quarta-feira, junho 28, 2006

Ganhar a todo o custo.

Portugal lá ganhou contra a Holanda. Mas de que maneira?

Custa-me a acreditar nas palavras de Scolari queando diz que esta seleccão é a que mais dignifica Portugal no estrangeiro. Jesus!!! Se ele estivesse no estrangeiro, talvez não diria isto.
Na Suécia o jogo foi carimbado na imprensa como "skandalmatchen" (jogo-escândalo). O maior jornal norueguês, VG, classificou o jogo como "VM i tullball" ("Campeonato do Mundo em palhacada com bola"). E por aí adiante. Um jornal norueguês classificou o estilo de jogo da seleccão portuguesa como o "futebol mais feio deste mundial". Durante o jogo ouvi um comentador da TV2 norueguesa repetir várias vezes "este é sem dúvida alguma o pior jogo deste Campeonato do Mundo". Portugal demonstra uma atitude em campo que em nada dignifica a imagem do país no estrangeiro. Na Noruega quando se assiste a um jogo em que jogadores portugueses estão envolvidos, cada vez que um jogador cai ao chão, o comentário "é só teatro" tornou-se vulgar. Ninguém acredita nas contorcões e esgares dos jogadores portugueses caídos no relvado, mesmo quando estes são reais, o que acredito que na maior parte dos casos assim o foi neste jogo.

É verdade que a atitude da Holanda e a falta de firmeza do árbitro causaram e contribuiram para o que se viu no domingo à noite. Mas os cartões vermelhos do Costinha e do Deco foram infantis e completamente desnecessários. A cabecada do Figo podia ter consequências muito pesadas para a equipa. Um árbitro a sério teria dado um cartão vermelho directo. O amarelo ao Ricardo por queimar tempo é merecido.

O jogo de domingo lembrou-me (infelizmente) de um outro jogo à quatro anos atrás, contra a Coreia. Parecia uma fotocópia do mesmo. A seleccão teima em perder a cabeca nos momentos-chave. A seleccão acaba por perder nas grandes competicões, não por falta de qualidade desportiva, mas sim por perder a cabeca com facilidade. Se a equipa estivesse na mó de baixo como à 4 anos atrás, esperar-se-ia novamente umas centenas de adeptos furiosos à espera no aeroporto (que cenas vergonhosas por parte dos adeptos à 4 anos), mas como ganhou, sai toda a gente para a rua para festejar.

Eu não estive no campo como o Riacrdo deste blog e não sei qual é que foi o ambiente no estádio e nas ruas de Nuremberga depois do jogo, embora pelo que vi na televisão parece-me que os holandeses não estavam assim tão desiludidos com o resultado. Pesa-me é saber que este jogo bateu o record de cartões num jogo da fase final de um Campeonato do Mundo. Portugal fica com uma reputacão pouco positiva: lembre-se o jogo Portugal-Turquia nos quartos-de-final do europeu de 2000, a meia-final do mesmo contra a Franca na mesma competicão, o famoso Portugal-Coreia em 2002 e por aí adiante. Esta série de jogos parece, aos olhos de um outsider, ser coincidência a mais. Interrogo-me se os treinadores das outras equipas já equacionam no planemento dos jogos contra Portugal factores para fazer a nossa seleccão perder a cabeca. Porque parece tão fácil!

Quanto à parcialidade ou imparcialidade da imprensa estrangeira, lembro-me da reaccão dos ingleses depois da derrota 3-2 dos mesmos contra Portugal no Europeu de 2000. Ou a dos alemães no mesmo campeonato. A seleccão foi aplaudida de pé pelos adversários depois da derrota. É possível ganhar de uma forma que faz com que os adversários reconhecam que Portugal foi melhor que eles e que colhe unanimidade de opiniões no estrangeiro. Com esta mesma seleccão.

Espero que o jogo contra a Inglaterra corra melhor (ou que se veja mais futebol).

Boa sorte, seleccão
:-)

P.S.: Não tenho tempo nem (mais) paciência para me defender em relacão a possíveis comentários negativos que porventura poderão surgir como resultado deste post. Por ter escrito algo semelhante na edicão digital do Record e do Público no dia a seguir ao jogo recebi um par de emails muito azedos e uns comentários pouco abonatórios numa rádio portuguesa. Quem discorda, esteja à vontade para o escrever, mas não espere resposta. Sou a favor da seleccão, mas não perco a imparcialidade por causa da seleccão. Para além disso, os comentários que descrevo por parte da imprensa estrangeira são factos, não opiniões pessoais.

segunda-feira, junho 26, 2006

"Nós só queremos sumo de laranja, sumo de laranja, sumo de laranja..."

O jogo de ontem, foi dos mais emotivos a que já assisti! Foi impróprio para cardíacos. Alguns adeptos sentiram-se mal e tiveram mesmo que abandonar as bancadas antes do apito final! No entanto, os que resistiram, continuaram a festa nas bancadas muito para lá do apito final!

Infelizmente, o principal responsável por todo o apoio que veio das bancadas, foi um senhor Russo, que esteve em campo a distribuir cartões! A associar a isto, a falta de fair-play dos Holandeses, incendiou os ânimos e tivessem havido mais problemas dentro de campo e o espectáculo fora de campo poderia ter-se estragado, já que no meio da nossa claque estavam Holandeses infiltrados, que, há boa maneira de quem se acha o maior, decidiu provocar a malta! Lá alguém os mandou acalmar e todos se viraram de novo para o jogo e para o apoio à equipa.

É triste ler na imprensa do norte da Europa, ataques à selecção portuguesa, quando aos 7 minutos de jogo, Ronaldo foi enviado para o estaleiro, por aquele que tinha sido encarregue de o fazer! É curioso que precisamente neste jogo, Van Basten, tenha adaptado um central a lateral, para cobrir Ronaldo e que, das duas primeiras vezes que toca na bola, sofra duas entradas duríssimas! Triste a falta de fair play demonstrada pelos holandeses, quando o árbitro parou uma jogada em que Deco se isolou (não sei se tal foi visível na TV, mas Deco tinha ultrapassado o último dos defesas Holandeses quando o árbitro apitou para que fosse prestada assistência a Ricardo Carvalho) e na reposição de bola em jogo não devolveram a bola! Obviamente que a reacção de Deco foi estúpida, e podia-lhe ter custado logo ali o vermelho, que viu minutos depois. A coragem que o árbitro não teve (talvez desorientado pela falta de fair play dos holandeses) então, compensou,estupidamente, alguns minutos mais tarde! Num lance normalíssimo de futebol, Deco agarra a bola após ter sofrido uma falta que foi assinalada ao contrário e é atirado para o chão por um Holandês. Resultado, 2º amarelo para Deco e um sorriso de orelha a orelha do Holandês! Já nos jornais Alemães e do sul da Europa, os comentários são mais isentos, falando-se de tudo o que de mau aconteceu, dos erros de um e do outro lado. Elucidativo do tão má que foi a arbitragem foi Joseph Blatter, que por norma atira a responsabilidade do que acontece dentro de campo para as atitudes dos jogadores, ter afirmado "Este jogo foi um cartão amarelo para a arbitragem"! Elucidativo não!?

De futebol, tivemos uma primeira parte emotiva, com a Holanda a dominar durante 15 min e Portugal a marcar aos 25 e a fechar a primeira parte quase a matar o jogo com uma grande jogada finalisada por Pauleta e defendida por instinto por Van der Sar! Na 2ª parte,para além das contantes interrupções, houve tempo para uma bola no ferro da nossa baliza e uma saida de Ricardo já perto do final, a evitar o empate. Do nosso lado, Miguel teve nos pés, por duas vezes, a hipótese do 2o golo: na primeira Van der Sar defendeu, na segunda centrou para Simão que chegou atrasado. De livre Simão também esteve perto de marcar.

Ontem os jogadores "comeram a relva" para segurar a vantagem obtida por Maniche ainda na 1ª parte. Ricardo Carvalho foi enorme naquela defesa. Simão, Deco, Miguel e Figo correram Km na frente. Scolari formou um grupo que, nos piores momentos, parece encontrar energias para se socorrer mutuamente, algo que até hoje nunca tinha visto na selecção principal! A comunhão entre os jogadores e os adeptos é enorme, o que foi visível na forma como os jogadores agradeceram o apoio do público no final do jogo!

