quarta-feira, abril 25, 2007

Filhos de Abril

É impossível passar um 25 de Abril sem ouvir as letras de Zeca. Durante anos tal remetia-me para um estado de semi-realidade, de sonhar acordado, sobre a revolução de Abril e o significado desta!

Hoje em dia já não é assim. Continuo a ouvir as mesmas letras mas ponho-me a pensar na realidade no presente! Sou um herdeiro de Abril de 74 assim como o é toda a minha geração e as gerações futuras. Os pais da revolução são nossos pais ou avós. Foram eles que sonharam e viveram a revolução. Foram eles que viveram a opressão, o medo, a repressão e a guerra! Eles lutaram por um sonho, por um ideal, por um futuro melhor.

Infelizmente o ideal de Abril ainda não se concretizou. Muitos dos cancros de outrora ainda existem e os cancros que foram vencidos foram substituidos por outros talvez piores. Mas o que é mais assustador é o vazio ideológico que foi deixado a esta geração da qual faço parte. Deixaram-nos o mundo competitivo e egoista, o safe-se quem poder e a maioria dos jovens deixaram-se levar por isso. Outros, poucos felizmente, adoptaram o ideal revolucionário de 24 de Abril de 74 e é vÊ-los cegos a tentar impor a visão ultrapassada de filósofos de há 200 anos!

Abril é passado, foi há 33 anos, aconteceu e ponto final! Há que mudar as consciências hoje em dia a forma de ver e estar no mundo. Analizar o que vai mal e tentar muda-lo e não dizer mal, insultar este e aquele e de seguida agarrar no comando da televisão e mudar de assunto! Uma das vontades da antiga ditadura era manter o povo calado e ignorante. Hoje fala-se de mais mas, esprimido o discurso de qualquer "Zé Povinho", ve-se que continua quase tudo calado e ignorante, com um deserto de ideias!

Cumprimentos

segunda-feira, abril 23, 2007

Nova semana

Após umas semanas que de normal só tiveram o passar das horas ao ritmo acelerado do costume, volto a mandar uns bitaites aqui no blog!

Muito se tem passado por esse mundo fora nestes dias. Desde o guião para o próximo grande filme de Hollywood, que terá como cenário a Universidade de Virginia tech e como personagem principal um Sul Coreano, excluido do sistema por uma sociedade estudantil que despreza a diferença! Para além disso, num pequeno país Europeu, à beira-mar plantado, continua a produzir-se uma novela em torno das habilitações do primeiro-ministro, desviando-se desta a forma as atenções dos verdadeiros problemas do país! Noutro local, mais para sul, um pequeno país foi arrasado por um terramoto, país tão pequeno que já nem me lembro do nome (terão sido as ilhas Salomão?), e é tal a importância desse país que ao fim de 3 dias tinham deixado de aparecer nas notícias! Já nos EUA, há mais de uma semana que se anda a falar das tempestades de neve que assolam vários estados! Das tempestades de neve e descida de temperatura aqui pelo norte da Europa é que ninguém fala, aliás falo e queixo-me eu! Já no Darfur continua a limpeza étnica realizada por milícias Islamitas, apoiadas pelo regime Sudanês, sendo que tanto EUA, como UE, como ONU continuam a ameaçar que qualquer dia aparecem por lá, mas enquanto não vão, o governo SudanÊs pinta os seus aviões com as cores da ONU e manda uns "rockets" bem intencionados, para manter a população esperançada e feliz! O Irão continua com o tom autoritário de desafio! Nem UE nem EUA conseguem demover dos seus intentos os Ayatolas (ou lá como se escreve). Nada contra a utilização de energia eléctrica a partir do nuclear, mas mais uma potência nuclear naquela região irá desencadear uma nova corrida a armas nucleares que poderá desencadear uma nova guerra fria! Principalmente sendo essa potência a nação Persa, odiada por todos os vizinhos!

No fundo, nada de novo se passou! Apenas o ano ficou mais curto umas semanas e o regresso à rotina fará com que a Primavera adiada deixe de se fazer notar!

Cumprimentos

domingo, abril 22, 2007

Sweet Land


Neste momento está a decorrer o festival internacional de cinema "Kosmorama" na cidade de Trondheim. Como consequência disso tenho tido o previlégio de ver filmes de baixo impacto comercial nos cinemas ocidentais, mas de grande qualidade estética ou de guião de todo o mundo.

