domingo, fevereiro 04, 2007

No fundo, no fundo, vale mais estar calado...

Após um excelente dia de esqui, um estúpido acidente deixou-me um amigo incapacitado. Logo no local procurou-se a ajuda de enfermeiros/médicos que deveriam estar bem visíveis numa estância de esqui. Lá os encontrámos num local tudo menos de fácil acesso. O tratamento consistiu em ligar-lhe a perna e mandar-nos ir a um hospital em Estocolmo. Nem perguntaram se tinhamos transporte ou não!

Nas urgências de um hospital do centro da cidade, fomos recebidos com indiferença, o meu colega convidado a deitar-se numa cama e a esperar aí até ser atendido (onde é que eu já vi este filme...)! Entretanto na cabine envidraçada, enfermeiros(as) competentes continuavam a fazer o seu trabalho, rodeadas por doentes em macas, e sentados nas cadeiras. Médicos, nem vê-los... ao fim de 2h, lá recebo uma chamada a dizer que um médico já tinha aparecido não sem antes lhe virem perguntar se ele era outra pessoa... Resumindo, ao fim de 5h, mandaram-no ir para casa, com raio-x feito, diagnóstico optimista e com a promessa de um contacto passada uma semana! Obviamente, num país avesso aos tratamentos com químicos, foi necessário o meu colega pedir algo para lhe reduzir o inchaço e para atenuar as dores. Melhor ainda foi preciso ser ele a pedir um par de muletas, quando não se conseguia mover sem ajuda...

No fundo, entre umas urgências a abarrotar de gente, em que os médicos andam ali e fazem o que podem para despachar todos os doentes, os enfermeiros andam constantemente a perguntar aos doentes se eles estão bem e precisam de alguma coisa e umas urgências em que apenas existe um médico de serviço, sem especialistas de serviço, e a indiferença dos enfermeiros, prefiro sem dúvida as primeiras. E quais são essas: as do paiseco auto-rotulado de 3o mundo por muitos dos que por lá vivem e que nunca viram como são os outros para poderem adjectivar o seu próprio país dessa forma!

O que vale é o seguro de saúde e a medicina privada, que é só para quem pode, obviamente, sendo que o prognóstico optimista passou quase imediatamente para bastante reservado, nos primeiros minutos de consulta com um especialista...

Temos obviamente muitos defeitos no nosso sistema nacional de sáude, mas por favor, os outros também os têm! No fundo, às vezes, vale mais estar calado do que deitar abaixo os nossos...

Cumprimentos

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Aquecimento global!



Hoje foi publicado o relatório final do Painel Intergovernamental para as Alteracões Climáticas (IPCC) e confirma-se as especulacões que tenho sustentado neste blog já à algum tempo: a temperatura média do planeta está a subir, e o motivo é muito provavelmente ligado à actividade humana, com um grau de confianca de 90%, de acordo com este painel de 500 especialistas de todo o mundo. De acordo com este relatório, as alteracões verificadas no clima global observadas no último decénio é só um princípio, esperando-se pior nas décadas que se avizinham. Furacões como o Katrina, tempestades de forte intensidade sazonais, invernos sem neve mesmo nas latitudes mais elevadas, derretimento progressivo dos pólos e extincão de algumas espécies ameacadas são alguns dos sinais que se esperam daqui para diante. Também se esperam períodos de vagas de calor, secas, e outros períodos de chuva intensa em certas partes do planeta antes não assoladas por estes fenómenos, o que dará origem a cerca de 200 milhões de refugiados climáticos, de acordo com este grupo de peritos. Está previsto um aumento de 200 para 800 milhões de seres humanos atingidos pela fome como consequência destas alteracões climáticas, sendo estas populacões maioritariamente provenientes de regiões mais desfavorecidas, como África, Ásia e Oceânia. Com o derretimento dos pólos, espera-se um aumento do nível dos oceanos na ordem dos 58 cm (embora as previsões sejam variáveis neste ponto, desde 20 ou 30 cm até ligeiramente acima de um metro), factor este que poderá aumentar o perigo de inundacões frequentes em nacões-ilha (como muitas que existem no Oceano Pacífico e Índico), cidades costeiras e países de baixa altitude (Holanda e Dinamarca na Europa, por exemplo).

Espera-se que a temperatura média do planeta aumente entre 1,8 a 4 graus célsius até 2100, tendo-se verificado um aumento de 0,6 graus na ultima década. A concentracão de dióxido de carbono na atmosfera nunca foi tão elevada desde à 650000 anos, sendo esta elevacão uma das explicacões da razão do aquecimento global dadas pelos especialistas.

Está na altura de se tracarem planos a médio/longo prazo para alteracão da actividade humana, nomeadamente a relacionada com a producão dos gases que contribuem para o efeito de estufa. Estas alteracões devem vir não só da iniciativa governamental e política, mas também por parte da iniciativa privada e da mudanca de atitudes a nível global, através da responsabilizacão individual.

Mais posts sobre este tema se seguirão.

Fontes: Todos os jornais do mundo!!!

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Mundo a preto-e-branco.

'Kjærlighetssorg' é um termo em norueguês cuja traducão é relativamente fácil. Significa 'broken heart' em inglês ou 'desgosto de amor', ou 'saudade de quem já não nos ama' (traducão muito liberal neste caso).

A realidade vista como um filme a preto-e-branco. Uma nostalgia e saudade de alguém que ainda existe, respira, move-se e vive, feliz ou infeliz, mas (orgulhosamente, aliviada(o)) independente de nós, daquele nós que já não existe, que agora é só eu e alguém outra(o). Todos os dias levanto-me da cama de manhã (e muitos outros anónimos homens e mulheres do mundo a preto-e-branco) e sente-se a falta de alguém que costumava acordar aqui ao lado de nós, antes, quando o mundo era a côres. Na neurologia existe um termo, o de membro-fantasma. Um membro-fantasma é a continuacão da percepcão sensorial de um membro que foi decapitado. O objecto físico já não existe, mas o cérebro continua a processar a (inexistente) informacão que supostamente deveria provir desse membro, dando a falsa sensacão de que este continua a existir.

Às vezes quando, sentado em frente a televisor, a meio de um filme no cinema, ao passear na rua, ao ler um jornal ou um livro, vem-me à cabeca a ideia "ela era capaz de achar isto interessante!", para no segundo seguinte me aperceber que já não é minha funcão transmitir estes detalhes. A pessoa existe para o mundo, mas não existe para nós. A linha de comunicacão está cortada, o cordão umbilical esmoreceu. O dia-a-dia é um silêncio permanente e uma procura por vezes desesperada por uma forma de colmatar a falta, o olvido. E no ar a permanente interrogacão, "quanto tempo vai durar esta saudade, esta ausência?".

Uma saudacão especial aos milhares (milhões) de homens e mulheres que vivem no mundo a preto-e-branco, aí pelo mundo fora, aonde quer que estejam.

Paulo.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Gato fedorento - Medo de dizer qual a sua posição!

Um excelente "scatch" em que no gato fedorento se brinca com a posição confusa que Marcelo Rebelo de Sousa tomou a respeito do referendo à interrupção voluntária da gravidez, no seu programa semanal de Domingo, na rtp.

Ecologia: uma ideia luminosa!



Muitos do pessoal que critica as minhas ideias ecologistas apontam principalmente para o facto de que as mudancas teriam de ser radicais e que, a custo disso, necessariamente impráticas.

Ontem foi anunciado que no estado de Califórnia nos EUA há um político, Loyd Levine, que sugeriu a proibicão da venda e uso das lâmpadas de tungstênio clássicas. Este tipo de lâmpadas foi inventado à 125 anos atrás e apenas 5 % da energia que consome é transformada em luz, sendo o resto perdido sob a forma de calor. Segundo Levine, existem agora alternativas relativamente baratas ao uso deste tipo de iluminacão. Uma lâmpada de halogénio compacta moderna utiliza apenas 25 % da energia utilizada por uma lâmpada clássica para produzir a mesma intensidade de luz. Com a proibicão, forca-se o consumidor ao uso das alternativas mais eficientes. A intencão expressa por Levine é o de atingir a meta de 20 % de reducão de libertacão de CO2 no estado da Califórnia até ao ano 2020, como foi proposto no senado estatal.

Já imagino os críticos afirmarem que isto não é nada, que provavelmente corresponde a uma reducão de apenas 1 ou 2 % no consumo energético, que se devia cortar na indústria, que é anti-democrático, etc, etc, etc. Quanto ao argumento de que é anti-democrático, talvez o exemplo da legislacão que obriga o uso do cinto de seguranca na estrada e ao uso de capacete nos motociclos esteja ao mesmo nível, ou pior, de "anti-democracia" como esta medida, quando se toma em consideracão o bem comum. Não vejo de que forma esta medida pode diminuir a qualidade de vida, muito pelo contrário. Quanto aos efeitos mínimos (os tais 1 ou 2%), ao menos é um princípio, e grão a grão enche a galinha o papo, já dizia o ditado popular...

Fonte: Vergens Gang (VG) (Noruega)

terça-feira, janeiro 30, 2007

Estado laico

O laicismo do estado é, para mim, uma pedra pilar de qualquer constituicão. É, a meu ver, a única forma de evitar a exclusão de certas minorias, como as outras religiões minoritárias ou os agnósticos e ateístas. Um estado secular é uma garantia de que é dado peso igual de direitos e deveres a todas as formas religiosas no país, preservando assim a liberdade religiosa. Ter o estado e a igreja unidos é medieval: é quase dizer que a nacão está "abencoada" por Deus e que a governacão é inspirada por este. Em Portugal temos um bom exemplo desses tempos, durante o salazarismo. Tenho uma amiga refugiada bósnia que não separa religião de nacionalidade: aos olhos dela, por ser português sou automáticamente católico. O caso dela é muito bom para demonstrar o que é que acontece quando a identidade religiosa e a identidade nacional estão intimamente associadas uma com a outra.