Agora vêm aí os Ingleses! A equipa que, parafraseando um colega, "me dá mais gosto vencer", não só pela vitória, mas por causa da arrogância Inglesa, que nos menospreza sempre. É sempre lindo dar uma vista de olhos aos jornais Ingleses depois de uma vitória nossa! O ressabiamento é visível! Esperemos que no Domingo tal aconteça! Quanto a mim, já me dou por satisfeito com esta prestação! Estamos entre as 8 melhores selecções do mundo e somos vice-campeões Europeus! Se algo vier por acréscimo melhor! Se não, paciência! Em Setembro começa a qualificação para o Europeu de 2008 com um jogo em Helsínquia e eu espero lá estar.

Cumprimentos,

RC

ps: Se alguém tiver visto esta estranha figura nos ecrãs da SIC com a mesma cabeleira que usei no jogo anterior, era o palhaço do costume;)

quarta-feira, junho 21, 2006

A nossa Seleccão.



Mais uma vitória consecutiva para a seleccão nacional. A equipa tem teimado em bater recordes: 10 vitórias consecutivas em fases finais do campeonato do mundo para o Felipão, 10 vitórias em fases finais para Portugal, 15 jogos oficiais consecutivos sem perder (12 vitórias e 3 empates), etc, etc, etc. Mas agora vêem os pesos pesados: ou apanha-se a Holanda ou a Argentina. Qual deles o pior!

Com a Holanda manda a tradicão que Portugal passe os oitavos-de-final. A íltima vez que as duas equipas se defrontaram foi no Campeonato Europeu de 2002 na meia-final, no qual Portugal afastou a Holanda com claros 2-1, dos quais se destaca o golaco de canto do Maniche. Maniche é um dos meus jogadores favoritos nesta seleccão - tem forca, garra, espírito competitivo e nunca baixa os bracos. Faz lembrar o quase retirado Sérgio Conceicão nos seus melhores tempos, quando goleava sozinho a Alemanha por 3-0. Portugal foi também feliz na fase de qualificacão antecedente ao mundial de 2002, quando eliminou a Holanda depois de uma vitória inesperada em Roterdão por 2-0 e um empate arrancado a ferros no ultimo minuto no Porto por 2-2. Nesse jogo ganhava a Holanda 2-0 por altura do intervalo, e foi gracas a um milagre de Pauleta ao minuto 86' e a um penalty convertido por Luís Figo em cima do apito final que se deu a reviravolta que acabaria por levar a que a Holanda não viajasse para o extremo oriente nesse ano. Estatísticamente, em 9 jogos disputados com a Holanda, Portugal só perdeu uma única vez, na distante fase de apuramento para o Campeonato da Europa de 1992, quando estrelas como Ruud Gullit e Rijkaard faziam parte da equipa.

Com a Argentina, nunca jogamos. E também não é este ano que quero ver as duas equipas defrontarem-se, com a possível excepcão da final. A Argentina parece-me muito mais eficaz que o supra-venerado Brasil. Joga rápido, bonito e concretizador.

Por curiosidade, também consultei com quem jogará Portugal nos quartos-de-final, caso Portugal passe. Seguindo a lógica sempre difícil das previsões futebolísticas, poderá cair-nos no caminho o já tradicional adversário britânico. Portugal também tem boas tradicões com os ingleses: das últimas duas vezes que se defrontaram em fases finais, venceu Portugal sempre. A primeira foi a histórica vitória por 3-2 no grupo da morte do Campeonato Europeu de 2000, onde Figo, João Pinto e Nuno Gomes derrubaram o gigante britânico no jogo de abertura, isto depois de dois escandalosos golos sofridos pelo lendário Vitor Baía nos primeiros 8 minutos de jogo. O golo que iniciou a reviravolta- valente tiraco de meio-campo de Figo - valeu-lhe o prémio de golo do torneio e uma fama internacional incomparável nessa altura. Da última ves que se defrontaram, o cenário era agora português e disputava-se o campeonato da Europa novamente. Nos quartos-de-final jogaram Portugal e Inglaterra um jogo muito sofrido em que o primeiro golo veio dos pés de Owen quando estavam volvidos apenas alguns momentos da partida. Hélder Postiga repôs a igualdade aos 83' e depois de uma emocionante meia-hora de jogo onde Rui Costa marca um golaco e Lampard equaliza a meros 5' do final, lá venceu Portugal numa série de penalties memorável, quanto mais não seja pela facanha de Ricardo. Mas muito antes disso, outro jogo de boa memória foi a vitória contra a Inglaterra na abertura do Campeonato do Mundo de 1986 no México. Carlos Manuel repetiu a facanha de marcar contra um gigante: foi com um golo de fora de área que se passou a Alemanha na fase da qualificacão e foi com outro golo do mesmo que se tombou a Inglaterra. Infelizmente a campanha quase que acabou por aí, depois de um infeliz momento de Bento (que parte o braco num treino) e das derrotas inesperadas contra a Polónia(1-0) e os insuspeitados Marrocos (3-1). Um dos jogos mais recordados pelas geracões mais velhas foi o Inglaterra-Portugal no Campeonato do Mundo de 1966, onde Eusébio e Bobby Charlton brilharam e marcaram a sua presenca na memória colectiva de todo e qualquer adepto de futebol que se preze. Nessa altura perdeu Portugal 2-1 em Londres contra os futuros vencedores da prova (Inglaterra venceu no prolongamento a Alemanha por 4-2). Portugal chegaria então ao pódio gracas a uma vitória por 3-1 contra a União Soviética.

De qualquer das formas, se Portugal abater estes dois gigantes pelo caminho, ainda estico um passo mais a minha matemática e parece-me que nas meias-finais apanha-se o Brasil (contando que este elimina todos pelo caminho). E aí desisto das minhas previsões. Se Portugal ganha, ganha praticamente o Mundial. Se ficasse por aí, já teria muita coisa boa para recordar daqui a uns anos. Como o que fiz agora neste post...


Forca Portugal!
;-)
Paulo.

P.S.: Uma última note de rodapé: aqui na Noruega iniciei um blog em norueguês sobre a nossa seleccão. A princípio tinha poucos vistantes (uns 50 a 80 por dia), mas ultimamente, muito por gracas de algumas estratégias inteligentes de marketing e aos trinufos consecutivos do Scolari e Coa. hoje atingi a bela marca das 500 visitas diárias ( e ainda são 8:30 da noite!) e citacões no jornal diário de maior tiragem na Noruega, o Verdens Gang (VG). Neste blog distribuo informacões e comentários do género deste que escrevi agora de forma a informar os vikings acerca das sagas da Nossa Seleccão. Para os mais curiosos, aqui vai o link: www.vgb.no/10569/.

terça-feira, junho 20, 2006

Tributo ao último grande herói

Já há algum tempo decido homenagear os meus pais por tudo o que fizeram por mim. Hoje as razões que me fazem voltar a este tipo de homenagem são muito mais tristes mas tão nobres quanto antes.
Ontem o meu avô, o unico avô que conheci e o último dos meus avós, morreu!
As pessoas perguntavam que idade tinha e eu não sei responder. Pouco me interessa a idade. Era meu avô e isso é tudo quanto interessa.
Geralmente quando as pessoas morrem todos dizem quão bom homem ou mulher era e o cenário pintado parece o de outra pessoa.
Não, não vou fazer isso. O meu avô era um homem cheio de defeitos, muitas vezes injusto, e tinha um feitio que nem vos digo. Mas era o meu avô, é e será sempre o meu avô.
Lembro-me que passei a minha infância e parte da minha juventude com um medo terrivel dele. Mas à medida que fui crescendo acabei por me aproximar dele e nunca esquecerei o dia em que a mulher dele morreu (a minha avó) e ninguem sabia dele. Fui encontrá-lo no sitio menos provável - em casa - na cama a chorar. Conversámos durante um tempo (não sei se foram meia dúzia de minutos ou meia dúzia de horas) e vi o meu avó como um homem como eu, com um coração mole, com sentimentos.
Nunca esquecerei o dia em que fui podar com ele num sábado de manhã.
As memórias que me põem um sorriso nos lábios estão cá todas mas tenho pena de não me lembrar da última vez que o vi.
Por vezes, para um agnóstico, gosto de acreditar que há um céu e que neste momento o meu avô, a minha avó e os dois filhos deles que já morreram estão algures, novamente juntos, e um dia eu vou lá estar também.
Nunca soube perceber muito bem porquê, mas sempre achei que todas as pessoas têm algo de bom dentro delas. Acreditei nisso e com todos os defeitos fui capaz de o ver dentro dele.
Talvez vocês também tenham avós com feitios tramados, mas lembrem-se que para o bem e para o mal são vossos avós, com defeitos, mas lembrem-se das virtudes e da próxima vez que os virem, lembrem-se dessas virtudes e sorriam. Eles gostam de nos ver sorrir!
Abraço,
Virgilio

segunda-feira, junho 19, 2006

Falemos de ciência!