Um dos filmes que atraiu mais atencão, tanto para mim como para os habitantes locais, é o filme de producão independente norte-americano "Sweet Land" (2005). O filme descreve a história de uma mulher alemã, Inga (Elizabeth Reaser) que chega ao estado de Minnesota em 1920 como noiva por correspondência, para se casar com o jovem agricultor Olaf Torvik (Tim Guinee). O futuro casal encontra forte resistência local por causa do facto de ela ser alemã (o anúncio tinha sido enviado para a Noruega donde Olaf provém originalmente, mas foi respondido por Inga, que apesar de ser alemã, vivia na Noruega naquela altura) e opoem-se ao seu casamento. Para piorar a situacão, Olaf é muito tímido e vigora uma forte lei moral na aldeia. Depois de muitas peripécias acaba o casal por isolar-se da comunidade e como consequência fortalece-se a relacão entre os dois. Ao fim de uma série de acontecimentos locais, acabam os dois por ganhar a sua licenca para se casar e o reconhecimento de Inga como um membro respeitado da comunidade.

De relevo saliente-se o facto do filme falar sobre os problemas encontrados na imigracão, a barreira linguística, a resistência local para a integracão, os preconceitos encontrados na comunidade e a necessidade de se sentir aceitado e integrado na nova sociedade. O filme é visto com carinho pelos noruegueses pelo facto de ser uma história familiar para muitos deles. Quase todas as famílias noruguesas tem familiares (agora distantes) no outro lado do oceano Atlântico (existe igual número de descendentes noruegueses nos EUA como habitantes na Noruega actual: 4,5 milhões espalhados maioritariamente pelos estado do Minnesota, Dakota do Sul e do Norte, Illinois, Washigton, California, e Utah). Outro ponto interessante no filme é o facto da actriz escolhida para o papel principal ser americana e usar o "norueguês" várias vezes ao longo do filme. O cómico é que o "norueguês" de Elizabeth Reaser ser praticamente incompreensível para um nativo, ao ponto de ser quase necessário legendas para as tiradas da actriz nos cinemas noruegueses! Mas enfim, já não é a primeira vez (quem se lembra do John Travolta a falar "portinhulês" no filme "O Fenómeno" aqui à uns anos atrás?)! Outro ponto interessante no filme é o facto de ser uma história de amor mas não se ver um único beijo entre os protagonistas ao longo de 110 minutos de filme, isto apesar de se sentir a existência de uma relacão entre os dois que se fortalece ao longo da narrativa!

A emigracão para os EUA tem um peso especial na história moderna dos países escandinavos, a ponto de terem sido escolhidos como os melhores romances de sempre na Suécia e Dinamarca as séries "Utvandrarna" ("Emigrantes", Vilhem Moberg, década de 1950) e "Pelle, Erobreren" ("Pelle, o Conquistador", de Martin Andersen-Nexø, década de 1910), respectivamente. Ambos foram suberbamente adaptados para filme mais tarde, por Jan Troell (1971) e Bille August (1987), curiosamente ambos com Max von Sydow num dos papéis principais.

:-)
Paulo.

quarta-feira, abril 18, 2007

Armas de fogo

Circulam neste momento pelo mundo inteiro a notícia do tiroteio ocorrido numa universidade do Estado da Virgínia, nos E.U.A., iniciado por um estudante sul-coreano e que provocou a morte de 33 indivíduos (incluindo ele próprio). Este tipo de massacres tornou-se relativamente rotineiro no panorama norte-americano nos ultimos anos. Um assunto que queria debater neste post é o mesmo que Moore falou em "Bowling for Columbine" à uns anos atrás, nomeadamente o fácil acesso a armas de fogo no sistema federal norte-americano.

Nalgumas entrevistas que vi nos telejornais noruegueses, defendem-se os apoiantes do livre uso e compra de armas de fogo, a famosa National Rifle Association, com a frase (já comum), "a person can kill with whatever weapon. Don't blame firearms, it's the use that people make out of them that is to be blamed. He could have killed with his hands, with a baseball bat, with whatever."