A religião, a meu ver, deve ser uma opcão individual, preferencialmente a ser tomada como resultado de uma certa dose de reflexão pessoal. Ser membro de uma religião "by default" à nascenca é quase um atentado à liberdade individual de escolha e de formacão da sua própria identidade. Ir para a escola e ser-se ensinado o ponto de vista, o cerimonial e a filosofia inerente a uma (única, preferenciada) religião é limitar a capacidade de compreensão de variados pontos de vista a uma crianca. No caso dos países nórdicos, ensinava-se (até aqui à poucos anos atrás) a rezar e os básicos da teologia cristã às criancas em idade de escola primária. O problema agudizou-se com o crescimento das minorias com outros pontos de vista religioso e com a crescente indiferenca/ateizacão religiosa da sociedade escandinava. Se se tiver aulas de educacão religiosa em que é dado um peso igual a todo o leque de religiões enquadradas pelo programa, dá-se a oportunidade de escolha individual ao indivíduo e o desenvolvimento da capacidade de decisão e de compreensão de diferentes perspectivas.

Se o estado tem uma religião oficial e a constituicão baseia-se nessa religião, então dá-se azo a confusões: pegando num caso actual, se o estado português fosse directamente ligado à religião católica, então nem se punha em questão a votacão acerca da liberalizacão do aborto - era proibido e assunto encerrado! (sim, segundo a interpretacão católica, sendo o momento da concepcão - fertilizacão - o momento em que a alma entra no ovo, então qualquer forma de destruicão deste é equivalente a homicídio, e isto é pecado mortal segundo a Bíblia).

O caso da Noruega é um exemplo infeliz disto. Para espanto de muitos, o estado e a igreja luterana norueguesa não estão separados (caso raro mas não isolado no mundo ocidental). O mais ridiculo é o facto de que a Noruega tem a taxa de agnosticismo/ateísmo mais elevada do mundo - apenas cerca de 33 % da populacão acredita realmente na existência de Deus. No entanto, a taxa de membros oficiais da igreja luterana é de 85 %. Uma das razões principais é o facto de que todo o cidadão nascido no país é automaticamente membro oficial da Igreja Luterana. Uma pessoa tem de voluntariamente preencher um formulário para deixar de ser membro da igreja. Isto faz com que muitas criancas descendentes de muculmanos sejam oficialmente cristãos sem o sequer saberem (e pagarem impostos para a igreja). Na Noruega existe uma clausula na constituicão na qual diz que pelo menos 51% dos membros do governo tem de ser membros oficiais da igreja luterana - facto este que já causou dores de cabeca aquando da formacão de governos com maiorias socialistas nalguns casos. Ainda mais interessante o facto de que o estado nomeia os bispos e intervèm nas decisões internas da igreja. Talvez mais escalabroso do que Deus (existindo este) intervir na governacão dos homens, é o dos homens votarem nos assuntos de Deus!!! Um caso actual aqui na Noruega é a nomeacão de padres homossexuais: existem bispos que são abertamente contra, enquanto a generalidade da populacão é a favor. Independentemente de quem é que tem razão do ponto de vista teológico, penso de que cabe aos especialistas (neste caso, os membros da igreja) decidir acerca destes assuntos. Ainda mais ridiculo quando se pensa que neste momento 77 % de ateistas e agnósticos decidem pela vontade de Deus... é quase cómico pensar nisto! Imagine-se um ministro muculmano a decidir pelas cerimónias da igreja cristã luterana, por exemplo!

Citando o JC em pessoa (e isto está no Novo Testamento): "Dêem a Deus o que é de Deus e a César o que é de César". Até ele era laico! ;-)

domingo, janeiro 28, 2007

Ministro muculmano no governo israelita



O Partido Trabalhista israelita deu um passo histórico hoje ao nomear um ministro muculmano para fazer parte do governo. O ministro Raleb Majadele tornou-se ministro da Ciência, Cultura e desporto, substituindo o ex-ministro Ophine Pines-Paz, que abandonou o seu posto em outubro como forma de protesto contra a integracão do partido nacionalista Yisrael B'teinu na coaligacão governamental. O novo ministro foi nomeado pelo líder do Partido Trabalhista, Amir Peretz, que tem o posto de ministro da defesa, um dos cargos de maior responsabilidade no governo de Israel. A nomeacão recebeu apenas um voto contra, por parte do lider do partido Yisrael B'teinu, Avigdor Lieberman. Este classificou esta nomeacão como uma tentativa de ganhar votos por parte do Partido Trabalhista nas próximas eleicões, e aponta esta medida como um passo atrás para a causa do Sionismo.

Este é um passo histórico no panorama político israelita, por ser a primeira vez que um representante muculmano é nomeado para fazer parte do governo. A populacão muculmana constitui 20% da populacão de Israel e existem apenas 13 deputados (num total de 120) muculmanos no Knesset, o parlamento israelita. A populacão muculmana é frequentemente apontada como a fraccão mais desfavorecida, com os salários mais baixos, o nível de educacão mais baixo e pior qualidade de vida do que a maioria judaica.

Alguns vêm nesta medida um atentativa do reforco de um possível processo de paz na região.

Esta notícia veio numa altura conturbada na história política de Israel, muito devido às acusacões recentes de violacão apontadas contra o actual presidente israelita, Moshe Katsav.

Fontes: Reuters e Dagbladet.

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Humanização do nosso melhor amigo!


Depois das manicures, cabeleireiros, lojas de roupa e outros que mais, faltava algo que permitisse ao melhor amigo do homem, acompanhá-lo no convívio social pós-laboral, ou, no caso do"inventor" desta bebida, no convivío pós caçada com os amigos.

"Kwispelbier", é a marca criada por Gerrie Berendsen, um Holandês adepto da caça, a quem incomodava o facto de após as caçadas, os caçadores se juntarem numa varanda a bebericar as suas cervejolas enquanto os cachorros ficavam sentados no seu canto, à espera que os donos terminassem os relatos das suas aventuras na pradaria...

Não satisfeito com isto, resolveu criar uma marca de cerveja sem álcool, especial para cães, com um rótulo bastante sugestivo, mas que também é apropriada para consumo humano, o que poderá significar que depois de uma dessas caçadas, o responsável pelo volante irá fazer companhia aos cães!

Mas pronto, pelas imagens que vi hoje, os cachorros parecem gostar do líquido amarelo acastanhado que lhes despejam no prato. Temo é que, se a moda pega, os já por si, pequenos pubs Holandeses, se tornem ainda mais pequenos!

Mas o que virá a seguir da Holanda? Um charro para cães sem cannabis... Para que o melhor amigo do homem os acompanhe no acto de rodar e esfumaçar...

Cumprimentos

RC

terça-feira, janeiro 23, 2007

Clinton vs. Obama


Dentro de 2 anos realiza-se de novo a eleicão para a presidência dos Estados Unidos da América. Dada a baixa popularidade de George W. Bush e do partido republicano ultimamente, muita da atencão política americana e internacional vira-se agora para o candidato do partido democrata. E se as tendências de voto dentro dos democratas se mantêm iguais aquelas que se vê hoje, então, vê-se pela primeira vez na história dos EUA, a oportunidade de se ter um candidato democrata com fortes chances de ganhar que ou é uma mulher ou é "de cor". Falo concretamente de Hillary Clinton e Barack Obama.

Hillary Clinton é já sobejamente conhecida pelo seu papel como primeira dama do ex-presidente democrata Bill Clinton. Ela tem actualmente 59 anos e é senadora pelo estado de New York. Os seus méritos políticos e pessoais são bem conhecidos: mesmo os seus oponentes reconhecem que Hillary é uma mulher forte, inteligente e com reconhecida capacidade de lideranca. Aparte disso, Hillary já conhece a rotina e os mecanismos da Casa Branca, tem vasta aceitacão tanto do povo como da maquinaria partidária e tem facilidade em angariar fundos para a sua campanha. No seu vídeo de lancamento da campanha, Hillary promete reformas ousadas mas práticas, foco na resolucão do conflito iraquiano, um alargamento do sistema de seguros de saúde norte-americano e transformar os EUA num país menos dependente do petróleo e fortalecer o sistema de seguranca social nacional. Caso venca, torna-se a primeira mulher presidente dos EUA e também a primeira pessoa casada com um ex-presidente.

Talvez ainda mais radical é a candidatura de Barack H. Obama. Barack é considerado a "estrela de rock" política do momento no cenário norte-americano. Barack goza de extrema popularidade nacional e muitos vêm-no como uma verdadeira lufada de ar fresco e como um idealista convicto e revolucionário. O seu trajecto biográfico é bastante pouco habitual para um candidato à presidência: Barack (45 anos) é filho de uma americana e de um estudante queniano que se conheceram no Hawai, onde Barack nasceu. Quando Barack tinha 2 anos de idade, os pais divorciaram-se e a mãe casou-se novamente com um estudante indonésio. Obama mudou-se para Jakarta com 6 anos de idade, onde viveu até perfazer 10 anos. Depois deste período, mudou-se para a casa dos avós no Hawai, onde estudou até acabar o liceu. Durante a adolescência, experimenta marijuana e cocaína, facto que reconhece publicamente. Depois deste período, Obama enceta uma carreira estudantil e política fantástica, até se tornar senador do estado de Illinois (com 70% dos votos). Obama viaja frequentemente para o estrangeiro, e numa das suas deslocacões oficiais tornou-se célebre a sua campanha para o rastreamento da SIDA enquanto este se encontrava no Quénia, por ocasião de uma visita à aldeia do seu pai. Barack escreveu recentemente um livro, "The audacity of hope", lancado em outubro de 2006 nos EUA, que tem sido um best-seller no mercado americano. Neste livro, Obama explica as suas conviccões políticas pessoais, a sua fé num sistema análogo ao New Deal de Franklin D. Roosevelt onde todos tem direito à luta por uma vida melhor, e na qual a intervencão do estado é importante. Barack é contra a intervencão americana no Iraque, e já o era antes do início da campanha americana em 2003. Barack é um internacionalista e acredita na cooperacão internacional. Numa entrevista recente ao The New Yorker, Barack afirmou "I want China and India to succeed". Barack é também um dos políticos mais entusiasmados com a utilizacão da Internet e na criacão de legislacão orientada a proteger a neutralidade deste meio. Barack Obama tem no entanto problemas em ganhar votos no lado mais conservador do eleitorado, primeiro por ser filho de um estrangeiro, segundo pelo seu nome do meio, Hussein, que não ajuda nas suas campanhas. Também é conhecido que Obama teve de deixar de fumar, e um dos seus oponentes de cor reiterou um dia que "Obama não é preto o suficiente", referindo-se à sua educacão previligiada e ao facto de ter uma mãe branca. Obama goza no entanto uma base popular extrema - muitos dos liberais norte-americanos vêm um revolucionário prático e empreendedor na figura de Obama, e muitos expressam a sua fé (sim, este é o termo correcto!) na reforma da burocracia política na Casa Branca com a eleicão de Obama.