Nanog, poderia ser o nome de um qualquer personagem do Caminho das Estrelas, no entanto, trata-se de um simples gene, que um investigador Português a realizar o seu projecto de doutoramento em Edimburgo, na Escócia, descobriu estar envolvido no processo de desdiferenciação celular. Ou, trocando por miúdos, fazer com que uma célula madura, readquira características de uma célula juvenil!

Este trabalho foi publicado na revista Nature de quinta feira passada. Não fosse o facto de ter tido honras de abertura de, pelo menos, três espaços de informação na Antena 1 (não tive oportunidade de ver televisão nesse dia para verificar se teria sido também referido na caixinha mágica) e este teria sido mais um bom trabalho publicado por um jovem cientista português que passaria ao lado do cidadão comum! A reportagem da Antena 1 estava simples, sendo fácil qualquer pessoa, sem as mínimas bases científicas compreender a importância deste estudo que, embora não esteja terminado,abre desde já bastantes possibilidades no sentido de se obter uma via eticamente aceitável para a obtenção de células estaminais.

Já discutimos neste espaço por mais que uma vez, a necessidade de fazer com que a importância da ciência chegue à sociedade civil! A divulgação destes trabalhos é sem sombra de dúvida importante. Mas será que não seria também importante realizar reportagens ácerca dos grandes cérebros que nos últimos anos tiveram que abandonar o país por não haver financiamento/condições de trabalho a um nível exigível para continuarem o trabalho que agora outras universidades estão a aproveitar!

Com tantas entrevistas e programas a retratar o estado do país, tantos prós e contras, será que não haveria um espacinho para divulgação da ciência que se faz no país e que cidadãos nacionais fazem, e bem, por esse mundo fora?

Fica a sugestão,

Cumprimentos,

RC

domingo, junho 18, 2006

Viva Portugal!

Há muito tempo que esperava com grande ansiedade pelo arranque do Mundial! É uma vez em cada quatro anos! Um mesinho que, se eu pudesse escolher, tirava de férias e ia passar onde estivesse a festa do futebol. Quem me conhece sabe quanto eu vibro com o maior espectáculo do Mundo (deixem-me chamar-lhe isto, a expressão "desporto-rei" não me parece suficientemente eloquente).
Correspondendo à minha (e de muitos outros) enorme expectativa, o Mundial lá começou em grande, com belíssimos golos a adornar o espectáculo no jogo de abertura e a renovada esperança de que este campeonato fosse digno do nome "Mundial" - coisa que a edição de 2002 não foi...
Mas o momento mais aguardado era sem dúvida o Portugal-Angola! A estreia da nossa Selecção! A ansiedade era tanta que nem consegui acordar tarde... O jogo era só ao fim do dia de Domingo mas logo às 10 da manhã já tinha a camisola da selecção vestida com muito orgulho... Com o aproximar da hora do jogo lá apareceu aquele nervoso miudinho que também se sente quando se entra em campo e se sabe a responsabilidade que recai sobre nós. O jogo correu bem e ganhámos, que era o mais importante!
Serve este pequeno flash-back para contextualizar um pouco o dia de hoje, dia do jogo contra o Irão. Não o esperei com a mesma ansiedade do jogo contra Angola. Foi mais um jogo, mais três pontos, mais uma vitória... normal! Para mim assim foi. Uma exibição personalizada, uma vitória incontestada. Sem grandes euforias antes ou depois do encontro. Noutras alturas talvez tivesse sido festejada esta vitória de outra forma, mas neste momento em particular pareceu-me muito normal. Normal demais! Portugal passou aos oitavos de final com toda a naturalidade do mundo. É verdade que o nosso grupo era acessível, mas o de 2002 também era e a todos sabemos como acabou a história.
Apercebi-me que esta normalidade com que encarei a nossa qualificação não é tão normal assim! A cobertura jornalística da nossa campanha pela Alemanha alertou-me para um facto que, apesar de eu ter conhecimento dele, na realidade nunca tinha lido dessa forma: pela primeira vez, desde o tempo do Eusébio, qualificámo-nos para além da primeira fase do Mundial. Em 1986 e em 2002 chegámos às fases finais do México e da Coreia/Japão, mas as prestações desastrosas acabaram por redundar em dois enormes fracassos!
Agora falta ganharmos ao México e ajudar Angola a qualificar-se também para os oitavos. E acredito perfeitamente nesta possibilidade! Espero que Angola consiga ganhar o seu jogo, porque da maneira que Portugal está a jogar, aquele México vai mesmo ficar pelo caminho! Estamos a jogar muito! O jogo com o Irão, apesar de não ter sido uma exibição entusiasmante como me recordo do Euro2000, foi uma demonstração enorme de classe! O golo podia surgir a qualquer momento, tal o domínio de jogo apresentado do princípio ao fim! Espero que continuemos assim!
Há muita gente que ridiculariza a dimensão que em Portugal se dá ao fenómeno "futebol" - ou que algumas pessoas catalogadas como "narrow minded" dão - mas eu sou um desses que adoro a Selecção! Não estou a falar do campeonato dos Benficas e dos Gil Vicentes. É da Selecção! É a equipa do meu país e eu tenho orgulho naquela equipa! Mesmo que percam os próximos jogos todos, vão sempre ter o meu apoio! É que se nós somos um país pequeno e que em muitas coisas anda "na cauda da Europa", quando se fala de futebol, lutamos de igual para igual com qualquer país do Mundo! Não quero saber se é a Argentina ou a Holanda que vem a seguir - eles que se preocupem em evitar Portugal!

quarta-feira, junho 14, 2006

Multitasking!

Quando eu era pequeno, tanto em tamanho corporal como de cabeca, era costume dominical eu e o meu pai ir-mos dar um passeio pela cidade. Como primeira paragem, costumávamos visitar a banca de jornais local e o meu pai perguntava-me sempre se eu queria levar alguma revista de banda-desenhada para casa. A tradicão estava tão enraizada que hoje em dia quase apenas me recordo das duas únicas vezes em que tal não aconteceu. O meu problema era (e ainda é) o tempo que demorava a tomar a decisão. Qual é que hei-de levar hoje? Uma simples escolha chegava a demorar largos minutos. Frequentemente impacientava-se o meu pai e, depois de muita insistência e muita e longa reflexão, lá escolhia uma das revistas em exposicão. Várias vezes me interrogou o meu pai o porquê de tanta demora. A resposta foi sempre a mesma: independentemente de quão muito atractiva me parece a revista que escolhi, fico sempre com a angústia de não saber o que estaria nas outras que não escolhi. E com a seguinte e sábia sentenca rematava o meu pai a conversa: não se pode ter tudo na vida, às vezes há que fazer escolhas.

Hoje, vinte anos passados , mais coisa menos coisa, debato-me com o mesmo problema em cada dia que passa. Mais particularmente, em relacão a saber distribuir prioridades na utilizacão das parcas 24 horas que a terra demora a dar uma rotacão sobre si mesma. É sabido que o corpo e a alma precisam uma média de 6 a 8 horas de sono, mais a descair para o mínimo no meu caso, e com esse bendito e regenerador quarto de dia não posso eu contar para nada mais que divagacões subconscientes e/ou despidas de livre arbítrio. Com o verão norueguês posso ainda espremer um par de horas extra desta medida de sono, por graca do sol que (também) não descansa. Mas que fazer com as restantes 18 ou 20?