Sim, concordo. Mas acho pouco provável que a contagem atingisse 33 mortos se o indivíduo andasse a perseguir as suas vítimas através do campus universitário com um taco de baseball ou uma faca de mato. Provavelmente a polícia ou até mesmo outros indivíduos fisicamente mais possantes seriam capazes de o deter facilmente depois de um par de vítimas. O facto de que, com uma arma de fogo, basta premir um gatilho para matar torna tudo mais fácil, do ponto de vista do assassino.

Um destes dias andava a passear com um colega de trabalho e comecamos a discutir porque é que estes assassions de ocasião que num momento de desvairo e frustracão desatam a matar a torto e a direito nas escolas americanas nunca escolheram uma espada ou um machado como arma de preferência. Parecia-nos, na nossa opinião, como uma escolha muito mais divertida, do ponto de vista do assassino. A conclusão que chegamos foi a de que provavelmente isso requereria muito trabalho e muito treino físico antecipadamente para se preparar para um massacre, para além de que seria muito mais fácil detê-los após um par de vitimas. Uma das outras razões pela qual nunca tal foi ouvido é o facto de que muito provavelmente estes indíviduos ganhariam amigos durante os ditos treinos e abandonariam a ideia de matar uma dúzia de estudantes na escola. Com uma arma de fogo, só se precisa de comprar, carregar a arma com municão, e ir para a escola. É um instrumento deveras muito prático! E depois de morta a primeira vítima, 5, 10 ou 100 é apenas uma estatística...

Abracos
:-)
Paulo.

sexta-feira, abril 13, 2007

Grandes nadadores!

Esta é mesmo para rir. Às vezes certos programas metem mesmo água:


1. Go to www.google.com

2. Click on 'maps'

3. Click on 'get directions'

4. Go from 'new york' to 'paris, france'

5. Click 'Get Directions'

6. Scroll down in the directions to number 23

7. Laugh


Bom fim-de-semana!
;-)

quinta-feira, abril 05, 2007

País de Doutores (revisited)

Regresso a um tema sobre o qual produzi um post no início deste blog, há mais de um ano!

No último mês tem havido uma grande polémica em torno do Primeiro Ministro José Sócrates - já nem corro o risco de o tratar por Engenheiro ou Doutor pois posso estar a cometer um grave crime!

Muito resumidamente, o então Engenheiro Sócrates, foi despromovido a licenciado pois para se ser engenheiro é preciso estar inscrito na ordem. Depois poz-se em causa a licenciatura obtida na Universidade Independente (que por acaso também se viu envolvida numa grande polémica que poderá levar ao seu encerramento, mas isso é outra história!) enquanto tutelava o ministério do ambiente. Resta portanto o bacharel obtido no ISEC.

Se se vier a provar que a licenciatura obtida na UI foi uma farsa, antes de mais deveriam punir-se os responsáveis pelo crime cometido, sejam eles quem forem! Claro que num país onde o poder judicial e político não se misturam (só estou a ser um pouco irónico!) a investigação já está a decorrer (só se for a do jornal Público!) em busca dos culpados! Depois disso teremos obviamente que começar a tratar o nosso primeiro por Ex.mo Sr. Bacharel José Sócrates, o que não é nada fácil!

Merda dos rótulos e títulos com os quais tanta saliva e tinta se gasta nesse país! É a melhor prova de que o provincianismo existe dos estratos mais baixos aos mais elevados da população! Esta é, na minha modesta opinião, uma das formas mais encapotadas de Xenofobia que existe. Triste mesmo é ser legal...

Cumprimentos

(Dr) RC

2 semanas de Guerra Fria!

Reproduzo na íntegra um texto de Rui Tavares publicado hoje no Jornal Público.

Trata-se de uma análise ao mesmo tempo cínica e realista sobre as duas realidades que se confrontam quase em permanência no mundo Ocidental: a belicista e a pacifista(ou nalguns casos, "o deixa andar que isso não me diz respeito!").

Cumprimentos

RC

Inconcebível! Inaceitável!