Neste momento, e de acordo com uma sondagem recente do Washington Post, Hillary lidera a campanha pela candidatura democrata com 41%, enquanto Barack tem 17% do eleitorado democrata do seu lado. Seguem-se os senadores John Edwards com 11%, Al Gore com 10% e John Kerry com 8%, todos eles figuras já conhecidas nas campanhas presidenciais.

Qualquer um dos dois candidatos parecem-me prometedores, quer na cena política internacional (teremos um EUA mais cooperante e pacifista dentro de 2 anos?), quer no cenário político interno americano (um reforco da seguranca social norte-americana).

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Controvérsia

Ora hoje volto à escrita. E hoje, talvez porque é quinta-feira (véspera de sexta) ou apenas porque me apetece ser controverso, apeteceu-me escrever sobre o tema quente em Portugal (ok, tenho de concordar que Portugal ferve neste momento, mas estou a referir-me ao referendo sobre o aborto).
Ora portanto como já viram pela temática, isto promete... Mas vou tentar não insultar ninguém e espero que ninguém me insulte. Vou partilhar a minha opinião, os meus sentimentos, e como uma pessoa livre e de livre pensamento não admito que ninguém me diga o que posso ou não pensar!
Pois para os que já me conhecem sou claramente favorável à despenalização da interrupção voluntária da gravidez! Porquê? Primeiro porque sim. Segundo porque defendo e sempre defendi a liberdade de escolha. Terceiro porque acho uma tremenda hipocrisia dizer que não e fechar os olhos à quantidade de orfãos no nosso país, na sua maioria fruto de "gravidezes" indesejadas e dizer que não no sermão e esquecer as palavras à saída .
Ora neste momento tenho pessoas a acusarem-me de mil e um crimes e a perguntarem-me se seria capaz de matar o meu filho(a) antes do nascimento! Mas eu nunca disse que queria o aborto como opção para as minhas aventuras de uma noite. Por isso é que inventaram preservativos, pílulas, pílulas do dia seguinte e estradas para Espanha!
Sim, acho que as mulheres não devem ser penalizadas por um acto a dois e muitas vezes por uma decisão tomada a dois, ou na solidão da lua quando ninguém compreende nem faz um esforço para compreender.
Mas muito mais importante do que despenalizar é evitar! Não faz sentido ter uma lei que despenaliza o aborto quando se tem tanto preconceito sobre sexo! Há que educar, há que fazer dos preservativos parte integral das carteiras de homens e mulheres (mesmo as que tomam a pílula). Liberalizar nunca pode ser significado de banalização, deve sim ser mais um motivo para melhorar a informação e a educação e eliminar preconceitos absurdos que não podem ter lugar numa sociedade e num país com uma história ímpar como o nosso!
Não apelo ao voto ao Sim nem ao Não, apelo à consciência de cada um. E se no dia de votarem poderem colocar a cruz no local que desejam de consciência perfeitamente tranquila então fizeram o que é correcto!
Abraços do gelo,
Virgilio

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Rali de Portugal volta à Taça do Mundo



Aquele que já foi considerado o melhor rali do Mundo, volta a constar do calendário do Mundial de pilotos. Desta forma, voltarão a circular pelas espectaculares estradas das Serras da Lousã, Góis, Arganil, entre outras, alguns dos melhores pilotos do mundo. E a romaria (na qual já participei) de certeza que se irá repetir! Para os amantes deste deporto é uma boa notícia.

Calendário do Mundial de ralis:

19 a 21 de Janeiro: Rali de Monte Carlo
9 a 11 de Fevereiro: Rali da Suécia
16 a 18 de Fevereiro: Rali da Noruega
9 a 11 de Março: Rali do México
30 de Março a 1 de Abril: Rali de Portugal
4 a 6 de Maio: Rali da Argentina
18 a 20 de Maio: Rali da Sardenha
1 a 3 de Junho: Rali da Acrópole
3 a 5 de Agosto: Rali da Finlândia
17 a 19 de Agosto: Rali da Alemanha
31 de Agosto a 2 de Setembro: Rali da Nova Zelândia
5 a 7 de Outubro: Rali da Córsega
12 a 14 de Outubro: Rali da Catalunha
26 a 28 de Outubro: Rali do Japão
16 a 18 de Novembro: Rali da Irlanda
30 de Novembro a 2 de Dezembro: Rali de Gales

Fonte: Mais Futebol

Cumprimentos

RC

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Muhammad Yunus e o Banco Grameen



Hoje vi na SVT (canal público de televisão sueco) a palestra nobel de Muhammad Yunus que ocorreu a 13 de Dezembro de 2006, dois dias após receber o Prémio Nobel da Paz de 2006. A palestra foi, no mínimo, extremamente inspiradora.

O Banco Grameen (que significa "área rural" ou "vila" na língua original) é uma organizacão não-governamental com fins não lucrativos que dá micro-empréstimos a populacões desfavorecidas (maioritariamente mulheres, 97 %, visto ser este o sexo mais desfavorecido no Bangladesh e também o grupo que mais frequentemente partilha os bens com o resto da família), de forma elevar a qualidade de vida dos destinatários e permitir a abertura dos seus próprios negócios e dar oportunidade destes encontrarem as suas próprias fontes de rendimento. Este banco apoia neste momento cerca de 6.5 milhões de pessoas no Bangladesh, e os micro-empréstimos estão acessíveis a 80 % da populacão do país. A ideia é revolucionária do ponto de vista económico. A filosofia de base é a de que existem muitas pessoas que tem capacidades sub-desenvolvidas cujo único problema é a falta de oportunidades concedidas pelo meio ou sociedade circundante. A maioria dos beneficiários destes micro-empréstimos não teriam a chance de ter acesso a crédito no meio bancário usual. O volume médio de empréstimo é de 12 dólares por pessoa. O empréstimo é pago de volta sem juros. A taxa de pagamento do empréstimo é de 98.8 %. Gracas a este sistema, estima-se que cerca de 50 milhões de pessoas no Bangladesh sairam dos níveis de pobreza aguda em que viviam anteriormente. Os donos do banco são os próprios destinatários dos empréstimos (94%). O Banco tem agora outros investimentos na área da comunicacão (Grameen Phone e Grameen Telecom) e desenvolvimento e a fundacão Grameen tem sucursais e planos de desenvolvimento em funcionamento em 27 países.

Acima de tudo, aquilo que gostaria de sublinhar é o conceito económico sublinhado por Yunus durante a palestra. De que as empresas normais tem como objectivo a maximizacão do lucro e a rentabilizacão máxima do investimento. Yunus falou de uma alternativa, a existência de empresas de objectivo puramente social. Um empresário comum pensa, nas suas decisões do dia-a-dia, "Quanto dinheiro é que se pode fazer a partir deste investimento?". No tipo de empresas mencionados por Yunus, o empresário teria em mente a pergunta "Quantas pessoas poderão beneficiar a partir deste investimento?". Yunus preconizou como possível a co-existência de ambas as solucões num mercado aberto, para o bem comum: o primeiro tipo orientado para as populacões mais favorecidas, o segundo para o resto da populacão. Yunus frisou inclusive, que este tipo de conceito teria de ser iniciado a partir da iniciativa privada, e ser independente de governos, visto que nesse caso ocorre frequentemente uma instrumentalizacão da empresa para fins politicos externos à causa de ajudar os pobres e elevar a qualidade de vida.

E tudo isto comecou com um pequeno empréstimo de 27 dólares a um grupo de 42 famílias durante a fome de 1974 no Bangladesh.

É caso um caso para pensar para os muitos que acreditam que o esforco de um indivíduo não tem qualquer significado num contexto global.

:-)
"Rød" Paulo

Frase...

Um Homem sem ambições é como um espantalho ao sol!

Todos passam por ele e alguns, ainda lhe cagam em cima!

RC

terça-feira, janeiro 16, 2007

Os outros nunca vão entender!

Hoje de manhã recebi um mail de um amigo! Homem de Coimbra e adepto da Académica, deixou-me os olhos humedecidos com as curtas palavras que escreveu sobre o jogo de ontem, em que recebemos e perdemos 2-0 com o Benfica. Pode ser um pouco polémico e politicamente incorrecto, mas não quero deixar de o partilhar aqui:

A Académica perdeu e pronto. Não me desculpo com penaltys como fazem os outros. Quando acabou o jogo eu era ainda mais da Académica. E hoje ainda mais.

Os chamados "grandes" de Lisboa precisaram do Salazar para o ser. Os do Porto, precisaram do Calheiros e do Apito Dourado.

A Académica é transversal, diferente, vai além da bola na trave. Os "outros" nunca a vão entender.

Ecologia (outra vez)!

Olá!

Se for 20% menos que em 1990, já não é nada mau (considerando que as emissões aumentaram uns 10% desde lá, então essa descida significa um decrescimento real de 27% em relacão aos valores actuais). O único problema que resta é definir de que maneira é que este objectivo será atingido. O problema com a reducão das emissões de CO2 é o de que (quase ) toda a gente está de acordo em relacão à necessidade de reduzir. O problema é quando, por exemplo, o governo decide implementar taxas extras sobre a aviacão, o tráfico, a gasolina, a indústria, etc (uma das estratégias que os governos nórdicos têm implementado). Aí indigna-se o povo e aponta-se o dedo a outros culpados (como a indústria pesada, por exemplo, ou o Bush, o bode expiatório favorito da malta na Europa nos últimos tempos). Se o pessoal deixasse o carro em casa no dia-a-dia e apanhasse transportes públicos e abandona-se os planos de ir a Londres no próximo fim-de-semana para comprar roupa, já daria uma contribuicão individual estupenda, sem ter alterado radicalmente a qualidade de vida pessoal.