Num dia normal levanto-me da cama e penso na sequência de eventos hipotéticos que me esperam no desfilar do dia: a lista é por vezes tão extensa que me dá mais vontade de declarar falência energética e render-me à evidência de que mais cedo ou mais tarde vou acabar o hoje que agora comeca exactamente no mesmo sítio e na mesma horizontalidade em que estou agora. Corajosamente lá me levanto em mais um épico dos dias que correm. Ora bem, aqui vai a lista para hoje: ir à cidade pagar a conta da electricidade no banco, ir aos correios mandar uma carta para a fundacão que me concede a bolsa, escrever três eposts, um para o meu supervisor em Portugal, um para uma amiga que se vai casar este verão, outro para um investigador americano que me perguntou ontem onde é que ele podia comprar bilhetes de avião baratos na Europa, ir à net procurar as ditas informacões, escrever o post da semana para o blog português, pesquisar as referências para este na net, se necessário, escrever um post para o blog norueguês que mantenho sobre o campeonato do mundo de futebol, ler as últimas no Record, Público e/ou Bola para me manter actualizado e ter referências para o último blog, corrigir a gramática do norueguês, ler o Dagbladet e/ou o Aftenposten para encontrar referências para comparacão, ter uma reunião com o Raymond (programador do laboratório) sobre que tipo de ferramenta estatística é a mais apropriada para o tipo de dados que eu tenho na minha experiência actual, treinar os ratos no labirinto para a minha experiência, teclar os resultados no computador, aplicar uma primeira análise com o programa que escrevi hoje, testar o tal programa para tentar encontrar possíveis bugs, escrever um outro programa como favor ao meu supervisor, ler um par de artigos para o "journal Club" de amanhã, falar com o chefe pelo telefone para discutir os próximos pormenores da experiência, comecar a escrever a seccão de métodos do suposto artigo que escreverei, treinar no ginásio, fazer o jantar, meter a roupa na máquina para lavar, falar com a minha colega de apartamento, tirar a roupa da máquina e metê-la a secar, pelo canto do olho ver o último episódio do C.S.I. mais o resumo dos jogos do mundial e um pouco do telejornal, (tentar) ler um capítulo de um livro sobre vela, ler mais umas páginas de um livro sobra a vida da rainha Kristina da Suécia e puff... apagam-se as luzes e caio exausto no mundo dos sonhos. E este é um dia médio!!! (perdoem-me os leitores estas confidências, (d)escritas numa forma quase à la Saramago).

E ainda diz o meu pai (supramencionado nesta crónica) que eu estou sempre cansado!

Até para a semana!
;-)
Paulo.

A febre da bola no pais do hockey!

Desde ja peco desculpa pelo teclado em ingles! E tambem pelo atraso!
A pergunta mais fantastica que tive foi:"Entao eles sobrepoem o campeonato do mundo de futebol com os playoffs do hockey?" Eh extraordinario como parece que o mundo so existe no norte da america! Eh claro que nem precisei de responder. O sorriso estampado na minha face acendeu umas luzes. "Ah pois, voces nao ligam muito ao hockey!"
No domingo la me levantei bem cedo depois de uma noite demasiado longa mas bem regada. Metro ate perto do Cafe portugues e eh claro que depois do pequeno almoco, do cafe e do cafe (sim, cafe canadiano e o belo do expresso ah portuguesa!) la me virei para as cervejolas mesmo antes do almoco. Quando se vai ver a bola ha que regar o assunto!
Acho que as reaccoes nao foram muito diferentes das de Portugal: sao todos treinadores de bancada e ainda pensam que em Angola so jogam com as bolas que nos ja nao queremos usar.
Mas ontem apercebi-me de algo ainda mais admiravel. Mesmo com a febre do hockey em que 1 em cada 3 carros na cidade tem uma bandeira da equipa da casa a disputar a final, reparei que as bandeiras dos Oilers passaram a ter companhia. Ele eh bandeiras inglesas, checas, portuguesas, americanas... Tudo e mais alguma coisa. E os bares abrem as 6 da manha para transmitir os jogos, mas como nao podem vender alcool, la tem a cerveja que vir numa chavena de cafe!!!
Digam o que disserem, mas aqui esta o exemplo de quao grande eh o Futebol!
Confesso que fiquei admirado!
Abraco a todos,
Virgilio

segunda-feira, junho 12, 2006

Começou a febre...

10 de junho, dia de Portugal, Camões e das comunidades de expressão Portuguesa. Acordar cedo, e dar uma vista de olhos nos jornais desportivos. Acabar de fazer o saco e vestir o equipamento.

Às 11 encontramo-nos e encaminhamo-nos para o aeroporto. A euforia é muita. Afinal, mais que um jogo, vamos participar numa grande festa!

Entramos no avião que nos há-de levar a Dïsseldorf às 13.30. Primeira grande surpresa do dia, uma das hospedeiras era uma antiga colega de faculdade, que agora vive na Suécia! O mundo é mesmo pequeno!

A viagem de 2 horas passou num instante. Chegado a Weeze, mais um daqueles aeroportos no meio do nada que as companhias aéreas de baixo custo utilizam, deixamos o avião vazar e tiramos as fotos da praxe! Encaminhamo-nos para o terminal e vemos que os amigos com quem vamos ficar já nos esperam! Após o controlo dos passaportes (a Alemanha cancelou o acordo Shengen durante o Mundial de Futebol) o encontro, colocar a primeira conversa em dia, pegar no carro e encaminharmo-nos para Dusseldorf.




Às 18.00 horas começa o jogo da Suécia. Após uma primeira parte fraquinha, vamos buscar o último felizardo que nos irá acompanhar ao jogo. Mais um reencontro e muita conversa para colocar em dia, que o João, para conversar, não há como ele! Antes do regresso a casa, a última tentativa para comprar sprays para pintar o cabelo. Não encontramos cores que nos agradem por isso deixamo-nos seduzir pelas tintas para pintar a cara.

Para a noite estava reservada uma bela surpresa: uma churrascada no quintal de casa, na companhia de uma família de portugueses, que já reside na Alemanha há muitos anos. Foi uma noite muito bem passada, onde não faltaram as guitarradas de Coimbra a fazer lembrar outros tempos! Às 3 da manhã resolvemos recolher às boxes, não sem antes efectuar um "passeio higiénico" pelo campus universitário.



Dia 11 de Junho, após uma noite mal dormida, um longo pequeno almoço a servir de entrada para o resto do dia. Chegados a Colónia depressa demos com uma das zonas de animação: a imponente catedral (Dom). Tivémos a sorte de conseguir umas pequenas cabeleiras com as cores nacionais na carrinha que estava a promover o nosso país e todos equipados a rigor, iniciámos a festa. A passear pela cidade, sem nunca fugir muito ao centro, lá fomos cantando "Portugal olé..." seguidos de imediatos pelos milhares de portugueses que caminhavam como nós pelas ruas, ou que se encontravam espalhados pelas fabulosas esplanadas da cidade! Pelo caminho íamos sendo alvo das objectivas dos papparazi dos mais variados países. No entanto, após o almoço, e depois de aplicarmos as pinturas compradas no dia anterior, o sucesso foi total! Entretanto, as gargantas começaram a falhar e começaram a fazer-se horas de ir para o estádio. Lá fomos, atrás da multidão, apanhar o comboio para o estádio. O nervoso miudinho agudizou-se com o aproximar dos momentos da verdade: será que nos deixavam entrar já que as pessoas para quem foram emitidos os bilhetes, não eram as mesmas que iam com intenções de assistir ao jogo; e será que se conseguia ver bem o jogo com bilhetes de visibilidade reduzida!?



A entrada no estádio foi simples e rápida. Ninguém verificava passaportes e as revistas decorriam de forma rápida e eficaz! Procuramos então os lugares que nos estavam destinados. Grande alegria! A visão para o terreno de jogo era perfeita, não havia nada que nos impedisse de ver o campo! Como é óbvio, a festa que havia começado nas ruas do estádio continuou. Ricardo entra para o aquecimento e houvem-se as primeiras palmas. A equipa entra e houvem-se as primeiras ovações! A malta já só queria cantar o hino e guardar o que restava da voz! Pauleta falha o primeiro, no primeiro minuto de jogo, mas passados 4 minutos, encostou a redondinha para as redes, após uma fantástica jogada desse grande mestre de seu nome Figo! A primeira parte foi emotiva e houve algumas oportunidades de golo, no entanto, fruto de uma exibição abaixo do que se esperava, a malta começou a desanimar. Com a segunda parte, o desânimo foi crescendo, ao invés do ânimo angolano que crescia, e pela primeira vez se começaram a ouvir os adeptos a puxar por Angola! Acabou o jogo e não houve vontade de festejar! Ganhámos, mas não jogámos bem! Esperemos que não encaremos os próximos jogos da mesma forma! Tiago, Cristiano e Simão não existiram! Figo foi de longe o melhor! Várias foram as vezes que todo o estádio chamou pelo nome dele! Costinha afinal parece estar em grande forma!