05.04.2007, Rui Tavares




No momento em que escrevo, a imprensa internacional dá como certa a libertação dos marinheiros britânicos que desde 23 de Março estavam reféns das autoridades iranianas. Como já houve guerras que começaram por menos, a confirmação desta notícia trará um momento de alívio ao Mundo.
Para os belicistas de um lado e do outro, porém, é uma notícia perturbante. Afinal, vinha aí uma guerra novinha em folha, agora que a do Iraque está velha e gasta. Durante duas semanas, vivemos como nos tempos da guerra fria, num mundo de realidades incompatíveis. Tudo era inadmissível ou inaceitável. A única solução era falar grosso e ameaçar com a força. Para o Ocidente, era inconcebível admitir que os marinheiros britânicos pudessem ter entrado em águas iranianas; para o Irão, era inconcebível que eles não fossem julgados por espionagem, a não ser que os britânicos pedissem desculpa. Para os britânicos, um pedido de desculpas seria "perder a face"; para os iranianos, a libertação dos marinheiros sem pedido de desculpas seria "perder a face". E "perder a face", como sabemos, é a pior coisa que pode acontecer a um político - perto disso, morrer, matar e mutilar são problemas menores.
Só um capitulacionista como Hans Blix, o homem a quem foi necessário desautorizar e humilhar para que houvesse guerra no Iraque, poderia sugerir que "a capacidade de perder a face ainda um dia salvará a espécie". Em inglês, rima e tudo ("the ability to loose face / will one day save the human race"), mas esta é sempre uma realidade difícil de engolir. Atrasar assim o relógio da guerra é quase uma deslealdade.
No mundo dos belicistas, não há espaço para hesitações: ou se é forte, ou se é fraco. Pior ainda: só se é forte se andarmos a proclamar permanentemente a nossa força. No mundo belicista, dialogar já é um sinal de fraqueza e nunca ninguém ouviu falar em desculpas simbólicas e em declarações pró-
-forma. O reconhecimento de que a fronteira marítima entre Irão e Iraque não foi nunca acordada e uma declaração simultânea sobre como seria desejável evitar qualquer entrada acidental em águas alheias poderia resolver a situação sem nenhuma das partes admitir o erro inicial. Inconcebível! Inaceitável! Inadmissível! Nancy Pelosi, presidente do Congresso americano, desobedeceu ao seu Presidente e foi à Síria entregar uma mensagem do israelita Ehud Olmert ao sírio Bachir Al-Assad. Inadmissível! Inaceitável! Inconcebível! A diplomacia funcionou. Inaceitável! Inconcebível! Inadmissível!
Mas os belicistas não devem desanimar. Não faltarão novos casus belli, que é a forma elegante de dizer "pretextos para entrar em guerra". Qualquer deles será até mais sério do que os últimos. Os iranianos recusam-se a suspender o seu programa nuclear. Os EUA recusam-se a reconhecer o regime iraniano. Ninguém nega que os serviços secretos estejam no terreno iraniano tentando promover rebeliões nas províncias sunitas do Balochistão e árabes do Kuzestão. Os cinco diplomatas iranianos que foram capturados num consulado do seu país no Iraque sob uma acusação de espionagem continuam presos (não me admiraria que alguma "inadmissível" concessão tenha sido feita em relação a estes cinco reféns para ajudar à libertação dos outros 15). E, acima de tudo, os belicistas de um lado têm os belicistas do outro, que tudo farão para que desilusões destas não se voltem a repetir.
Para os restantes, contudo, foi um bom dia neste planeta. Quinze marinheiros voltam para casa. A guerra está um pouquinho mais longe. Às vezes, o inconcebível acontece. Historiador

terça-feira, abril 03, 2007

Conservadores vs. liberais,

Um dia destes um dos meus colegas de laboratório mandou-me este link. O musicante é um artista americano chamado Roy Zimmerman que critica a atitude conservadora de uma faccão política americana. Neste vídeo em particular ele critica a proibicão dos casamentos homossexuais nos EUA. O resultado é hilariante. Para além deste vídeo, pode-se ver outras actuacões do mesmo artista neste link.

quinta-feira, março 29, 2007

Portugal na frente das renováveis!

Esta manhã estava a ler o jornal norueguês Verdens Gang quando reparei numa notícia sobre Portugal. A notícia descrevia que em Portugal abriu recentemente a maior estacão de energia solar actualmente em funcionamento, com a capacidade de produzir 11 Megawatts, ocupando uma área de 60 hectares, com 52000 módulos fotoeléctricos. A notícia também referia a ambicão do actual primeiro-ministro de tornar Portugal num dos líderes mundiais na producão de energia renovável, com o objectivo de atingir os 45 % até 2010.