A revolucão ecológica tem de partir dos indivíduos, não do estado. O último caso tem um nome já sobejamente conhecido: comunismo. Só com a alteracão dos hábitos de consumo individuais se atinge a meta da reducão das emissões de CO2 sem sofrer uma reducão das liberdades individuais. O outro lado da reducão tem de vir do desenvolvimento tecnológico e adopcão de planeamento de recursos como componente fundamental do sector público e privado (a criacão de departamentos de recursos materiais em cada instituicão pública, por exemplo, em que os membros seriam responsáveis pela reducão e aproveitamento máximo dos recursos energéticos e materiais da instituicão). A terceira vertente parte dos governos, mas como dito anteriormente, existe um balanco frágil entre as liberdades individuais e o bem comum, sendo por isso a intervencão destes um plano delicado, mas indisputavelmente fundamental.

Em relacão aos EUA, China, Brasil, etc, concordo com o post, mas continuo a sublinhar que se toda a gente no planeta viver segundo os padrões de consumo de um cidadão médio europeu, então seriam necessários 3,1 planetas Terra para fornecer recursos suficientes para manter a mesma "qualidade de vida" a toda a gente (se adoptássemos o consumo do cidadão médio americano, seriam necessários 5,4, de acordo com o mesmo artigo que li). Como é que podemos negar a um chinês que ele tenha 2 ou 3 carros no seu agregado familiar, quando é prática quase comum na Europa e nos EUA viver de acordo com esse padrão de vida? O exemplo tem de comecar de algum lado. A Suécia tem sido campeã da ecologia em muitas frentes (um dos poucos países na Europa que reduziu a emissão de CO2 desde 1990; a estratégia governamental é ver-se livre do carvão e petróleo como fontes de energia até 2030), sem no entanto sofrer uma descida considerável na qualidade de vida individual dos seus cidadãos ou perder completamente a competitividade económica no mercado internacional. Se um país consegue, porque é que os outros não conseguem? Não será este um caso a estudar? Tanto em Portugal como na Noruega tem-me irritado os comentários na imprensa do género: "Mas o nosso país só contribui com 0,5 % para a emissão global de CO2. Mesmo se reduzissemos 50%, não teriamos quase nenhum efeito no equilíbrio ecológico do planeta. Comecem pelos EUA, que contribui com 30%". Se todos pensarem assim, então não se vai mesmo a lado nenhum. Tem de se comecar por algum lado. Portugal foi um dos primeiros países no mundo a abolir tanto a escravatura como a pena de morte, numa altura em que ambas eram consideradas como "normais" em quase todos os países ocidentais. Este é um exemplo de como a fuga à normalidade e a abstencão de se comparar com os níveis e realidades internacionais (em certos casos específicos) e tomar iniciativa primeiro pode ter um efeito positivo e sensibilizante.

Este fim-de-semana li um comentário do autor Jostein Gaarder (o autor de "O Mundo de Sofia" e "Maia", entre outros) sobre o aquecimento global: se uma pessoa tentar largar um sapo numa panela com água a ferver, este salta imediatamente; se, no entanto, largarmos um sapo em água fria e formos aquecendo lentamente, podemos cozer o sapo sem que este se aperceba. A nossa geracão vive uma situacão semelhante. Visto que a mudanca é gradual, o pessoal não se apercebe da direccão em que se caminha.

Abracos
O "radical" ecologista
:-)
Paulo.

P.S.: Isto era para ser um 'comment' ao artigo anterior, mas devido a problemas informáticos, tive de o escrever com um post (o blogger não me deixou publicar o comentário, vá-le lá saber porquê!)

domingo, janeiro 14, 2007

Atitudes

A Comissão Europeia anunciou esta semana a estratégia energética até 2020. O objectivo será a redução em 20% das emissões de CO2 em relação às emissões de 1990 e que 30% da energia seja proveniente de fontes renováveis.

De imediato ONGs ambientalistas manifestaram-se contra, dizendo que estavam a ser pouco ambiciosos. Mas será que estão mesmo? A UE tem-se empenhado fortemente na alteração dos hábitos dos seus cidadãos e empresas em relação ao ambiente. A educação ambiental é uma realidade em quase todos os países. Será que não é altura de virar os olhos para outros países?

Países como China, Índia, Rússia e acima de todos, os EUA têm que começar a ser responsabilizados pelo que já está a acontecer! A ONU tem que agir. Não é continuar a ser a marioneta que fala ao sabor do vento, sendo que este parece soprar sempre no mesmo sentido...

Não é com críticas ao que poderá ser considerado pouco ambicioso que se consegue algo. Critique-se quem não faz nenhum e ajude-se os que já fazem algum a fazerem melhor do que propõem!

Cumprimentos

RC

sábado, janeiro 13, 2007

Marie Antoinette


Ontem à noite fui ver a ultima criacão de Sofia Coppola, Marie Antoinette, com Kirsten Dunst no papel central. O filme é a primeira biografia cinematográfica em língua inglesa desde a adaptacão "Marie Antoinette" com Norman Shearer de 1938.

O filme é de um esplendor visual exuberante. É um banquete para os olhos, desde a primeira cena até ao último segundo. O tom é leve, as conspiracões políticas e os acontecimentos históricos e sociais precedentes à revolucão francesa são periféricas na narrativa que é exposta ao público. O filme dá-nos um olhar feminino e intimista da vida de Maria Antoinette. Talvez a mais realista, quando se tem em consideracão aquilo que se sabe hoje em dia sobre a vida pessoal da rainha decapitada. O guião do filme é fortemente baseado na biografia recente (2001) de Antonia Fraser "Marie Antoinette: The Journey", que foca mais sobre os aspectos pessoais da vida da rainha. Felizmente, para muitos, Sofia Coppola livrou o público de um final pesado e deprimente, ao escolher parar o filme no momento em que a família real abandona Versalhes. Pode-se dizer, inclusive, que o filme é uma descricão da vida da rainha como moradora de Versalhes, apenas e exclusivamente.

Em termos de realizacão, Marie Antoinette segue as mesmas linhas de estilo vistas em Virgins Suicide e Lost in Translation. Sofia Coppola prima por exibir uma sequência narrativa na qual a imagem e o jogo de silêncios são as vozes mais marcantes da (in)accão. O filme flui num ritmo melancólico/nostálgico, num estilo MTV, onde a exuberância de fatos, perucas, palácios e, até mesmo, comida, bombardeia-nos num deleite visual. A autora atreve-se a misturar claros anacronismos cenéricos (vê-se descaradamente um par de sapatilhas Converse All-Star e um pullover Blueberry num par de cenas) e musicais (a banda sonora é excelente, marcada pelo Novo Romantismo extravagante da brit-pop e punk da década de '80 - aconselha-se!). Os actores escolhidos para os papéis cuprem os seus papéis na perfeicão exigida (ambos os reis, Rip Torn e Jason Schartzman, dão-nos uma imagem credível e humana dos respectivos monarcas, Luís XV e XVI), Kirsten Dunst presenteia-nos com uma versão juvenil de Marie Antoinette que talvez seja mais apropriada à primeira parte da sua vida como rainha (Marie Antoinette casou-se com 15 anos de idade e tornou-se rainha com 19 - é nesse tom adolescente que Kirsten interpreta a sua personagem). É uma descricão na primeira pessoa, no mesmo estilo que vimos em Lost in Translation. Fica-se com a sensacão que o filme é uma sequência longa (2 horas e 18 minutos) de colagens estéticamente ricas e coloridas de uma sociedade fútil e centrada sobre si própria.

Acredito que o filme não é para todos. Muitos odiarão o filme pelo vácuo de acontecimentos e pela previsibilidade da realizadora. Outro(a)s (maioritariamente elas, arrisco eu!) adorarão a frescura e a semi-melancolia de algumas cenas. Pessoalmente, caio no segundo grupo.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Sabor a mar!

Ora olá outra vez meus amigos!
Desde que regressei tanta e tanta coisa aconteceu que nem sei bem por onde começar. Mas uma das novidades é que decidi voltar à práctica do futebol e desde então duas noites por semana lá tento desenferrujar as pernas e espelhar o perfume português pelos campos canadenses.
Ora o que me leva a contar-vos isto hoje é porque acabo de chegar a casa depois de mais um jogo em que tive os louvores de todos os membros da equipa e dos habituais membros da "claque". Mas não pensem que por aqui se joga mau futebol. Para já estou a jogar numa equipa de 4ª divisão (sim, leram bem, 4ª divisão) de indoor, e apesar de achar que nenhuma das outras equipas é melhor que a nossa (já agora a equipa chama-se Venezuela e é composta por venezuelanos, colombianos, mexicanos, equatorianos, um português (eu), um chinês e um canadiano). Mas onde ia eu agora... Ah! Já me lembro, mas apesar de as outras equipas não serem claramente melhores que a nossa, não podiamos estar a fazer muito pior. Mas eu gostava de vos ver a jogar com tabelas... Mas hoje marquei dois golos (sim, eu não sou apenas um defesa que destroi jogo!!!) e voltámos a perder. Mas o que mais me marcou, apesar de estar satisfeito com o meu primeiro jogo de SEMPRE em que marco dois golos, foi o árbitro. Por vezes vê-se à distância que o árbitro não faz a menor ideia do que está a fazer, mas quando começamos a perceber que está a prejudicar uma equipa claramente... temos pouco depois a confirmação de que em conversa entre dois árbitro um deles diz ao outro que não gosta de latinos!
Por momentos dentro de campo recuperei a alegria de jogar, a alegria do futebol. Duas equipas a jogarem rasgadinho e durinho, mas sempre nos limites, golos para todos os gostos e feitios, e de repente vem um elemento estranho ao jogo e começa a estragar tudo!
Ainda celebro as vitórias da minha briosa, mas a Académica que todos conhecem já não é a minha académica pelas razões que muitos de vós ja conhecem.
E pegando neste exemplo lanço a pergunta final (sim, este post tem um objectivo):
Porque é que quando algo é quase perfeito temos sempre de complicar, corromper, acabando por destruir?
Abraços dos gelo e da neve,
Virgilio

Regresso noutro formato

Olá a todos.