Acabou-se o dia. Mais há-de vir, desde que cumpramos a obrigação de chegar aos oitavos de final! Se assim for, lá estarei para gritar bem alto o nome do nosso país, na companhia de todos os priveligiados que tiveram a sorte de conseguir ingressos para os jogos. Nestes dias é que se percebe o porquê de o futebol movimentar tantas massas! Tudo o que rodeia o jogo é festa, o jogo em si, por vezes, acaba por ficar para segundo plano, se o ambiente que o rodeia for emotivo/bonito/alegre!

Ao Rui e à Joana, muito obrigado pela fantástica recepção.

Ao Gonçalo, Orlando e João, obrigado pela companhia e espero que tenham gostado!

Cumprimentos,

RC

sábado, junho 10, 2006

Dia de Portugal!

Não podia deixar passar esta data em branco!
Hoje é o dia de Portugal, o mesmo Portugal que nós criticamos porque queremos melhor e sabemos que é possível. O Portugal do fado e da saudade que nos invade de tempos a tempos quando estamos longe.
Eu tenho o azar de estar longe, mesmo muito longe, mas ao mesmo tempo tenho muita sorte em ter uma comunidade portuguesa que não esquece o país e os seus feriados e os celebra com um cheirinho a Portugal. Daqui a umas horas começa a festa no Centro Português com Sardinhada e Febrada. Festa rija que se prolonga até às tantas da matina. E tal como em Portugal, também aqui a desunião se verifica. Várias festas vão ocorrer ao mesmo tempo talvez apenas porque alguem decidiu fazer uma festa primeiro.
Nem no dia de Portugal, em Portugal ou no estrangeiro, parece possivel juntarmo-nos para celebrar o nosso país. Será essa uma das nossas imagens de marca: Todos juntos pela bola e pouco mais!
Mas hoje é o dia de Portugal e naturalmente o dia de todos nós. Tenho saudades de ouvir o hino...
Como é o vosso dia de Portugal?

quarta-feira, junho 07, 2006

A lenda de K.

Numa noite de verão, cálida e luminosa como só no norte da Europa se pode viver, trabalho como DJ numa festa de estudantes de intercâmbio. Após três horas de infatigável labuta, levanto-me e deambulo pela festa. Junto-me a dois estudantes, uma alemã e um italiano de baixa estatura. Comecamos a falar. A conversa corre fluida e fácil, muito contribuindo as três cervejas que os organizadores da festa foram-me deixando ao lado do computador enquanto seleccionava as próximas músicas. Uns momentos mais tarde, junta-se uma quarta personagem.
K. é um pouco mais alta que eu, magra, alva e resplandescente. K. sorri com olhos de côr azul marinho claro, K. é introvertida mas segura de si própria, K. é simples, decidida e sistemática. K. veio para a Noruega como estudante de design industrial e vai ficar em Trondheim por um ano. K. adora esquiar e trouxe todo o equipamento de slalom consigo. K. adora música. E foi assim que me seduziu.
- I´m tired now and I´m going home. Do you wanna come with me and listen to Kent?
Kent é uma banda de rock sueca que acaba de lancar o seu album de maior sucesso. Vapen & Ammunition. Kent enche um estádio com 100 mil suecos vestidos de branco no dia nacional da Suécia em 2003. K. adora Kent.
- Can you understand the text?
No seu quarto, à meia luz, sentados na cama, lado a lado, falamos até ser amanhã de manhã.

"Mitt land är ditt land, alt är fritt
Min dröm er din..."
*

À quatro anos atrás...

É raro o dia em que não penso em K.. O que é que ela faz agora? É K. feliz? Que pensa ela hoje? Por uns emails que trocamos esporadicamente, sei que vive em Gotemburgo, joga volleyball de praia e continua a navegar em pequenos barcos de competicão de vela ao fim-de-semana. De vez em quando visita os pais junto do lago Vänern, perto de Åmål. Creio que está sozinha agora. Das três parcas semanas que passámos juntos não sobrou muito mais na minha memória. Lembro-me que K. foi a pessoa mais bonita que alguma vez conheci. K. era forte e altiva como uma rainha. K. era o meu sonho escandinavo. Cada vez que vejo o Zlatan** a marcar um golo, a Carro** a ganhar mais uma medalha, cada vez que ouco uma balada de ABBA na rádio, Nina Persson** na MTV, um SAAB na estrada ou uma inevitável entoacão de sueco na rua, é K. de quem me lembro. K. é uma parte da Suécia, e a Suécia é uma parte de K. K. cristalizou-se na minha memória como a bandeira da vida que sempre quis ter. E a perda de K. é a explicacão das razões pelas quais nunca a terei. Existiram algumas mulheres na minha vida antes e algumas depois, mas K. é a ferida que mais tempo demorou a sarar.

O sonho continua. Mas sem K..

" Mitt land är mitt land bara mitt,
Din dröm är min nu..."*


*
Mitt land är ditt land, alt är fritt, Min dröm er din...= "O meu país é o teu, o mundo é livre, o meu sonho é o teu..."
/
Mitt land är mitt land bara mitt, Din dröm är min nu... = " O meu país é meu e é apenas meu, o teu sonho é o meu agora... [Kent, "Hagnesta Hill", "Kävlar själ", 1999]
** Zlatan [Ibrahimovic] é um dos mais populates futebolistas suecos; Carro [=Karoline Klüft] é a sueca campeã mundial e olímpica em título de heptatlo feminino; Nina Persson é vocalista dos "Cardigans"

terça-feira, junho 06, 2006

Em branco

Ora não querem lá ver o que me aconteceu hoje?
Eu bem que fui ao site d'O Publico, d'A Bola e do Diario de Coimbra mas nada me pareceu capaz de despertar a atenção, talvez porque as notícias tenham sido quase as mesmas nos últimos dias.
Relembro algo que me marcou no dia de hoje e nos últimos dias mas como não falei muito sobre o assunto acho que acaba por ser adequado.
Como qualquer grupo de amigos tem, o curso de Bioquímica tem um mail group já há bastante tempo e que nem sempre funciona da melhor maneira, mas por vezes acaba por ter mensagens importantes e algumas discussões como a que se gerou nos últimos dias.
Para quem não estiver dentro do assunto vou tentar resumir ao máximo, correndo o risco de ferir susceptibilidades, mas que se lixe.
Ora assim foi: Um caloirito andava perdido e decidiu atirar o barro à parede e ver se colava. Ora lá pôs ele a questão que a maioria não se atreve a fazer e é claro que as respostas foram desde o pôr-do-sol à beira-mar até à tempestade do século.
O que vi acima de tudo foi um choque de gerações, um choque de personalidades e um choque dos que ficam chocados porque acham que devem ficar chocados e fica bem, "prontos".
A verdade é que sempre existiram e sempre existirão diferentes perspectivas para uma mesma questão. Teremos sempre os radicais que defendem o preto e os que defendem o branco, e depois aqueles que estão ponderadamente nos diferentes tons de cinzento. É claro que há camaleões espontâneos, que ora são brancos ora são pretos e por vezes mesmo cinzentos.
Confesso que fiquei satisfeito pela forma como um caloiro juntou tantas pessoas de diferentes gerações bioquímicas a falar sobre um problema que nos afectou a todos e ainda nos afecta. Só espero que os vários professores que fazem parte do mesmo grupo retirem alguma coisa da discussão...
Abraço,
Virgilio

segunda-feira, junho 05, 2006

Lei da paridade=igualdade?

No último ano muita tinta tem corrido nos jornais portugueses relacionada com a lei que PS e Bloco de Esquerda aprovaram na Assembleia da República. A lei da paridade, estipulava a obrigatoriedade da existência de 1/3 de mulheres em lugares elegíveis nas listas partidárias!

As mulheres têm, com todo o mérito, pouco a pouco, conquistado o lugar que séculos de maxismo, motivado quer por motivos religiosos, quer pela própria sociedade, as privava! Hoje é cada vez mais comum encontrar mulheres em quase todos os sectores profissionais, mesmo em profissões que tradicionalmente eram exclusivamente masculinas! Os estudantes nas universidades já são maioritariamente do género feminino, muito embora quando se analise os números relativamente aos empregos de topo, quer em empresas públicas quer privadas, estes ainda serem maioriatariamente ocupados por homens! No entanto, fruto do trabalho, empenho e competências profissionais os números estão a mudar. Talvez não tão depressa como seria desejável, mas lá diz o ditado, "Roma e Pavia não se fizeram num dia"!