Habituado a ler notícias de Portugal apenas sobre imensos fogos florestais, golos do Cristiano Ronaldo e escândalos políticos locais aqui na imprensa norueguesa, fiquei muito orgulhoso com esta referência.

segunda-feira, março 26, 2007

Arcade fire

Não tenho assistido a tantos concertos quanto gostaria, já que muitas bandas por aqui passam todos os dias, mas tendo estado desligado da música durante uns anos, os novos projectos passam-me ao lado, e os nomes que leio nos jornais não passam disso mesmo.

Felizmente, para mim, o jornal Público anunciou o lançamento do novo album dos Arcade Fire e a sua presença na edição deste ano do festival Super Bock- Super Rock, a ter lugar no início de Julho, adicionando aquilo que definitivamente me chamou a atenção: melhor album do ano em 2005 (ou 2006 já não me lembro) e unanimente considerados umas das bandas do momento!

Atraido por isto, fui à procura deles no MySpace, local que tem servido de minha enciclopedia musical nos tempo que correm. Três são as páginas dedicadas aos Arcade Fire no myspace: a mais visitada foi obviamente a minha escolhida. E ao ouvir as 4 músicas a que temos acesso fiquei maravilhado! Excelente som, um rock alternativo independente, que não nos cansamos de ouvir. Uma vista de olhos nas datas da "tourné" e lá estava Estocolmo! Infelizmente já não havia bilhetes para vender, mas começando eu já a ter uma noção de como funcionam as coisas nesta cidade, resolvi ir para a porta do concerto tentar comprar um bilhete na "candonga"!

Entretanto, mais um "Tuga" se juntou nesta aventura e conseguimos entrar por quase metade do preço fruto de um negócio com um Inglês "THANK YOU ENGLAND"!

Entrámos a 20 min do início do concerto, felizes da vida, mais felizes ficámos quando percebemos que os nossos lugares eram mesmo virados para o palco! O concerto começou e lá em baixo os suecos saltavam - muito estranho pensava eu! Mas o melhor estava para vir. Aos primeiros acordes de "Rebellion (lies)" todo o recinto saltou: os que estavam de pé saltaram e cantaram com mais força que nunca, os que estavam sentados levantaram-se e começaram a dançar ali mesmo, outros correram lá para baixo a juntar-se ao calor humano! E assim continuou o concerto até ao fim.

O primeiro album deles "Funeral" é muito muito bom. O novo album, lançado no início deste mês parece-me também muito bom, com um estilo ligeiramente diferente, o que só demonstra o potencial enorme que a banda tem!

Para já ganharam um novo fã!

Deixo-vos com Wake Up - Arcade Fire acompanhados pelo grande guru do pop/rock David Bowie

quarta-feira, março 14, 2007

Só podem estar a gozar!

Segundo noticia hoje o jornal "O Público", o ministério da agricultura vai forçar os agricultores a enviar as candidaturas a fundos comunitários através da...Internet! Vai ser interessante isto. Pessoas, a quem em muitos casos, ainda é difícil realizar uma chamada telefónica, ou perceber o que dizem as pomposas cartas que esporadicamente recebem de instituos estatais (quantas vezes os meus avós pedem aos meus pais para, literalmente, lhes traduzirem as cartas!), serem agora forçadas a utilizar um computador, quando uma percentagem ainda muito elevada de estudantes do ensino superior ainda não o consegue fazer!

Revolução tecnológica, sim, mas com bom senso meus senhores!!!

RC

domingo, março 11, 2007

A queda de (mais um) muro


A queda do muro de Berlim foi um momento histórico para o mundo e em particular para a Europa.

A queda do, chamemos-lhe, muro de Nicósia, é sem sombra de dúvida, um momento histórico para a Europa e principalmente para Chipre, que desde o alargamento do ano passado, faz parte da União Europeia, aliás, a parte Grega faz parte da UE. 30 anos passaram desde a sua construção, 30 anos em que uma pequena ilha permanece dividida entre dois povos! 30 anos de ódios inexplicáveis. 30 anos que, esperemos, cheguem agora ao fim. Para que aquele pequeno grande rochedo mediterrânico se abra definitivamente ao mundo e a ele próprio!