Após um longo interregno na publicação de textos, iremos voltar a escrever. No entanto, dado que a disponibilidade para escrever bons textos não é muita, combinou-se entre os editores que não haveria dia específico para escrever, como até aqui.

O novo blogger (que já não é beta!) disponibilizou também um conjunto de ferramentas novas interessantes, que, para um ignorante nestas linguagens de programação como eu sou, permitirão organizar os textos de outra forma. Assim que tiver um pouco de tempo e paciência, algumas mudanças estruturais irão ocorrer no blog!

Espero que nos voltem a visitar com a mesma regularidade e que comentem os nossos textos sempre que possível.

Cumprimentos,

RC

quarta-feira, setembro 06, 2006

desculpas a todos

Pois eh, depois de tanto tempo sem escrever, finalmente la tenho tempo para umas palavras e nem em portugues correcto podem ser.
Pelo meio de quase dois meses de ausencia consta uma visita ao Reino Unido, o esperado regresso a casa, e agora o regresso as terras nao tao frias quanto isso dos Canadas!
Prometo nas proximas 2as voltar ah carga. Mas agora tenho de aprender a escrever portugues com um teclado em ingles!!!
Espero que todos tenham tido merecidas ferias e estejam prontos para mais um ano de luta!!!
Virgilio Cadete

quarta-feira, agosto 16, 2006

Günter Grass

Esta semana foi revelado que o vencedor do prémio Nobel da Literatura em 1999, o escritor alemão Günter Grass, alistou-se voluntariamente nas forcas de elite nazis Waffen SS durante o final da segunda guerra mundial. O autor contava 17 anos por altura desta decisão, em 1944. Esta revelacão foi anunciada por Grass como antecedente ao lancamento da sua auto-biografia que sairá brevemente.

Lecha Walesa (prémio Nobel da Paz em 1983 devido à lideranca do movimento Solidarnócz que contribuiu fortemente para a queda dos regimes comunistas na Europa de Leste e ao consequente ponto final na Guerra Fria) afirmou pouco tempo depois que desejava que a cidadania honorária de Gdansk de Günter Grass lhe fosse retirada. Muitos deputados polacos, e mesmo alemães, pediram ao instituto Nobel que o prémio de 1999 lhe fosse igualmnete retirado.
Günter Grass dedicou grande parte da sua carreira literária como advogado do pacifismo e como caso único no panorama intelectual alemão que se debrucou a remexer nas feridas da segunda Guerra Mundial. A triologia iniciada com "O Tambor" (1959) e a reflexão causada por um dos seus ultimos romances "Im Krebsgang" (2002) leva o leitor a pensar nos dois lados de um conflicto. Grass nasceu em Gdansk, na altura o estado livre de Danzig, e a sua infância é marcada pela dualidade entre as nacionalidades polaca e alemã. Também foi Grass que anunciou a famosa tirada "Depois de Auschwitz, nunca mais uma alemão poderá honestamente sentir-se orgulhoso de ser alemão".

Que penso eu acerca deste debate?

Creio que 60 anos de carreira a escrever sobre um dos temas mais sensíveis da história alemã, escrita por um alemão, é pena mais do que suficiente para pagar erros que se fazem quando se tem 15 ou 16 anos de idade. Que sabe uma pessoa com essa idade? Foi talvez um erro guardar um segredo deste calibre durante tanto tempo. Mas pensando melhor, teria a sua carreira literaria atingido tais topos caso esta informacão fosse publicamente conhecida? Não estaria Grass condenado a ser classificado como "mais um nazi que tenta desculpar-se" quando alguém lesse um dos seus livros?

Gdansk e Günter Grass estarão sempre ligados na minha memória. Talvez Grass seja um bom exemplo para nos fazer lembrar que um conflicto tem sempre dois lados, e que por vezes se encontram indivíduos que se encontram na fronteira entre estes.

sexta-feira, agosto 11, 2006

Tristeza...

Estou triste, ou mais ou menos deprimido! Ontem acordámos com a notícia de que uma tentativa de atentado terrorista tinha sido anulada pela acção consertada dos serviços secretos Britânicos, dos EUA e do Paquistão! Algumas dezenas de pessoas terão sido detidas em Inglaterra e no Paquistão, todas de nacionalidade Britânica!

O acto consistiria em fazer explodir em pleno voo e de forma mais ou menos simultânea 10 aviões sobre o oceano Atlântico, que fizessem a ligação Londres-EUA. Este planeamento de um acto perversamente espectacular quase de certeza terá a mão da Al-Qaeda!

Obviamente que o facto de o atentado ter falhado só me pode deixar satisfeito! No entanto, esta notícia deixa-me ao mesmo tempo assustado! No próximo ano planeio ir aos EUA em trabalho! E se por ironia do destino, calhar ir num voo onde entram uns malucos desses e fico a servir de comida para os peixes algures no meio do Atlântico!?

Sinto-me triste também pelos comentários que li às notícias publicadas em alguns jornais e blogs! A quantidade de pessoas que consideraram este anuncio um acto de propaganda do eixo Inglaterra-EUA é maior do que eu suporia! Fiquei chocado mesmo com o teor de alguns textos. Textos que destilam ódio contra os Americanos e Ingleses, de pessoas que se cruzam todos os dias connosco na rua! Pessoas supostamente inteligentes a escreverem que seria bem feito que tal atentado tivesse sido um exito! Será que essas pessoas, se é que são pessoas..., se colocaram na pele do pai que vai descansadamente colocar o filho num voo para Nova Iorque, onde irá estudar durante meio ano, e que ao chegar a casa, liga a TV e descobre que o avião do filho explodiu!? Será que quem escreve estes comentários pensa sequer na mensagem que está a passar para os outros!

Não sou nem de perto nem de longe apoiante da política externa dos EUA ou dos Ingleses! O discurso imperialista destes países, e principalmente os ataques constantes a quem não pensa como eles, tem instigado o ódio nos países Muçulmanos e nalguns da América Latina! Quem se tem aproveitado desta política têm sido os políticos populistas - exemplo, Hugo Chávez! A guerra no Iraque serviu apenas e só para aumentar as legiões de movimentos terroristas que com a desculpa de ataques ao Islão, procuram recrutar em todo mundo aqueles que não foram capazes de se integrar nas sociedades em que vivem!

Também ontem me despedi de duas visitas! É sempre bom receber amigos, principalmente velhos amigos, daqueles com os quais sabemos sempre que estarão lá no melhor e no pior! No entanto, ve-los partir é duro. Ainda para mais com o clima de tensão que se vivia em Londres, mesmo sendo o voo delas directo a Lisboa.

A vida é assim mesmo. Um dia diz-se bom dia ao vizinho do andar de cima, no dia a seguir vê-se a foto dele nos jornais! Viver em Inglaterra nos tempos que correm não deve ser fácil, principalmente para os Muçulmanos, que se vêm encurralados entre duas linhas de combate: de um lado a opinião pública não Muçulmana, que desconfia, mesmo inconscientemente, de tudo o que se parecer com um Muçulmano; do outro os terroristas Muçulmanos, já que são os actos prepertrados por estes que levam à desconfiança e a actos de violência contra o comum dos Muçulmanos, aquele que trabalha, paga os seus impostos, investe na educação dos filhos e ama o país onde vive e que lhe deu uma oportunidade de vida melhor!

Cumprimentos,

RC

quinta-feira, agosto 10, 2006

The Cannabis Report

À umas semanas atrás visitei um amigo no estrangeiro que fuma regularmente marijuana. Descobrir que ele usava marijuana não foi nenhuma surpresa, aquilo que mais me surpreendeu foi a frequência com que o fazia. Daí ter-me preocupado um pouco. Falámos um bocado sobre esse assunto e, dado o meu campo ser o da bioquímica e neurociências, prometi investigar um pouco na literatura quando voltasse a Trondheim, sobre possíveis efeitos nocivos a curto e/ou longo prazo devido ao uso de estupefacientes canabinóides.

Deste modo escrevi aquilo que mais tarde os meus colegas chamaram "The cannabis report". A pesquisa que fiz foi muito superficial (demorou-me cerca de 1 dia, e não tive tempo para consultar muitas fontes, embora confie naquelas que pesquisei). O relatório que escrevi não se debruca sobre os efeitos da marijuana, mas sim sobre possíveis consequências e impacto a nível de saúde do indivíduo. Também convém sublinhar que os detalhes científicos acerca da accão bioquímica/psicotrópica desta classe de compostos estão escritas duma forma vaga, apressada,e, consequentemente, não estão totalmente correctos ao detalhe (não me interessava bombardear o meu amigo com palavrões técnicos, o mais importante para mim era fazer passar a mensagem). No geral, confio nas conclusões finais do meu relatório.

Perdoem-me os leitores por estar escrito em inglês. Por questões de carácter profissional, não tenho muito tempo disponível para efectuar a traducão ou aprofundar o meu estudo. Se alguém tem sugestões ou correccões, ficarei agradecido por os mandar. Convém afirmar também, que embora as minhas conclusões apontem para o uso de marijuana como relativamente pouco nocivo, não quero que ninguém daí conclua que eu promova, aconselhe ou use pessoalmente este tipo de estupefacientes (prefiro restringir-me ao álcool como substância recreativa). Na minha opiniao, o melhor é permanecer sóbrio, dar umas corridas na floresta, apanhar uns banhos de sol na praia e levar umas garotas para casa de vez em quando (de preferência sempre a mesma, se possível!). Acredito que as substâncias neurotrópicos que existem no nosso sistema nervoso são suficientes para induzir os nossos "highs" naturais sem ter de recorrer a estimulantes químicos externos.