A imposição de quotas para mulheres, seja onde seja, é na minha opinião tudo menos democrático! Todos os lugares devem ser conquistados por mérito, fruto do trabalho e do empenho demonstrado! Na política tal não deverá ser diferente. E, curiosamente, como eu, pensam Comunitas e Ecologistas, Sociais Democratas e Populares, partidos de esquerda, centro-direita e direita! Sendo o nosso sistema eleitoral proporcional, seria ilógico defender que em regiões do país onde há cada vez menos população, os lugares elegíveis fossem ocupados não em função dos méritos, mas em função do género, seja ele masculino ou feminino!

Foi então com algum contentamento que li que o Presidente da República enviou de volta para a Assembleia da República a "lei da paridade" recomendando, entre outras, que em vez da obrigatoriedade de 1/3 se estabelecessem multas para as listas que não cumprissem esta razão, por forma a pelo menos chamar a atenção para estes números!

Cumprimentos,

RC

quarta-feira, maio 31, 2006

Inteligência animal!


Um grupo de etologistas numa universidade norte-americana decide estudar o comportamento de aves, de forma a compreender estratégias de aprendizagem e de utilizacão de ferramentas. Este é um dos padrões de afericão de inteligência descritos nas espécies primatas não-hominídeas. Muitos ouviram falar do exemplo de certos chimpazés que utilizam pequenos ramos para "pescar" formigas. Mas como aferir estas capacidades entre aves?

Decidem-se então a observar os corvos que vivem nas imediacões do campus. Para os entendidos em psicologia cognitiva é universalmente aceite que os corvídeos são dos géneros com o maior valor de QI entre os membros da classe das aves.

Após observacão, constatou-se que a populacão local de corvos alimenta-se de, entre outras opcões, nozes. O problema das nozes é o de que, embora nutricionalmente ricas, são revestidas de uma carapaca dura que os corvos não conseguem partir através da utilizacão do bico. Após alguma dose de experiência-e-erro, os corvos aprenderam que a melhor estratégia para partir as nozes é voar até uma certa altitude e deixar cair a noz. Mas esta estratégia depende largamente de onde é que a noz cai: quando as nozes caiem em terrenos não relvados ou arborizados, estas quebram-se mais frequentemente. Esta estratégia não elimina infelizmente o problema da competicão. Outros corvos oportunistas podem esperar escondidos perto das superfícies acimentadas ou asfaltadas de forma a que quando os seus companheiros de espécie deixam cair as nozes, se aproveitem deste maná.

Daqui surgiu uma outra estratégia mais elaborada. Alguns corvos descobriram que se abandonarem a noz aproximadamente no centro de umas superficies alongadas que se apresentam quase por todo o lado nas imediacões da universidade, mais cedo ou mais tarde aparece um objecto macico móvel que quebra a casca da noz por accão da sua passagem (nós, os humanos, chamamos a estas superfícies estradas, e as estes estranhos objectos ambulantes, automóveis). A única coisa que os corvos têm que fazer é esperar pacientemente pelo próximo engenho rolante e saltitar rapidamente em direccão à nóz (agora quebrada) após a passagem deste.

Mas esta estratégia tem as suas desvantagens. Ás vezes tem consequências fatais. Estes estranhos animais metálicos vitimam indiferentemente tanto nozes como aves. Para espanto dos etologistas, os nossos amigos corvídeos desenvolveram ainda mais um truque.

Alguns corvos aprenderam a utilizar esta estratégia mais selectivamente. Alguns compreenderam que é mais seguro deixar as nozes apenas nos pontos em que umas misteriosas linhas brancas paralelas sobressaiem do fundo azul-escuro. Ainda melhor: esperar na berma enquanto uma certa luz vermelha no topo de um poste vertical se encontra acesa e colher a noz apenas quando esta luz se apaga e uma outra luz esverdeada e um pouco mais abaixo se acende.

Genial, não é?
;-)
Paulo.

terça-feira, maio 30, 2006

Brincadeiras e gargalhadas

Mais um dia de trabalho (pouco) puxado. Chego a casa, tomo a bela da banhoca, ligo o portátil e verifico uma vez mais o que faz girar portugal no mundo das notícias. Lá fora chove quase torrencialmente por segundos e ao longe troveja.
A Bolanão me diz nada de novo, mas o Público faz-me rir, sorrir e pensar em tom de gargalhada o que já me tinha ocorrido aquando da publicação da notícia.
O Eduardo Prado Coelho nem sempre tem o meu apoio, mas as palavras de hj (ontem) fizeram-me sorrir:
Pergunto-me: mas os pais avaliam o quê? Se os professores são bonitos ou feios? Se as professoras usam ou não as saias curtas? Se vão à escola regularmente?"
Eduardo Prado Coelho, sobre a hipótese de os professores serem avaliados pelos pais dos alunos, PÚBLICO,

Pois eu acho muito bem que os pais façam parte do sistema educativo. Não só acho bem, acho essencial! Mas a avaliar professores???
Cada vez mais nos debatemos por uma maior participação dos pais na educação dos filhos, cada vez mais os pais estão ausentes das escolas e só lá vão mesmo quando os professores os chamam, e se for por outro qualquer motivo que não seja: O seu filho bateu num aluno! ficam mal dispostos, e a resmungar que se os filhos têm más notas a culpa é dos professores. Ou então há sempre o caso dos pais que se queixam que os filhos têm muitos trabalhos de casa.
Pôr os pais a avaliarem professores que nunca viram na vida só pode ser brincadeira de carnaval! Não me parece que dar aos pais o poder de avaliar os professores os vai aproximar mais das escolas e da educação dos filhos. E se pensarmos nos milhares de portugueses com filhos em idade escolar que são incapazes de os ajudar pois não possuem conhecimentos suficientes, como serão eles capazes de perceber o que lhes pedem para avaliar?
Bem, tenho apoiado muitas das medidas deste governo, mas esta... deu para umas gargalhadas!
Abraço
Virgilio

segunda-feira, maio 29, 2006

Bikram Yoga

Imaginem uma sala silenciosa, vapor a sair da parede, temperatura entre 37-42ºC, 20 pessoas estendidas num colchão de borracha (daqueles do campismo) com uma toalha entre o colchão e as costas da pessoa. O ar é irrespirável, mas como se está parado, ao fim de uns minutos habituamo-nos. O instrutor chega e começam-se a fazer os exercícios de alongamento. Começa-se a suar, por todos, todos os poros do corpo. A temperatura é insuportável, não há nada na sala que nos consiga refrescar! A garrafa de água, para além de começar a ficar menos cheia, começa a aquecer! Começam as primeiras náuseas...o corpo não está habituado a este ambiente quente e anaeróbio. Uma pausa e volta-se a tentar seguir os exercícios. Mais uns minutos, nova pausa. Desta vez tenho que sair da sala, arrefecer! Fabulosa a sensação de frio e de ar não saturado com água! 2-3 minutos, a respiração volta ao ritmo normal, o ritmo cardíaco acalma e estou pronto a voltar para dentro! Desta vez não voltei a sentir necessidade de sair da sala. Não consegui fazer os exercícios todos, mas outros mais rodados também começaram a fraquejar! Ao fim de 90 min, deitamo-nos de costas, o vapor deixa de entrar na sala, os olhos fecham-se e começa-se a ouvir os golfinhos e as ondas do mar a cair sobre a areia! Alguém entra na sala e deixa uma toalha ao lado de cada pessoa. Está ensopada em água fria! Fantástico. Coloco-a sobre a testa e deixo-me ficar uns minutos! Está na hora do duche, tirar a T-shirt ensopada em suor. A toalha parece que triplicou de peso, a T-shirt, nem se fala...Os músculos que durante toda a sessão estiveram relaxados devido ao calor, começam a contrair de novo! O chuveiro nas costas permite que esta contração não seja dolorosa! Visto-me e vou-me embora com aquela sensação de dever cumprido, que uma tarde de futebol das antigas, num quente dia de Verão, deixava em nós! A vida actual não permite essas tardes, muito menos estando pouco mais de 10 graus na rua!

