não tem espaço para armazenar livros em casa


Salomão Rodrigues

É possível comprar livros escolares 75% mais baratos. Mas, desengane-se, não se trata aqui de nenhuma iniciativa governamental, nem tão pouco de um qualquer acto promocional das editoras. A acção surgiu pela determinação de um jovem de 16 anos, de Santa Maria da Feira, cansado de gastar dinheiro. Patric Figueiredo não gostou de ver a mãe desembolsar centenas de euros na compra dos manuais escolares. E decidiu recolher livros usados para posterior revenda.

Hoje, garante que o projecto pode ser implementado à escala nacional se houver vontade para não "alinhar" no que designa de "fortes lóbis das editoras". Com uma mais-valia quem disponibiliza os manuais usados é ressarcido de parte do seu valor.

Habituado a usar os livros do irmão mais velho, Patric não esquece o dia em que, pela primeira vez, entrou numa papelaria com a mãe para comprar manuais. "Fiquei chocado ao ver que a minha mãe tinha gasto mais de 200 euros". E lembrou-se de pôr em prática o princípio usado em casa, "mas à escala nacional".

A ideia surgiu há cerca de dois anos, mas só no inicio deste Verão pôde começar a concretizá-la. Antes disso, Patric mergulhou nos compêndios da informática e trocou saberes com os amigos da escola, que lhe permitiram elaborar um sítio na Internet (www.exacto.com.pt) que fosse a "montra" da iniciativa.

O projecto Exacto.com.pt consiste na recolha de manuais usados junto de escolas, evitando que acabem esquecidos numa qualquer arrecadação ou mesmo no lixo. Os livros são depois colocados à venda na Internet, com preço 75% inferior ao original. Se a venda for efectuada, quem ofereceu o manual recebe parte da quantia cobrada. Quanto a livros oferecidos que não são adoptados pelas escolas, seguem para instituições de solidariedade, que os encaminharão para a África de língua portuguesa.

Quanto às alterações que o Governo se prepara para implementar nos manuais escolares, são bem vindas. "O uso dos livros por seis anos dá mais consistência à iniciativa e a oferta aos mais carenciados vai permitir expandir a ideia a outros escalões de alunos". Patric só lamenta que os estudantes não sejam "incentivados a deixarem por livre vontade os seus manuais na escola, no final do ano".

O adolescente vai agora pedir ajuda à autarquia para ter espaço para acomodar os livros e promete continuar com as recolhas, em todas as primeiras sexta-feira do mês, junto às escolas.

quinta-feira, julho 26, 2007

Especialistas de bancada!

Um fenómeno que tenho observado muito ultimamente são os artigos de opinião e as cartas dos leitores que se multiplicam quando é publicada uma notícia científica de conclusão políticamente controversa. Cada vez que os investigadores do clima ou biólogos ambientais publicam um estudo em que se conclui que a accão humana está a desencadear efeitos nefastos no ambiente global, aparecem logo uma dúzia de especialistas de trazer por casa a dar a sua opinião científica acerca da validade das conclusões atingidas pelos cientistas profissionais (geralmente contra!).

Uma analogia seria a situacão de um médico virar-se para uma doente depois de a examinar, anunciar "olhe, desculpe comunicar-lhe isto, mas a senhora tem cancro." e a doente responder "olhe, desculpe lá, mas acho que o senhor não sabe o que está a dizer. E ainda por cima, agora não me dá lá muito jeito ter cancro, está a perceber...".

O que isto (tristemente) revela é a ignorância por parte do público em geral em relacão ao processo de investigacão. Para um artigo ser publicado numa revista científica de peso, precisa primeiro de ser lido e criticado por especialistas no mesmo ramo, alguns deles concordantes com as conclusões e outros nem por isso, que em principio tudo farão para garantir a validade e a precisão das conclusões apresentadas. Segundo, não se esquecam de que os cientistas são pessoas cujo emprego é investigar um problema e que passam grande parte das suas vidas a analizar observacões e a pesar todas as evidências de uma experiência em pormenor. São pessoas que gastaram geralmente muitos anos da sua vida a estudar exclusivamente problemas relacionados com a sua área de especialidade. Terceiro, e se calhar o mais importante, ainda que um artigo possa apontar para uma conclusão específica, normalmente é mais importante ver que figura se desenha a partir do conjunto de artigos publicados sobre a mesma matéria, por parte de equipas provenientes de muitos laboratórios diferentes. É (bem) possível que uma equipa de investigadores tenha interpretado mal os dados de uma observacão ou tenha tirado as conclusões erradas, mas que muitas centenas de equipas o facam, isso já é mais improvável. Quarto, para concluir algo, um cientista precisa de se justificar pesadamente e utilizar métodos estatísticos que têm sido estudados e desenvolvidos nos ultimos 300 anos. Nenhum cientista pode publicar um artigo objectivo baseado apenas num pensamento que ele teve ou numa opinião pessoal, sem apoio em observacões de dados (nesse caso seriam puros artigos de opinião, e mesmo esses tem de ser devidamente fundamentados).

Subitamente toda a gente se torna especialista num assunto do qual nunca estudou ou trabalhou quando uma conclusão não lhe agrada (geralmente quando aponta que a compra daquele jeep com que andou a sonhar nos ultimos anos não é o melhor para o ambiente). Ainda por cima, alguns tentam rebater com argumentos de coisas que ouviram num documentário ou coisas que ouviram de um amigo no café (aqueles que tentam justificar-se) ou então vêem com observacões de casos pontuais do género "ah, mas o ano passado também havia muita poluicão mas fez mais frio que este ano!". Isto revela uma arrogância e ignorância popular sem limites. Quando leio um artigo novo de conclusões surpreendentes nos ramos da física, química ou pegando no exemplo, metereologia, tenho a humildade de reconhecer que estes não são os meus campos profissionais e deste modo confiar nas conclusões. Nos casos em que as conclusões chocam demasiado com a minha percepcão anterior naquele campo, prefiro esperar pelos desenvolvimentos e reaccões dos especialistas no mesmo campo de investigacão, cuja opinião é mais bem ponderada e baseada em factos científicos do que a minha.

A ciência tem apresentado os factos e as conclusões e por vezes dá recomendacões e conselhos baseados nos conhecimentos científicos que se têm na altura. Se os políticos e o povo querem segui-los, é uma outra questão, mas tentar rebater as conclusões sem educacão nesse campo é uma atitude verdadeiramente arrogante (e até certo ponto, perigosa).