RC

sexta-feira, março 09, 2007

Demasiado depressa

Ora de repente comecei a ter palavras a brotar na ponta dos meus dedos e cá estou eu para mais um post.
Já no ano passado me tinha apercebido mas só este ano é que realmente começou a produzir efeito!
Não duvido que a pressão no sentido de aumentar a produtividade, de se ser o melhor de todos seja bastante elevada nos Estados Unidos e no Canadá. Mas também não duvido que seja bastante elevada noutro qualquer país europeu. Mas a pressão de viver depressa e muito atinge niveis absurdos por estes lados. Vejam só:

"Imaginem-se em Setembro. Imaginem os catálogos de todas as lojas e mais algumas a chegarem à caixa do correio com a lista de prendas para o Natal. Se saltarmos Outubro com um crescente bombardeamento de Natal, chegamos a Novembro onde os pinheiros de Natal estão já disponiveis. Vem então o Natal e no dia 26 o Boxing Day. Ressaca-se do ano novo e começamos ser bombardeados por corações e diamantes para o dia dos namorados. Mas assim que chega o dia 15 de Fevereiro as rosas passam para um terço do preço, e os chocolates em forma de coração são substituidos por ovos anunciando a Páscoa..."
Com este ritmo alucinante e esta sede de viver tudo o mais depressa possivel não admira que o stress mate tanta gente por estes lados. É claro que saltei o Dia das Bruxas, e o St. Patrick's Day, e o familly day, etc..
Acabei recentemente de ler o manual do hedonista. Talvez isso me tenha feito abrir os olhos para a importância de parar. Parar física e psicologicamente e dedicar algum tempo a nós!
Se conseguiram tirar 5 minutos para ler estas palavras então já estão no bom caminho. Tentem agora tirar 20 ou 30 minutos para vocês e vejam como se torna esquisito estar parado!
Abraço da neve q continua a derreter,
Virgilio

Jesus Camp

Como a maioria de nós, a igreja teve sempre um lugar importante na nossa vida, pelo menos até termos idade para pensarmos pelas nossas cabeças (mas isso não quer dizer que para muitos de nós tenha deixado de ter importancia).
Hoje, a "desafio" do meu colega de casa decidi sentar-me aqui na sala da cave e ver um filme chamado Jesus Camp e devo dizer que ao fim de 5 minutos não resisti e tive de escrever este post. E para perceberem o que me chocou: imaginem que pegam em crianças de 5 anos e lhes ensinam que Deus fala com eles e que eles vão ter visões. E o grande exemplo seguido pela evangelista que formou o campo de férias é o exemplo dos palestinianos que colocam crianças em campos militares e ela gostaria que as "nossas" crianças estejam dispostas a morrer pelos evangelhos como os martires muçulmanos.
Se tiverem oportunidade vejam! É claro que só podia ser nos Estados Unidos!!!
Eu agora vou tentar ver o resto do filme/documentário e tentar não entrar em desespero e ficar preocupado que um dia destes vamos ter mártires católicos!
Abraços da neve que está a começar a derreter.
Virgilio

quinta-feira, março 08, 2007

Palhacada no telejornal!

Tem sido parodiado na impressa norueguesa na ultima semana uma das entrevistas que a NRK (canal público norueguês) emitiu na passada sexta-feira. A equipa de estafeta norueguesa de 4x10 km estilo livre tinha acabado de ganhar a medalha de ouro em esqui de fundo e estava ser entrevistada pela jornalista Ingerid Stenvold dentro de uma carrinha na cidade japonesa de Sapporo, onde o campeonato do mundo de esqui estava a decorrer. Enquanto a jornalista comentava a prestacão dos atletas na prova, um dos concorrentes sentados no banco de trás, Lars Berger (dupla medelha de ouro nestes campeonatos) fez um gesto que ofendeu muita gente na Noruega. A reportagem não foi editada e foi transmitida integral na NRK algumas horas antes. Mais tarde, o próprio atleta pediu desculpas publicamente pelo gesto.

Aqui está o clip: aqui.

Ambiente revisitado...

Deixo aqui também um link para uma comunicação do Conselho das Comunidades Europeias muito interessante.