Foi assim a minha primeira experiência com a Bikra Yoga na versão de Estocolmo. Uma experiência fantástica, cujo único senão é o preço! 200 coroas por uma aula, que podem ser reduzidos a 170, se se comprar um conjunto de 10 e se levarmos o nosso próprio equipamento. Se se optar pela mensalidade, pode-se ir as vezes que quisermos durante o mês por 1500 coroas, mas para tal opção compensar é preciso que estejamos fisicamente aptos a tal, o que actualmente não é o meu caso. Não sei se irei voltar a fazer ou se regressarei à Ioga, versão tradicional. Também gosto e é bastante relaxante, no entanto, não se sua muito e às vezes sabe bem suar!

Para aqueles que estão fartos de ginásios, ou mesmo de não fazer nada, recomendo vivamente experimentarem Ioga, seja que versão for. No dia a seguir vão ver que afinal o mito do desporto xato e monótono não passa disso mesmo: um mito! Eu estou rendido.

Cumprimentos,

RC

terça-feira, maio 23, 2006

A educacão vista de um ponto de vista escandinavo.

No post de ontem o Virgílio descreveu-nos alguns pontos do sistema de ensino canadiano. O sistema foi elogiado como sendo de qualidade. No entanto, despertou-me a atencão de se pagarem propinas altas, à semelhanca do sistema norte-americano, e desse esforco ser financiado pessoalmente, quer pelos pais (à semelhanca do sistema português), quer por empréstimos bancários.

Aqui na Noruega e nos países nórdicos existe uma política de educacão original e diria única no mundo. Sei que alguns leitores podem discordar comigo no que se refere às minhas opiniões pró-escandinavas de sistema político nórdico europeu, por serem demasiado socialistas e (hipoteticamente!) limitarem a liberdade de enriquecimento económico pessoal e priveligiarem o aparecimento de "preguicosos" que vivem à custa do estado e do sistema de bem-estar público. Concordo que é assunto de discussão as altas taxas de impostos, o proteccionismo económico de certos produtos e o monopólio do estado na maior parte dos servicos públicos. Mas um ponto que considero intocável, sagrado e quase sem discussão é o sistema da "Statens Lånekasse for Utdanning" que existe tanto na Noruega como também na Suécia, Dinamarca e Islândia, sob diversos nomes, mas com o mesmo princípio fundamental.

O princípio fundamental que serve de base a este sistema é a pedra-base da filosofia política escandinava: likestilling. Likestilling significa igualdade de estatutos, igualdade de tratamento, e, relevante para este tema, igualdade de oportunidades. É o termo mais importante do léxico político escandinavo. Tanto a Noruega como a Suécia têm sido campeões mundiais na aplicacão deste princípio na criacão de uma sociedade em que há igualdade entre os dois sexos, tanto do ponto de vista ideológico como no prático. Mas acima de tudo, para haver igualdade de oportunidades, tem de haver igualdade de acesso à educacão.

Em 1947, o estado norueguês criou a Lånekasse, em que todos os indivíduos maiores de 16 anos podem concorrer a receber uma bolsa do estado, uma espécie de salário mensal, de forma a poderem prosseguir os seus estudos. Esta bolsa foi primeiramente atribuida de uma forma progressista, isto é, dependia das capacidades económicas dos pais, mas na década de '70 tornou-se independente deste factor e hoje em dia toda a gente pode recorrer à Lånekasse (praticamente todos o fazem). Não existem muitos limites para o acesso à Lånekasse. Se uma pessoa de 40 anos decidir retomar os estudos, pode-o fazer com acesso a este fundo. A responsabilidade de apoio à educacão foi transferida dos pais para o estado. É considerado um direito fundamental da populacão o acesso à educacão. Tanto as escolas básicas como as do ensino superior são regidas sob o princípio da educacão gratuita, isto é, não existem taxas ou propinas e os programas escolares são planeados de forma a restringir as despesas privadas. Deste modo, as deslocacões pedagógicas (as chamadas "viagens de estudo") são parcialmente ou totalmente financiadas por fundos da escola, por exemplo. Os livros escolares podem ser comprados, mas existe uma rede desenvolvida de empréstimo anual organizado por parte das escolas (principalmente no ensino básico) e é extremamente vulgar o uso de livros "em segunda mão".

No entanto, não esquecamos que a própria palavra lånekasse revela a natureza desta bolsa: låne significa empréstimo, kasse significa fundo. Eventualmente o dinheiro emprestado pelo estado é pago novamente pelos alunos depois de acabada a sua educacão, mas de uma forma suave e lenta. Este empréstimo tem baixas taxas de juro e o aluno pode pagá-lo ao longo do resto da sua vida, a um ritmo negociado entre o indivíduo e a Lånekasse. No caso de morte, invalidez ou desemprego permanente, a dívida é cancelada. Em tempos de desemprego, o pagamento é automaticamente congelado. Os valores do empréstimo são ajustados de forma a fomentar o emprego sazonal no verão: são altos o suficientes para cobrir as necessidades básicas do aluno, mas não permitem luxos e muitos são aqueles que escolhem um emprego de verão de forma a ter uns trocos extra para cinema e umas cervejas de vez em quando.

Em relacão a possíveis críticas, este ordenamento não cria geracões de alunos preguicosos ou baixa o apreco dos mesmos pela sua educacão. Os alunos são tão (ou mais) competentes como qualqueires outros de outro país ocidental. Estes também não estão condicionados pelo nível económico dos pais ou pelas decisões destes (conheco casos em Portugal de pessoas que estudaram um curso de que não gostavam porque os pais ameacaram cortar o apoio económico se os filhos escolhessem outro curso). A Escandinávia é, talvez, o único ponto do planeta em que uma pessoa tem total liberdade de escolha no rumo a tomar na sua vida: quando se nasce, tem-se igual oportunidade de se vir a tornar carpinteiro, médico, primeiro-ministro ou astronauta, independentemente da situacão económica ou social dos pais, do sexo, raca, credo ou local onde se nasceu no país. Isto é, a meu ver, verdadeira liberdade e democracia!

Claro está que para financiar um sistema assim, é preciso forte contribuicão do Estado. E daí os impostos altos. Mas esta é uma daquelas regalias sociais que me dão justificacão suficiente para os pagar.

A educação, o nível de vida e a neve!

Depois de algumas semanas um pouco afastado da realidade regresso com mais umas palavras.
Já há algumas semanas que medito sobre o assunto da educação, estimulado por diversos emails da mailing list de bioquímica sibre Bolonha.
Estou num país diferente, e pegando no post de ontem do Ricardo, num país onde a qualidade de vida é bastante elevado.
Neste país a universidade é feita para os alunos (algo que sempre defendi) e a classificação e comentários dos alunos são tornados públicos. Existe mesmo um site acessível a todos onde essa informação é colocada e já muitos foram os alunos que vi a consultarem esse site para escolherem que cadeiras fazer. Uma Universidade feita para os alunos onde a maioria das cadeiras é dada por vários professores, que acabam por entrar em disputa pela melhor classificação, e dessa forma aplicam-se de maneira a satisfazer as ambições dos alunos. Desde cópias à nossa espera no início das aulas com os slides que vão ser apresentados, a resumos da matéria com respectivos capítulos dos livros recomendados. Uma universidade que disponibiliza aos alunos a possibilidade de, durante os supostos quatro meses de férias passarem-nos num laboratório a serem pagos, permitindo o desenvolvimento das habilidades de cada um nas mais diversas áreas. Mas claro que se o desejarem, têm dois semestres (termos) em que podem fazer cadeiras para adicionar ao curriculum.
E esta é a altura em que pensamos: Que sistema maravilhoso!
Pois, mas a verdade é que o valor das propinas é de tal ordem que os alunos pedem empréstimos para pagar propinas (ou os pais emprestam sem juros) para poderem frequentar a universidade, para exercerem um direito universal! A grande maoria dos alunos trabalham desde os 16 anos para juntarem dinheiro para ajudar a pagar a universidade, e muitas vezes quando lá chegam têm de continuar a trabalhar para se sustentarem, e depois quando acabam os primeiros anos são sempre para pagar esses empréstimos.
Agora reflectimos: será que vale a pena? E olhamos para o nosso pequeno Portugal. Na verdade será assim tão dificil demonstrar a estes países que é possível ter um sistema de ensino superior maioritariamente financiado pelo estado e com a mesma política de: "As Universidades existem porque existem alunos!"?
Consigo pensar num entrave a este sonho que tenho. É que por aqui, são muito poucos os licenciados desempregados. As universidades existem para o mercado em que estão enquadradas e dessa forma um tal investimento por parte dos alunos é recompensado. E em Portugal todos sabemos como estão as coisas, como as Univresidades estão desenquadradas do mundo que as rodeia.
Podia estender-me aqui falando de como se ganha muito dinheiro na construção ou nos poços de petróleo, o que é também um factor importante, mas acho que no seguimento das palavras do Ricardo tinha de referir esta peculariedade de um dos países com maior qualidade de vida. Mais uma vez confirmo que a educação, e a boa educação, enquadrada no tempo e espaço é uma ferramenta vital para o desenvolvimento de um país e o melhoramento da qualidade de vida.
Porque será que demora tanto tempo aos políticos portugueses abrirm os olhos e ver o que já mais de meio mundo percebeu?
Abraço da terra onde já não há neve e a primavera veio em força

segunda-feira, maio 22, 2006

Qualidade de vida

Foi recentemente divuldado pela consultora Mercer um relatório com os dados relativos aos indices de qualidade de vida em 215 grandes metrópoles mundias para o ano de 2006.