Ora aqui vai:

"In the last two days I have been researching a bit on the internet and getting some literature and discussing with a couple of the biologists in my lab about the possible side-effects of cannabis. I must warn that this is a superficial overview of the literature I got hold of and that it is not a full scale survey of the references I have read. But the conclusions are as follow:

- Marijuana works both in the peripheric and the central nervous system through the activation of two metabotropic receptors that have been identified in the early 1990´s. These ones are sensitive to an internal regulatory neurotransmitter called anandamide and the cannabinoid family of receptors is 10 times more frequent to find than the opioid system. Both share the property of balancing the effects of the dopaminergic system (potentiating its release). The receptors are more or less widespread everywhere in the nervous system. There is also a second class of cannabinoid receptors present at immunocells and they regulate the inflammatory reaction (by suppressing it to a certain extent). The effects of the cannabinoid substances are therefore generally unspecific.

- Cannabinoid is one of recreational drugs with less capability of leading to physiological addiction. Alcohol and nicotine are much stronger addictive substances than marijuana. Nevertheless, it can lead easily to psychological addiction (there is a difference between physiological and psychological addiction: in the first, a person feels bad and feels a strong need for the substance when some time has passed after the last dose; in the second, a person don´t feel this need, but in a way misses the feeling of being high – it is difficult to explain, but there is a difference).

- There is only one case of dying by overdose in the clinical records, and it was a guy who smoked around 6 joints a day for several months. The basic principle is that it is not possible to die of overdose of marijuana by smoking acutely (in just one episode), but it is possible to get poisoned by long-term consumption (although, as I wrote, there is only one proved case of it in the history of medicine worldwide).

- Although the risk of addiction is low, it can happen. There are withdrawal symptoms like insomnia, restlessness, lost of appetite, irritability, anger, jerkiness and increased aggression. Frequent use also leads to metabolical habituation: the user needs bigger doses to get the same effect.

- The effect of a dose lasts from 1 to 4 hours. The effects are gone the day after use. Nevertheless, since the cannabinoids are liposoluble substances, they have a very low exit rate from the body and they can be detected in human tissue up to one month after its use.

- Among the most prominent psychotropic effects at the cognitive function level, loss of working memory and decreased ability to concentrate are the best known. This is the reason people are advised not to work, drive or do precision work while smoking marijuana. From what it is known, these effects are gone the day after.

- High doses of marijuana consumption also affect reproductive success, especially in men. It decreases sperm mobility and it interferes in the fertilization process. But it needs to be frequent users in order to get this impairment.

- The biggest health risks are the ones related with the smoking: lung and throat cancer, bronchitis, heart problems, etc. But that is mainly derived by the fact that one has to smoke it, so it has the same risks as smoking normal tobacco. It hasn´t be proven any neurodegenerative implications yet (Alzheimer, Parkinson, etc). Actually, there are lines of research were people are testing it as medicine to these same diseases. Cannabinoids induces lower immune resistance (you become less resistant to colds, for example), but it seems to have therapeutical effects by reducing the inflammatory responses or in treatment of chronic pain.

- There is some correlation between schizophrenia and cannabis use, but there is debate about it. Some experts argue that cannabis use is not a cause, but people prone to schizophrenia may use it more.

- It has been discussed about cannabis being a “gateway drug” to heavier drugs. Research so far has shown that animals exposed to cannbinoids need higher doses of opioids in order to get the same effect. Another issue is the sociological aspect: since it use is illegal in most countries, the sort of environment where one gets cannabinoids is the same where one gets heavier stuff.

- The last point of this list is the one I found more curious. It seems that people who use cannabis often score lower in ambition and motivational tests. They are more prone to change careers and are less ambitious than the non-users. They do not score lower at intelligence or capacity tests, they are just less ambitious. They are also more prone to have doubts about their present career or life choices and have less defined long-term goals than the control groups. Again, researchers don not know if this is an effect of cannabis use or if it is a parallel effect: people who start using cannabis were already susceptible to see life in a more liberal way.

All in all, marijuana is not totally harmless to health, but it is less harmful than alcohol or tobacco. This is the main conclusion of my (short) study. As long as you don´t drive while high or use it very frequently, I don’t see major health risks associated with it. But, at a personal level, I wouldn´t like to see you becoming addicted to it (well, to the same extent as alcohol or tobacco as well)."

Trondheim, 10 de Agosto de 2006.

quinta-feira, agosto 03, 2006

Energia nuclear!


Para aqueles que têm seguido as notícias no norte da Europa, não é surpresa a notícia de que os reactores 1 e 2 da central nuclear sueca de Forsmark, a norte de Estocolmo, foram temporariamente encerrados. Isto deve-se a uma falha ocorrida à uns dias atrás nos sistemas de seguranca desta mesma central. Dois dos reactores de Oskarhamn estão também temporariamente fora de servico. Isto significa que 4 dos 10 reactores suecos estão parados. O consulente nuclear sueco Lars-Olov Höglund disse à uns dias atrás que a falha ocorrida nos sistemas de seguranca da central de Forsmark só não levaram à libertacão de resíduos radioactivos por mera questão de sorte. O mesmo especialista comparou os erros ocorridos em Forsmark com os que levaram aos acidentes de Harrisbourg e Chernobyl: mau controlo, falhas nos sistemas automáticos de seguranca e pânico na sala de controlo.

Durante muito tempo comparou-se a seguranca dos reactores ocidentais com os da Europa de Leste, apontando-se os ultimos como parcos em seguranca em relacão aos primeiros. O pequeno acidente da semana passada, ocorrida numa instalacão ocidental e seguindo os mais apertados critérios de seguranca, demonstra algo que eu já havia discutido num post neste blog (26 de Abril de 2006, 20 anos após Chernobyl). Que mesmo apesar dos avancos técnicos, jogar com o nuclear continua a ser uma opcão (demasiado) arriscada para a seguranca da humanidade.

quarta-feira, agosto 02, 2006

Kunsthaus Vienna

De todos os museus que visitei na minha curta viagem pela Europa de Leste, aquele que me impressionou mais foi um pequeno, mas original museu situado no centro de Viena. O nome é Kunsthaus (="Casa da Arte") e tem uma exposicão permanente do arquitecto que desenhou a casa, Friedensreich Hundertwasser, no primeiro andar. No segundo andar tive a oportunidade e o prazer de ver uma exposicão de obras oiriginais do artista suico H.R. Giger.

Giger celebrizou-se internacionalmente através do design do monstro Alien no final da década de 70. No entanto, este artista plástico já contava com um par de décadas de criacões originais na mesma linha. O artista fundou um ramo de arte chamado Biomechanics. Giger foi também um pioneiro que celebrizou a utilizacão do airbrush como técnica de pintura.

A visita a esta exposicão recomenda-se. Algumas das obras em exposicão requerem uma observacão alongada, devido à riqueza de detalhes. As pinturas são macabras, eróticas, complexas, intrigantes e enriquecem a imaginacão. Em certas pinturas gastei cerca de 10 minutos até me sentir satisfeito com a sua observacão. A exposicão é curta, e requer cerca de 1 hora a ver a totalidade. Sublinhe-se uma escultura de tamanho real que serviu de protótipo para o primeiro Alien, utilizado no filme de 1979.

segunda-feira, julho 24, 2006

Quando política e ciência se atropelam!!!

Fiquei revoltado quando hoje li que 8 países da UE se preparavam para boicotar o novo quadro de financiamento da ciência da UE, apenas e só por este admitir o financiamento de projectos onde se utilizem células estaminais embrionárias.

As células estaminais embrionárias são a grande esperança da comunidade médica e científica para se encontrar uma forma de minorar as consequências de doenças neurodegenerativas como Parkinson ou Alzheimer.

Em toda a UE há milhares de embriões congelados excedentários que são destruidos ao fim de 3 anos de armazenamento. Estes provêm de operações de fertilização medicamente assistida, procedimento este onde, por norma, se criam embriões em número superior ao necessário para a primeira tentativa, para o caso desta falhar.

É irracional que não se possam utilizar estes embriões que serão, pura e simplesmente despejados numa qualquer incineradora, para fins científicos, desde que os dadores forneçam autorização para isto.

Sabe-se que os países que se opõem a esta investigação são, ou conservadores ou governados por partidos conservadores! O que não se sabe é se os políticos eleitos representam a vontade de uma população! Neste caso acredito que tal não aconteça, principalmente num país como a Alemanha, cujo governo foi um dos que inicialmente ameaçaram chumbar o programa de financiamento!

No final foi aprovado o orçamento, com os votos contra de Polónia, Áustria, Malta, Eslováquia e Lituânia com algumas alterações ao texto inicial. No fundo está-se a atirar areia para os olhos das pessoas! Ao financiar-se a investigação em células estaminais apenas nos países onde tal é permitido, proibindo a criação de novas linhas celulares, está-se a privilegiar num dado momento aqueles cujos governos/populações que são mais "open minded" e a colocar um sinal de sentido proibido à frente dos outros, o que em termos futuros poderá significar uma dependência destes em relação aos primeiros em termos técnicos e de conhecimento na matéria! Em vez de se discutir o sim ou sopas às células estaminais, deveriam-se criar comités de acompanhamento mistos, com pessoas de vários sectores profissionais, para analizar as vantagens do projecto e se este respeitaria todos os preceitos éticos!

Cumprimentos

RC

quarta-feira, julho 19, 2006

Europa de Leste

Ola pessoal,

Neste momento encontro-me num internet cafe em Krakow, Polonia. A Europa de Leste tem-me surpreendido imenso. Os paises estao a desenvolver-se muito rapidamente e a qualidade de vida nas capitais e muito elevada. Bratislava e um sonho de cidade: a periferia ainda esta fortemente marcada pelo dominio e a austeridade sovietica, mas o centro esta em franco desenvolvimento. O mesmo se aplica a Krakow. E uma cidade moderna e dinamica. E ambas as cidades sao bastante limpas, quando se toma em consideracao o tamanho destas.

Os precos sao ridiculamente baixos. Ontem apanhamos um taxi que nos levou de uma ponta a outra da cidade e acabamos por pagar 10 zloty (mais ou menos 2 euros e meio). Na Noruega, o mesmo servico custaria pelo menos 50 zloty. Os restaurantes sao muito baratos, com 20 zloty consegue-se almocar (5 euros).

Os eslavos demonstram-se ainda um pouco timidos em relacao aos estrangeiros e a ideia de falar ingles. Muitos literalmente escondem-se e fogem dos estrangeiros. Em Krakow o cenario e ligeiramente diferente, muito por causa da enorme populacao de estudantes que estuda nesta cidade.