Uma imagem retirada da edição de hoje do público que permite ter uma ideia geral das fontes de energia que cada país da UE utiliza.

RC

segunda-feira, março 05, 2007

Afonso Henriques

Primeiro queriam abrir-lhe o túmulo, porque, ao que parece, não há nenhum retrato do rei e todos factos que se conhecem, não passam afinal de mitos populares!

Agora, andam a discutir onde raio é que ele nasceu. Guimarães, Coimbra ou Viseu!

Mais um uns tempos e ainda começam a questionar se ele existiu mesmo e se o mito de ter dado porrada na mãe para nos livrar dos Castelhanos e Galegos não passou de uma desculpa para durante séculos se justificar a repressão sobre as mulheres!

Deixemos o Homem em paz, deixem o povo continuar a glorificar aquele que é um dos seus mitos/heróis! Afinal de que é que se faz a história!? Não é da mistura entre factos e mitos!? Vide Aljusbarrota... A batalha existiu, mas quem a ganhou no imaginário popular não foram os Portugueses (com ajuda dos Ingleses) mas sim, uma padeira, que limpava o sebo aos invasores Castelhanos com a pá de por o pão no forno, que sendo forjada de madeira penetrava nos escudos de aço como as mãos delicadas que moldam a massa!

Cumprimentos,

RC

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Dar aulas!

Hoje dei a minha segunda aula na faculdade. Neste momento estou a dar aulas de fundamentos de biologia para psicólogos clínicos e tem sido um desafio. Os alunos são dedicados e lêm a matéria antes de ir para as aulas, fazem perguntas interessantes e inteligentes, mostram-se interessados. Por outro lado, é para mim uma experiência bastante stressante apresentar-me perante 20 e tais alunos duas vezes por semana e falar sobre um tema durante duas horas. O pulso acelera e às vezes quase sinto vontade de fugir dali para fora a meio de uma aula. Não é por falta de conhecimento, é somente a pressão de explicar um tema bastante difícil a um grupo de pessoas que um indivíduo não conhece assim tão bem. Durante duas horas sinto uma vintena de pares de olhos a avaliar-me e muitas vezes pergunto-me acerca que tipo de impressão é que os alunos terão de mim. De vez em quando aparece uma pergunta e o mais estranho é que é de facto durante as respostas que me sinto mais calmo. Ouvi da parte do meu predecessor que este tipo de stress é bastante normal durante os primeiros 2 ou 3 semestres, que não há nada a temer.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Cartas de Iwo Jima



Mystic River e Million Dollar Baby foram dois dos grandes filmes com que fomos brindados nos últimos anos, obra deste, cada vez mais cativante, realizador que tem por nome Clint Eastwood.

Os seus mais recentes trabalhos, Flags of our fathers e Letters from Iwo Jima vêm na linha da qualidade dos seus dois anteriores trabalhos.

Assisti às cartas de Iwo Jima num cinema americano, quase vazio (talvez por historicamente o público americano ter alguma aversão a filmes legendados). No final, tanto eu como os amigos que me acompanharam, permanecemos sentados olhos fitos no ecrã escuro onde começava a passar o genérico, a digerir a força das imagens e da história que tinhamos acabado de assistir. Até que alguem disse: "fenomenal"! De facto está lá tudo: a guerra ideológica, o soldado que não sabe bem o porquê e por quem luta, a irracionalidade da guerra, o desespero de quem se vê derrotado não pelo inimigo mas pelos seus, a inteligência do estratega, a desobediencia que leva a que a táctica do estratega não tenha o resultado esperado, o sonho e a esperança de sair dali para voltar a ver aqueles que se amam e que nalguns casos nos prendem à vida, o sangue, a brutalidade do antes matar quem se rende a esperar que estes sejam salvos! A mistura de sentimentos é enorme, odiamos algumas das personagens e amamos outras.