É curioso que nas 10 primeiras posições aparecem 7 cidades Europeias: Zurique e Genebra (Suiça) encabeçam a lista, seguidas por Vancouver (Canadá), Viena (Austria), Auckland (Nova Zelândia), Dusseldorf, Frankfurt, Munique (Alemanha), Berna (Suiça) e, a fechar o top ten Sidnei (Austrália). A tabela é claramente dominada pelas cidades Europeias.

Para elaborar este estudo, a Mercer utilizou 39 critérios diferentes, tais como políticos, ambientais, sociais, económicos, criminalidade e segurança, saúde e educação, transportes públicos e outros serviços públicos. A cidade utilizada como termo de comparação para elaborar o ranking foi Nova Iorque (46ª posição).

Lisboa aparece bem posicionada neste ranking, 53º logo atrás de Milão e à frente de cidades como Birmingham, Glasgow, Los Angeles, Roma, Miami, Hong Kong, Praga, etc...

Relativamente às cidades Escandinavas, Copenhaga aparece num honroso 11º posto, Estocolmo desce um lugar para o 20º relativamente a 2005, Helsínquia é 29ª e Oslo é 31ª.

Uma reflexão relativamente aos dados da tabela demonstra que a Europa do Norte e Central e o Canadá são as regiões do mundo onde se encontra melhor qualidade de vida, seguidas de perto pela Europa Ocidental Austrália e Nova Zelândia.

A mesma consultora também publicou uma tabela em que analiza o custo de vida nas mesmas cidades. Tóquio lidera a lista, seguida de Osaca, também no Japão. Londres e Moscovo seguem logo atrás.

A lista completa das cidades pode ser visualisada gratuitamente neste site (no site da Mercer só temos acesso às 50 primeiras).

Cumprimentos,

RC

segunda-feira, maio 15, 2006

Scolari,Baía (e outros), Quaresma (e outros)

Scolari chegou a Portugal em 2003, tendo desde logo a sua contratação sido contestada por diversos sectores da sociedade, mais concretamente do mundo do futebol. Desde a Associação de treinadores, que argumentava que o treinador campeão do mundo em 1998 nos EUA não tinha os cursos que lhe eram exigidos, a alguns dirigentes de clubes da nossa praça, que viram defraudadas as esperanças de mais uma vez terem um seleccionador do sistema que convocasse os seus jogadores, não por mérito, mas no sentido de os valorizar! muitas vozes se levantaram contra os vencimentos de Scolari e sua equipa técnica!

Mas a entrada de Scolari no seio da selecção também foi polémica desde logo por deixar de fora alguns dos até então inquestionáveis seleccionáveis. Falo de João Pinto, Sérgio Conceição e, claro, Vítor Baía. A respeito deste último assistiu-se a uma autêntica novela, alimentada por "jornaleiros e comentadeiros" da nossa praça! Os outros 2 foram ignorados, mas Baía foi tratado como um Deus na nossa mass media.

Poucos sabem o que de facto se passou no Mundial da Coreia/Japão, mas algo se terá passado. Muitos foram os desabafos de jogadores, mas que não passaram disso mesmo: tiros para o ar, sem apontarem a alvos definidos! Os boatos e as histórias sobre as superstições do Oliveira, as idas aos casinos entre outras foram mais que muitas. A polémica "passagem" de Ricardo de titular a suplente na fase final foi esquecida. No entanto, não há nenhum adepto que não ache que situações estranhas de facto aconteceram, ou se os há, nunca os vi/li/ouvi!

Só por este conjunto de evidências, não estranhei que aquele grupo de 3 jogadores, deixasse de ser chamado à selecção! Mas claro, só de Baía se fala...

Depois o processo de naturalização de Deco em que os que até aí contestavam, de um momento para o outro passaram a aplaudir! E os que o apoiavam passaram a contestar. Deco lá está, é jogador da selecção, e foi mais uma batalha ganha por Scolari.

Scolari lá foi fazendo o seu trabalho, as suas experiências. Levou-nos pela primeira vez à fase final de uma grande competição de clubes. As vozes contra acalmaram-se, mas não desapareceram...Estavam apenas à espera do momento certo para voltarem a lançar as alfinetadas da praxe! Primeiro, quando Ricardo passou por um mau (para não dizer exasperável) momento de forma. Em vez de questionarem a titularidade deste, voltaram a contestar a não convocatória de Baía...vá-se lá saber porquê!? Depois quando o seleccionador, como qualquer pessoa que gosta de desafios e não gosta de estar desempregada, aceitou falar com representantes da federação inglesa, foi o carmo e a trindade.

Hoje vai ser divulgada a lista de convocados para o Mundial. Desta lista, pelos vistos, não faz parte o nome de Ricardo Quaresma. Este jogador do Porto, tem sido uma eterna promessa. Esta época teve 3-4 meses geniais, em que foi o motor da equipa do Porto. Os seus cruzamentos de "trivela" punham a cabeça em água às defesas. Mas de um momento para o outro voltou a ser aquilo que era desde os tempos do Sporting: um malabarista, que joga sozinho e que não sabe o significado de jogo de equipa! Vergonhosa a sua actuação no jogo com o Sporting, em que poderia ter causado graves lesões a pelo menos 2 jogadores. Até o seu treinador viu isto e substitui-o de imediato, tendo este abandonado de imediato o terreno de jogo da direcção dos balneáreos sem cumprimentar ninguém! A comunicação social, mais uma vez, está a endeuzar o jogador. Já se fala de uma calamidade, da falta de soluções e que Quaresma seria o salvador da pátria! O que é certo é que, sem Quaresma, a selecção qualificou-se para o Mundial, com uma perna atrás das costas! Espetámos 7-1 à Rússia, que, mesmo não sendo a Rússia de outros tempos, continua a ser uma das boas selecções Europeias. E Quaresma...pouco jogou!

A mim preocupam-me mais outros nomes. O nosso ataque está muito bem servido! Em vez de Postiga talvez levasse João Tomás. Não levaria Maniche nem Viana pois pouco jogaram nos seus clubes e o pouco que jogaram não foi convincente. Costinha é o líder da selecção, mas não joga há 6 meses. Talvez o levasse, se houvesse uma vaga para ele, e olhando para os trincos de nacionalidade portuguesa que temos, parece-me que não há muito por onde escolher. Meireles talvez fosse uma boa opção pelo final de época fantástico que fez mas, tal como Quaresma, é um jogador de altos e baixos! Na defesa diz-se que Ricardo Costa vai ser convocado. Não compreendo esta chamada de um jogador que ainda não se afirmou e havendo outras boas opções como: Nunes, R Rocha, Zé Castro.

Qualquer que sejam os jogadores anunciados hoje às 20 h de Portugal Continental, no dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, voarei para a Alemanha. No dia seguinte lá estarei em Colónia a apoiar os 23. Espero lá voltar mais uma vez para o nosso jogo dos 8os.

Até lá, deixem o homem trabalhar e deixem-nos sonhar. Farto de profetas da desgraça estamos todos!

Cumprimentos,

RC

ps: sempre me opuz à naturalização de Deco. Hoje aplaudo-o mas não vibro com ele. Enfim, é o meu lado nacionalista e a minha visão de que para nos sentirmos portugueses e sabermos o significado e peso do escudo que aqueles jogadores envergam ao peito, não basta viver uns anos em Portugal, é preciso nascer no meio daquelas estórias e mitos!