Ontem estive em Auschwitz e foi impressionante. A visao mais arrepiante foi uma sala onde nos foi apresentada uma vitrina de 15 metros de largura com 2 toneladas de cabelo humano em exposicao. Calcula-se que e o correspondente a 30000 pessoas - uma pequena cidade. Este cabelo foi cortado a mulheres e criancas mortas numa das camaras de gas apos a sua morte. Muitos dos visitantes sentiram-se desconfortaveis com esta visao, incluindo eu proprio. Numa das vitrinas vimos tambem fotografias de varios milhares de prisioneiros em exposicao. Todas as fotografias expostas correspondiam a pessoas que morreram no campo de Auschwitz. Em media, sobreviviam 3 a 4 meses depois da chegada. Foi impressionate ver fotografias de pessoas reais, mortas por um regime politico e uma ideologia racial.

Auschwitz-Birkenau e exactamente como no filme da Lista de Schindler. E grande (em 1944 acomodava 90 mil pessoas simultaneamente), desagradavel e depressivo.

Voltando para temas mais alegres, outra nota extremamente positiva em relacao a estas paragens orientais e a populacao feminina. Sempre considerei o prototipo sueco/dinamarques como a populacao mais atractiva, juntamente com largas faixas da Frisia, Holanda e Norte da Alemanha. Agora tenho de juntar a lista a faixa de populacao que vive na Eslovaquia, Republica Checa e sul da Polonia. As mulheres de Krakow sao absolutamente incriveis, para alem de serem simpaticas e afaveis. Ainda nao vi uma recepcionista de hotel em que tenho estado que nao tenha despertado em mim o desejo imediato de a convidar a mudar-se para Trondheim. As vezes tenho a impressao de qe estou numa versao 4 vezes mais barata da suecia quando ando na rua.

Amanha viajo em direccao a Gdansk (antiga Danzig) no norte da Polonia. Vou ficar no apartamento novo duma velha namorada de a 5 anos atras. E engracado a reaccao que se tem quando se reve paixoes antigas. Ja a muito tempo que nao pensava nela, mas depois de um telefonema a dois dias atras, dou comigo a vaguear nos meus pensamentos e memorias de vez em quando. Sinto-me um pouco nervoso por reve-la outra vez. Agora estamos ambos mais proximo dos 30 anos e mudamos imenso e estou expectante em relacao a pessoa que vou (re)encontrar amanha. Hoje comprei roupa nova e cortei o cabelo e ando de um lado para o outro na cidade com um nervoso miudinho, como se fosse a primeira vez que me encontro com ela.

Da Europa de Leste e tudo, para ja. Vienna foi tambem muito interessante, mas isso fica para outro post...

Abracos
Czeszc!
;-)
Paulo.

segunda-feira, julho 17, 2006

Breves reflexões

Terrorismo

Desta vez foi Bombaim, o centro financeiro da Índia, uma das maiores economias do Mundo. Mais de 200 pessoas morreram, bem mais que em Londres, há 1 ano. No entanto, como é longe do chamado mundo civilizado, a nossa comunicação social (e quando digo nossa refiro-me à Europeia, em geral) quase ignorou estes atentados. É mais importante o Cannavaro ter insultado a irmã de Zidane do que mostrar que a luta contra o terrorismo, contra a morte de pessoas inocentes, não está nem de perto nem de longe terminada!

Médio Oriente

Nunca fui defensor da causa Palestiniana. Pelos mais variados motivos. A Palestina, como estado e os Palestinos, como povo, são uma invenção recente. Não concordo com ataques a civis inocentes e foi este o alvo que a chamada causa Palestiniana sempre escolheu para tentar impor a sua vontade. Os Israelitas também não estão isentos de culpas nesta matérias! Após um movimento migratório que teve inicio no início do séc passado, movimento esse que atingiu o seu auge após a 2a guerra mundial, conseguiram formar um estado Judaico com o apoio das Nações Unidas e em especial dos países normalmente designados Ocidentais. Numa zona do globo considerada terra santa por 3 das principais (se não as principais) religiões do planeta, numa zona onde a religião Muçulmana é maioritária seria quase impossível não resultarem daqui tensões! Nestas últimas semanas, após vários anos de uma calma relativa, em que progressivamente Israel foi libertando territórios por si entretanto ocupados, como resposta à invasão de que foi alvo pelos países vizinhos, a guerra voltou! O rapto de um soldado Israelita foi o pretexto para a invasão da entretanto desocupada faixa de Gaza. O rapto de mais 2 soldados pelo movimento Xiita Hezbollah levou a uma invasão do Sul do Líbano e a bombardeamentos a Beirute, em especial ao aeroporto internacional! Jámais serei defensor do lema de "combate da violência com violência" e defendo portanto que estes actos Israelitas têm que ser condenados pelas Nações Unidas! No entanto, terão que ser realizados todos os esforços possíveis para desarmar o Hezbollah e limitar a acção do Hammas. Estes dois grupos terroristas são os instigadores da violência naquela região e havendo uma força das Nações Unidas presente permanentemente no Líbano, esta deveria realizar todos os esforços para impedir o crescimento deste grupo terrorista! E com estas tensões todas no médio oriente, e a crise na Coreia do Norte, lá está o petróleo a bater recordes, e em breve a inflacção a fazer-se sentir nos nossos bolsos!

Este texto de Tiago Barbosa no Kontratempos, mostra uma visão parecida com a que tenho. Para quem tiver paciência, aconselho a sua leitura e uma visita ao blog.

Caso Mateus vs CalcioCaos

Em pouco mais de 4 meses a justiça Italiana condenou 4 dos maiores clubes Italianos num processo complexo de fabricação de resultados. 3 desceram de divisão e iniciam o próximo campeonato com pontuação negativa. A Juventus (o maior clube Italiano) perdeu os 2 últimos títulos (2005 e 2006). Em Portugal, a AAC denunciou em Março a utilização irregular do jogador Mateus por parte do Gil Vicente, no jogo que opos as duas equipas, e ainda se anda a discutir quem é que há-de decidir o quê! O clube de Barcelos, recorreu aos tribunais civis, o que é ilegal segundo as normas internacionais, e implica uma descida de divisão! Esta liga é uma palhaçada e a nossa justiça é tão burocrática que é impossível um processo como o do Apito Dourado, ter sucesso! Talvez não fosse má ideia, numa altura em que tanto se fala numa reforma da justiça, tentar copiar os bons exemplos que alguns países nos dão. O problema é que isto irá contra muitos interesses instalados...

Pedra Filosofal

Afinal a demanda pela pedra filosofal, aquela que transformaria em ouro qualquer metal inferior ao ouro em que tocasse, poderia ter alguma razão de ser! Na edição desta semana da revista científica Science um grupo de cientistas Australianos argumenta ter descoberto uma bactéria capaz de transformar metais tóxicos em grãos de ouro. Se esta descoberta se confirmar, vai haver uma corrida para tentar descobrir uma forma de a utilizar industrialmente para a produção de ouro. E se isto se verificar, há muita gente que vai perder dinheiro, pois o valor do ouro irá desvalorizar imenso!

Cumprimentos

RC

sexta-feira, julho 07, 2006

Nas rotas do extinto império austro-húngaro

Amanhã viajo para Viena com o fim de participar no Congresso Anual Europeu de Neurociências organizado pela FENS. Depois do congresso pretendo viajar com alguns colegas de trabalho na Europa Central e de Leste. No menu estão cidades como Viena, Bratislava, Budapeste, talvez Munique, talvez Cracóvia, e depois rumo ao norte através do tradicional roteiro do norte (Berlim, Copenhaga, Gotemburgo, Oslo). Deste modo, estarei provavelmente ausente (ou então escreverei entusiasticamente, mas infrequentemente e a espasmos) deste blog furante umas duas semanas. Prometo voltar com inspiracão redobrada e talvez alguns apontamentos de viagem.

Abraco
;-)
Paulo.

quarta-feira, julho 05, 2006

Trondheim



Pegando no desafio do Virgílio e evitando o tema habitual do futebol destes últimos tempos, vou-vos descrever a cidade na qual vivo à quatro anos: Trondheim.

Trondheim, ao que parece, não é assim tão diferente do ambiente que o Virgílio tem descrito acerca do Canadá. Tem uma populacão de 150 mil habitantes mas um raio urbano oficial de 13 km, dando-lhe uma densidade populacional baixíssima, à boa moda escandinava. Existem muitos espacos verdes e zonas vazias dentro da cidade. Não existem arranha-céus e é raro o edifício com mais do que 3 andares, mesmo no centro. É uma cidade universitária, com a NTNU, a mais prestigiada universidade técnica na Escandinávia, com cerca de 25 mil estudantes. Um sexto dos habitantes desta cidade são estudantes razão pela qual a demografia da cidade tem um pico no sector etário entre os 20 e os 30 anos de idade. Em Julho encontra-se a cidade quase deserta, quer pelas férias dos estudantesm quer pela romaria dos locais em direccão a temperaturas mais amenas no sul. O inglês torna-se língua oficiosa na cidade durante este mês, fruto da invasão em massa de turistas abastados americanos, japoneses e espanhóis que para aqui vêm nos seus cruzeiros.

Falando do clima, pode-se considerar como tropical quando consideramos a latitude a que esta cidade se encontra. Felizmente é uma cidade costeira protegida pelo fjord mais largo da Noruega e banhada pela corrente do Golfo, o que proporciona invernos relativamente suaves e verões amenos de 20 a 30 graus centígrados em alguns dias. No Inverno já experienciei teperaturas na ordem dos -25, mas a temperatura média fica-se pelos -5. Se tracarmos uma linha de latitude por cima da cidade, verificamos que se encontra à mesma latitude que Reykyavique na Islândia, o norte do Alasca e Canadá e a Sibéria, tudo locais onde a temperatura pode descer facilmente a uns desagradáveis -50 no Inverno. É preciso descer uns 600 km em latitude para estar ao mesmo nível de Oslo, Estocolmo e Helsíquia (1000 para Copenhaga).