Obviamente que após assistirmos a este filme ficámos com vontade de ver aquele que lhe deu origem (enquanto recolhia dados para a realização das bandeiras dos nossos pais, Clint Eastwood recolheu material que lhe deu a ideia de realizar um filme que demonstrasse o drama vivido do outro lado da barricada). Alugámos o DVD e...mergulhámos no filme, na vida das personagens, da mesma forma que o haviamos feito antes. Não é o mesmo tipo de filme, não trata apenas da conquista da ilha pelos americanos, mas do misto de sentimentos vividos pelos 3 sobreviventes que plantaram a famosa bandeira no cume mais alto da montanha, no regresso a uns EUA sedentos de heróis e da forma como a propaganda militar americana se aproveitou de 3 soldados para arranjar financiamento para uma guerra para a qual o dinheiro do estado escasseava!

Definitivamente, estou rendido ao mestre Clint Eastwood e aguardo ansiosamente por novos filmes deste grande realizador/produtor/actor/...

RC

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Terra de contrastes

Estive ausente nos últimos tempos, parte em trabalho, parte em lazer. A apresentação de um poster num dos poucos congressos existentes na minha área de investigação, levou-me ao longínquo Novo México, nos EUA. Santa Fé, pequena cidade situada a mais de 2000m de altitude foi o quartel general do congresso e das actividades que o rodearam.

Não vou no entanto falar de ciência neste post. Os EUA é o motivo deste meu texto.

Obviamente que, ao ser bombardeado a todo o momento e a toda a hora com a dita cultura americana, já estava preparado para muito do que encontrei. A começar pela falta de transportes públicos. Talvez nas grandes cidades existam e funcionem bem, mas tanto em Santa Fé como mais tarde na Carolina do Norte, verifiquei que não faz parte da cultura local usar um autocarro em vez de um carro, e as pessoas que se encontram nos autocarros, ou são turistas como nós eramos ou membros das camadas sociais mais desfavorecidas. Para além disso, os autocarros fizeram-me lembrar os "chaços" que há uns 10 anos circulavam nas ruas de Coimbra, mas que felizmente, já pouco se vêm!

Claro que quem não usa os transportes públicos, tem que se movimentar de carro. E, tal como nos filmes, não é um carro qualquer. São grandes carros (pelo menos em tamanho), muitos jipes, que consomem quase sempre para cima de 10 litros aos 100. Mas com a gasolina a 1,28 dolares o galão (aprox 3,8 l) até eu dispensava gastar a sola dos sapatos para ir ao supermercado, mesmo que este distasse 200 m de casa, não fosse eu um ambientalista moderado ;)!

Curioso é observar o comentário espantado dos americanos quando verificam que os nossos telemóveis funcionam nos states, enquanto os deles não funcionam na europa! Sinal de abertura para o mundo ou de oportunidades que os fabricantes europeus souberam aproveitar? Não sei, mas que me deu jeito, lá isso deu!

No entanto, o estereótipo do americano gordo não se confirmou. Que os há, isso é indesmentível, tal como nos filmes, com os nacos de banha pronunciados nas calças ou por baixo da t-shirt justa banhada em suor ou mesmo a quererem saltar para fora. Mas, nos sítios por onde andei, isto foi a excepção e não a regra. Compreendi, no entanto, que não é difícil engordar naquele país. A cultura local, não admite que a excepção seja a comida com gordura e sal, fazendo disto a regra. A não ser que se tome especial atenção ao que se ingere, em cada refeição facilmente se atingem os níveis máximos de calorias diárias recomendadas, mesmo ao pequeno almoço! E não falo dos hamburgueres, os quais procurei evitar ao máximo, mas da comida em geral!

Por último, o conceito de cidade é bastante diferente do nosso! As cidades Europeias, por norma consistem de um centro densamente urbanizado, com subúrbios a rodearem-no. Nas duas cidades por onde andei, é impossível distinguir subúrbios do centro. Tudo consiste de pequenas casas, de 2-3 andares, ou condomínios fechados separados do próximo por longas manchas verdes.

O que mais me maravilhou foi a beleza natural! O Novo México é um local bem diferente de tudo o resto que já visitei, onde se misturam o deserto com a montanha e as Rocky Mountains, na Carolina do Norte, fizeram nascer o bichinho para uma nova visita no Outono ou Primavera para observar os fantásticos contrastes coloridos da flora local, que no Inverno se encontram ocultos! Muito embora os atentados ambientais que regularmente leio em revistas e jornais, ainda há muito para ver e viver (e destruir) naquele país imenso!

Fico-me por aqui.

Cumprimentos