A cidade celebrou o seu primeiro milénio em 1997. Foi fundada pelo rei viking Olav Trygvasson e é a capital da zona central da Noruega, chamada Trøndelag. Quando foi fundada chamava-se Nidaros, por se encontrar nas margens do rio Nidelva. A cidade atingiu um estatuto especial em 1030, quando enterraram o rei-santo Olav den Hellige um ano depois da batalha de Stiklestad, e a cidade tornou-se alvo de peregrinacão e capital do reino durante mais de 300 anos. Ainda hoje são coroados os reis da Noruega na bela catedral de Nidaros, que domina imponente o horizonte da cidade.

Os locais falam um dialecto especial (trondersk) que é apontado pelos noruegueses de outras zonas como bastante cru, uma linguagem de camponeses e pescadores. Muitos chamam à cidade bygdahovedstaden(a capital das aldeias) por causa do seu ambiente calmo no centro. É frequente não se ver quase ninguém na rua durante as noites de inverno. No verão dominam as bancas de venda de morangos e frutos silvestres na Torg, a praca central de Trondheim.

A cidade é rodeada por várias cadeias de pequenas montanhas (500 a 700 metros de altitude) cobertas de florestas coníferas. A paisagem é impressionante. As zonas de Bymarka e Estenstadsmarka flanqueiam a cidade a oeste e este, respectivamente, e é frequente encontrarem-se milhares de noruegueses a passear nestas florestas durante os fins-de-semana. No inverno pratica-se esqui de fundo (langrenn) e o snowboard tem-se tornado cada vez mais popular na montanha de Vassfjellet a meros 25 km a sul da cidade. No verão destaca-se a vela e a orientacão como desportos dominantes.


Para visitar, a cidade é cara e pode-se ver tudo o que há para ver num único dia. O que impressiona na cidade não é a sua vida cultural ou o ambiente urbano. O que é marcante é a moldura natural em que se insere: as montanhas, as florestas, os lagos e o fjord. Isto não quer dizer que não haja vida cultural: existe uma abundante escolha de grupos e gostos musicais, uma orquestra sinfónica profissional, um teatro estatal e vários grupos independentes, um par de museus e galerias, e um largo leque de actividades desportivas à disposicão no clube da universidade, o NTNUI. Em Trondheim toda a gente apoia o clube local de futebol, o Rosenborg, que joga em casa no Lerkendal, a um mero par de quilómetros do centro.

Se um dia quiserem ver tudo isto pelos vossos olhos, mandem-me um email.

:-)
Paulo.

terça-feira, julho 04, 2006

Feijões, morangos, tomates, batatas e afins

Quando para estes lado o sol brilha alto (mas não muito) e quente (bastante) as minhas palavras parecem evaporar e as ideias parece que faltam depois de um fim de semana prolongado que acaba hoje.
Pois então, depois de o Ricardo ter abordado temas tão proeminentes na nossa sociedade, resta-me mudar um bocado a agulha e falar-vos do meu quintal!
Pois é, no meio da cidade, mesmo onde toda a vida nocturna e diurna se centra, moro eu numa casinha acolhedora que tem atrás uma leirinha de terra bem fértil onde qualquer semente germina e brota numa planta mágnifica. A leira não é grande e a maneira de cultivar dos canadianos é típica de quem tem tanto espaço que acaba por fazer tudo de uma forma desorganizada (tal como os quartos deles e as casas deles, mas ao contrário das cidades que parecem traçadas a régua e esquadro). Mas temos o suficiente para termos várias espécies de tomates, pepinos, cenouras, alfaces, morangos, abóbora, amoras e morangos. Ah! Esquecia-me de mencionar os espinafres, o feijão e as ervilhas!
Uma das coisas que gosto nesta cidade são os paradoxos! Têm uma baixa da cidade que é mais morta que um estádio de futebol num dia em que não há jogo. É uma cidade baseada no petróleo e no gás natural, mas o ar é puro. É uma cidade mas mesmo no meio encontram-se estes quintais, uns maiores, outros mais pequenos, uns mais variados, outros mais monótonos. Mas a beleza de morar mesmo no centro da cidade e ter um quintal que permite fazer um belo molho de tomate apenas com coisas do nosso quintal, sem pesticidas ou outros tratamentos... impagável!
E como são as vossas cidades?
Para a semana estarei de regresso à Europa, mas vou passar uns dias a Londres e arredores para ver como são as coisas. De certeza que terei histórias para contar.
Abraço,
Virgilio

segunda-feira, julho 03, 2006

Falemos de...tudo menos bola!!!

Bem, estou farto de escrever sobre o Mundial. E de certeza que está tudo farto de ler notícias sobre as lágrimas do Ronaldo, a baliza do Ricardo que encolheu, as promessas de Scolari a nossa sra do Caravagio, etc!

Há dois assuntos que têm estado na ordem do dia nos últimos meses, mas aos quais muitos pouca ou nenhuma importância se deu! O 1º é do referendo que teve lugar no dia 21 de Maio na provincia Sérbia do Montenegro e que resultou na separação deste da Sérbia e da formação de um novo país na velhinha Europa. O 2º tema será o (velhinho) referendo a favor da interrupção voluntária da gravidez!


O Montenegro é o mais recente país do Velho Continente.Trata-se de um pequeno país, com apenas 14000 km2 e pouco mais de 600.000 habitantes residentes no país. Desde 1992, fruto da guerra do Balcãs, que o Montenegro e a Sérvia formavam um único país. No mês passado foi realizado um referendo que ditou o fim desta União e o nascimento de dois novos países a Sérvia e o Montenegro (o parlamento Sérvio foi mais rápido que o Montenegrino a decretar as novas fronteiras do país, como tal, o Montenegro é mesmo o país mais jovem!). O referendo foi seguido de perto pela UE e pela ONU. Era necessário que mais de 55% dos eleitores votassem a favor da independência para que o escrutínio fosse considerado válido. Tal, de facto, aconteceu, por uma pequena margem! Mas será que este referendo reflectiu de facto a vontade todos os Montenegrinos!? Um observador mais desatento, dirá que sim. Mas se analisarmos alguns factos com atenção iremos chegar a outra conclusão. Antes de mais, o Montenegro é a colónia de férias dos Sérvios, do género do nosso Algarve, com a diferença de ser a única costa que a Sérvia tinha! É um país importador, nem de perto nem de longe auto-suficiente, que dependerá do turismo e da ajuda do FMI para sobreviver! Um Montenegrino que quisesse estudar, por norma fazia-o na Sérvia, afinal era o mesmo país, e, pelo menos em Belgrado, a Universidade tem fama e qualidade. Para além disso, como em quase todos os países da Europa de leste, existiu uma grande diáspora para o resto da Europa em busca de melhores empregos e salários durante as duas últimas décadas! A estes que, sendo Montenegrinos de nascença, não residiam no país, foi vetado o direito a pronunciar-se no referendo de Maio! Facto ainda mais curioso é o estudante Montenegrino que de um momento para o outro passa quase a ser "apátrida", um bocado ao jeito do filme "Terminal". Considero eu então que este referendo não manifestou em nada a vontade de um povo, mas sim de uma facção desse povo, mais tradicionalista e conservadora! As regras deste referendo foram orquestradas por aqueles que, sedentos de poder, depressa perceberam que, aceitando os votos de toda a população, jamais alcançariam os seus intentos! E assim se faz um país, se confirmam umas fronteiras que jamais existiram e se criam mais uns quantos tachos para os iluminados do costume! Tudo sob o olhar "desatento" e condordante da UE e da ONU!

Passando para a questão da interrupção voluntária da gravidez, parece que vamos voltar a ter um novo referendo! Quem me conhece sabe bem a minha opinião sobre o assunto. Sou contra o aborto, mas não posso admitir que mulheres morram ou sofram graves complicações de saúde por não terem capacidade económica para se deslocarem a um país estrangeiro onde tal prática seja legal! Caso fosse legal, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) teria obrigatoriamente que colocar ao dispor do cidadão para além de médicos especialistas, psicólogos que ajudariam a pessoa a recuperar de uma experiência que será deveras traumática. Não acredito que alguém aborte por prazer, nem que o use como método contraceptivo! Mas voltando à questão do referendo, considero um desperdício de recursos, num país que atravessa uma grave crise económica, realizar-se um referendo sobre esta matéria! Temos um parlamento eleito democraticamente, com representantes das mais variadas regiões do país, como tal deveriam ser os Srs deputados a tomar esta decisão! E não só por questões financeiras! São eles quem estão melhor informados, no final terá que ser pelo parlamento que terá que passar a decisão formal! Este referendo é apenas uma forma de atirar a batata quente para o povo,do género decidam vocês que eu não tenho coragem para arcar com as consequências de uma decisão destas! O que irá acontecer mais uma vez é que, a participação vai ficar aquém dos 50% dos eleitores, os eleitores com mais baixos níveis de escolaridade e que não percebem que o que está em causa não é mandar as mulheres abortarem, mas dar-lhes o direito de o fazerem em condições dignas, vão-se abster. Os que são contra vão-se mobilizar e mais uma vez o "não" irá vencer! E porque é que eu penso desta forma? Porque quando se realizou o outro referendo, perguntei aos meus avós se não iam votar e a resposta deles foi que -Não! E eu perguntei porquê? E a resposta foi qualquer coisa do género: - Não acho que tenha que ser eu a decidir isso. Devo realçar que a freguesia onde os meus avós residem foi aquela que registou os mais altos índices de abstenção nesse referendo e em todas as consultas populares realizadas no país no pós-25 de Abril! E como os meus avós de certeza que há muitas pessoas!

Por isso, senhores políticos, tenham coragem. Peguem o boi pelos cornos e acabem com este circo mediático que agora vai voltar a acontecer! Até Janeiro nem quero pensar nos debates e nos confrontos ideológicos a que vamos assistir! Os vips da direita com T-shirts a dizer "sim à vida" contra os arruaceiros da esquerda a dizer "sim ao aborto", como se fosse isso que está em causa! Eu digo, sim à interrupção voluntária da gravidez, acabe-se com o negócio sujo do aborto clandestino e dê-se às mulheres o apoio e acompanhamento necessários!

Sem mais.

RC